“Necessidade urgente de reflexão”, diz Gilmar Mendes sobre ações da PM
Ministro Gilmar Mendes, do STF, foi às redes sociais para criticar casos recentes de violência policial envolvendo PMs de São Paulo
atualizado
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi às redes sociais neste sábado (12/7) para criticar a Polícia Militar (PM) de São Paulo em dois casos recentes envolvendo a morte de dois homens em decorrência de ação policial.
“O Estado não pode adotar os mesmos métodos daqueles que pretende enfrentar. Segurança pública se faz com inteligência e respeito à legalidade”, escreveu o ministro em posto no X.
O magistrado citou o caso do marceneiro Guilherme Dias Santos, de 26 anos, que foi baleado e morto por um policial militar de folga em Parelheiros, na zona sul, no dia 4 de julho.
A vítima corria para o ponto de ônibus após o trabalho quando foi atingido na cabeça por um disparo efetuado pelo policial Fábio Anderson Pereira, que alegou ter confundido o jovem com um criminoso que teria assaltado ele momentos antes. O PM foi preso em flagrante após o ocorrido, mas liberado após pagar fiança de R$ 6,5 mil.
Inicialmente, ele responderia pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Justiça de São Paulo, no entanto, mudou na última sexta-feira (11/7) a classificação da morte do marceneiro e o caso passou a ser investigado como homicídio doloso, quando o autor tem a intenção ou assume o risco de matar.
A morte de um jovem inocente de 26 anos, voltando do trabalho, em Parelheiros/SP, e o assassinato de outro jovem de 24 anos, em Paraisópolis/SP, em circunstâncias que indicam para uma possível execução, evidenciam, mais uma vez, a necessidade urgente de reflexão sobre o tema da…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) July 12, 2025
O outro episódio mencionado por Gilmar Mendes foi a execução de Igor Oliveira, de 24 anos, morador de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Ele foi morto após ser alvejado por policiais militares mesmo estando rendido e desarmado, segundo o Ministério Público e a própria PM.
O caso ocorreu na última quinta-feira (10/7) durante uma operação policial na comunidade. Dois PMs foram presos e responderão pelo crime de homicídio doloso.
“A morte de um jovem inocente de 26 anos, voltando do trabalho, em Parelheiros/SP, e o assassinato de outro jovem de 24 anos, em Paraisópolis/SP, em circunstâncias que indicam para uma possível execução, evidenciam, mais uma vez, a necessidade urgente de reflexão sobre o tema da segurança pública em nosso país”, afirmou o magistrado na publicação.
Gilmar Mendes ainda disse que a Constituição Federal de 1988 “não admite atalhos punitivos” e que nenhuma suspeita, “por mais grave que seja, autoriza execuções sumárias”.
“A Justiça só pode ser feita com base em provas e processos regulares. As imagens de câmeras corporais, que teriam registrado a ação em Paraisópolis, por exemplo, reforçam a importância desses dispositivos como instrumento de controle, transparência e proteção, tanto para os agentes públicos quanto para os cidadãos. Mas é preciso ir além: formação adequada, compromisso dos órgãos de controle e respeito aos direitos humanos”, disse.
Tarcísio diz que câmeras apontaram ilegalidade
- Neste sábado (12/7), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a análise das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte mostrou que houve “ilegalidade” por parte dos agentes.
- “Da análise das câmeras corporais, vimos que realmente tinha havido ali uma ilegalidade e vamos coibir com rigor. Vamos dar o respaldo, sim, para as forças de segurança, mas não vamos tolerar o desvio, a ilegalidade e o abuso”, afirmou disse o governador durante agenda em Cerquilho, no interior de São Paulo.
- Tarcísio foi eleito em 2022 com um discurso contrário às câmeras corporais no uniforme de policiais.
- Após críticas de especialistas e de aumento nos casos de violência policial, o governador voltou atrás e, em dezembro do ano passado, afirmou que estava “completamente errado” sobre o uso das câmeras.
- “Eu tinha uma visão equivocada, fruto da experiência pretérita que eu tive. Hoje estou plenamente convencido de que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial. Vamos não só manter o programa, como também ampliá-lo”, afirmou à época chefe do Executivo estadual.
