“Necessidade urgente de reflexão”, diz Gilmar Mendes sobre ações da PM

Ministro Gilmar Mendes, do STF, foi às redes sociais para criticar casos recentes de violência policial envolvendo PMs de São Paulo

atualizado

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Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é entrevistado pelo colunista Paulo Cappelli e a repórter Manoela Alcântara no estúdio Metrópoles
1 de 1 Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é entrevistado pelo colunista Paulo Cappelli e a repórter Manoela Alcântara no estúdio Metrópoles - Foto: KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi às redes sociais neste sábado (12/7) para criticar a Polícia Militar (PM) de São Paulo em dois casos recentes envolvendo a morte de dois homens em decorrência de ação policial.

“O Estado não pode adotar os mesmos métodos daqueles que pretende enfrentar. Segurança pública se faz com inteligência e respeito à legalidade”, escreveu o ministro em posto no X.

O magistrado citou o caso do marceneiro Guilherme Dias Santos, de 26 anos, que foi baleado e morto por um policial militar de folga em Parelheiros, na zona sul, no dia 4 de julho.

A vítima corria para o ponto de ônibus após o trabalho quando foi atingido na cabeça por um disparo efetuado pelo policial Fábio Anderson Pereira, que alegou ter confundido o jovem com um criminoso que teria assaltado ele momentos antes. O PM foi preso em flagrante após o ocorrido, mas liberado após pagar fiança de R$ 6,5 mil.

Inicialmente, ele responderia pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Justiça de São Paulo, no entanto, mudou na última sexta-feira (11/7) a classificação da morte do marceneiro e o caso passou a ser investigado como homicídio doloso, quando o autor tem a intenção ou assume o risco de matar.


O outro episódio mencionado por Gilmar Mendes foi a execução de Igor Oliveira, de 24 anos, morador de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Ele foi morto após ser alvejado por policiais militares mesmo estando rendido e desarmado, segundo o Ministério Público e a própria PM.

O caso ocorreu na última quinta-feira (10/7) durante uma operação policial na comunidade. Dois PMs foram presos e responderão pelo crime de homicídio doloso.

“A morte de um jovem inocente de 26 anos, voltando do trabalho, em Parelheiros/SP, e o assassinato de outro jovem de 24 anos, em Paraisópolis/SP, em circunstâncias que indicam para uma possível execução, evidenciam, mais uma vez, a necessidade urgente de reflexão sobre o tema da segurança pública em nosso país”, afirmou o magistrado na publicação.

Gilmar Mendes ainda disse que a Constituição Federal de 1988 “não admite atalhos punitivos” e que nenhuma suspeita, “por mais grave que seja, autoriza execuções sumárias”.

“A Justiça só pode ser feita com base em provas e processos regulares. As imagens de câmeras corporais, que teriam registrado a ação em Paraisópolis, por exemplo, reforçam a importância desses dispositivos como instrumento de controle, transparência e proteção, tanto para os agentes públicos quanto para os cidadãos. Mas é preciso ir além: formação adequada, compromisso dos órgãos de controle e respeito aos direitos humanos”, disse.


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