Gilmar Mendes manda soltar delegado investigado na morte de Gritzbach
Delegado Fábio Baena é investigado por suspeitas de corrupção no caso Gritzbach. Decisão do STF autorizou soltura com fiança e tornozeleira
atualizado
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Investigado no caso do assassinato do delator do Primeiro comando da Capital (PCC) Vinícius Gritzbach, o delegado da Polícia Civil Fábio Baena Martin teve a prisão preventiva revogada por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (31/3). Com isso, o agente deixou a prisão, mas terá que cumprir algumas regras, como usar tornozeleira eletrônica e pagar fiança de R$ 100 mil.
A soltura foi determinada por meio de um habeas corpus. Na decisão, o ministro Gilmar Mendes avaliou que não havia elementos suficientes para manter a prisão do delegado Fábio Baena Martin, investigado por suspeitas de corrupção e extorsão na morte do empresário Antônio Vinícius Gritzbach. Segundo o ministro, a acusação se baseia principalmente em uma delação premiada, sem outras provas mais consistentes que confirmem as suspeitas. Até agora, também não foram encontrados registros concretos, como mensagens ou movimentações financeiras que liguem diretamente o delegado aos crimes investigados.
Outro ponto levado em conta foi o andamento do processo. Como a fase de coleta de provas e depoimentos já terminou, o ministro entendeu que não há risco de o investigado atrapalhar as investigações. Além disso, ele já está afastado do cargo e não tem acesso a armas, distintivo ou estrutura da polícia.
Quem é o delegado Fábio Baena
- O delegado Fábio Baena Martin foi preso em dezembro de 2025, suspeito de envolvimento no assassinato do delator do PCC, Antônio Vinícius Gritzbach.
- A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão.
- Delegado desde 2002, Baena atuou em unidades importantes da polícia, como o Denarc (combate ao tráfico de drogas) e o Grupo de Operações Especiais (GOE).
- Ele também passou pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), onde atuou em investigações de crimes graves na capital paulista.
- Após mudanças internas, foi transferido para outras áreas da Polícia Civil, incluindo a Delegacia Geral e unidades seccionais.
- Segundo denúncias feitas por Gritzbach, Baena e outros policiais teriam recebido cerca de R$ 11 milhões em propina para retirar nomes de investigados de inquéritos ligados a homicídios e tráfico de drogas.
Com isso, a prisão foi trocada por medidas cautelares. Além de usar tornozeleira eletrônica e pagar fiança, Fábio Baena Martin deverá continuar afastado da função pública, não poderá ter contato com outros investigados ou testemunhas e está proibido de frequentar unidades policiais, a não ser por determinação da Justiça. Apesar da soltura, o processo continua, e o delegado segue respondendo às acusações, como organização criminosa, peculato e corrupção passiva.
Em nota, a defesa do delegado Fábio Baena Martin, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, afirmou que recebeu com alívio a decisão do Supremo Tribunal Federal que garantiu a liberdade do investigado. Segundo a defesa, a prisão era indevida e configurava uma “coação ilegal”, já que, na avaliação dos advogados, não havia justificativa atual para a medida. A defesa afirma que, com a soltura, será possível exercer plenamente o direito de defesa e demonstrar a inocência de Fábio Baena Martin ao longo do processo.
Execução de Gritzbach
Vinícius Gritzbach foi executado no dia 8 de novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele estava retornando de uma viagem que fez para Maceió, em Alagoas.
Em depoimento a namorada do executado, Maria Helena Paiva Antunes, afirmou que ouviu o companheiro no telefone no dia 5 e 6 de novembro falando com uma pessoa que lhe devia dinheiro. “Posteriormente, ele determinou que [o policial militar] Samuel [Tillvitz da Luz] e [o motorista] Danilo [Lima Silva] fossem a Maceió buscar algumas joias que seriam parte do pagamento dessa dívida.”
Veja o vídeo com o momento em que o empresário é atingido à queima roupa:
Voltando ao dia da execução, quando Gritzbach passava pela área de desembarque um carro parou no local, dois homens encapuzados desceram do veículo vestindo colete a prova de balas e portando fuzis.
Assim que o alvo se aproximou, os dois começaram a atirar. Foram 29 disparos, 10 atingiram Gritzbach, que morreu no local. Pelo menos um dos disparos acertou o rosto do empresário. Além dele, um taxista também foi morto e outras duas pessoas foram feridas pelos disparos.

























