
Mirelle PinheiroColunas

Caso Gritzbach: delegado citado em delação volta à cúpula da polícia
A designação do delegado foi oficializada em publicação no Diário Oficial do Estado pela Secretaria da Casa Civil
atualizado
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O delegado Fábio Pinheiro Lopes (foto em destaque), conhecido como Fábio Caipira, foi nomeado nessa sexta-feira (23/1) diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) da Polícia Civil de São Paulo.
A designação foi oficializada em publicação no Diário Oficial do Estado pela Secretaria da Casa Civil.
Com a nomeação, Caipira assume o cargo anteriormente ocupado por Paulo Sérgio Pilz e Campos Mello. A escolha ocorre pouco mais de um mês após o delegado ter sido afastado da direção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em meio aos desdobramentos da delação de Vinícius Gritzbach, executado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
À época, o afastamento foi determinado pelo governador Tarcísio de Freitas, na mesma semana em que a Polícia Federal deflagrou uma operação que resultou na prisão de sete pessoas, entre policiais e civis.
No mesmo contexto, o então titular do 24º Distrito Policial, Murilo Fonseca Roque, também deixou o cargo após ter o nome citado na colaboração premiada de Gritzbach.
Em entrevistas concedidas após deixar o Deic, Fábio Caipira afirmou que foi induzido ao erro pelo advogado Ramsés Benjamin Samuel Costa Gonçalves, apontado pelo delator como intermediário de supostas tratativas ilícitas.
O delegado negou qualquer recebimento de vantagem indevida e declarou que as acusações não se sustentavam nos autos. Segundo ele, o então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, teria afirmado que não havia elementos que o vinculassem ao esquema descrito na delação.
Caipira também negou que advogados tenham se reunido com ele na sede do Deic e afirmou que Ramsés jamais foi recebido formalmente ou apresentou procuração em nome de Gritzbach.
Em janeiro de 2025, o delegado foi substituído no comando do Deic por Ronaldo Sayeg.
Meses depois, o Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento da investigação que apurava as citações feitas pelo delator contra Caipira, outros delegados e o deputado estadual Delegado Olim (PP). No parecer, o MP destacou a ausência de provas que corroborassem as acusações.
Apesar do arquivamento na esfera criminal, parte dos elementos reunidos foi encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para análise de pessoas sem foro privilegiado.
Patrimônio milionário
Paralelamente, Caipira também foi alvo de apurações relacionadas à evolução de seu patrimônio.
Investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Civil, ainda na década passada, analisaram a aquisição de fazendas, imóveis urbanos e a movimentação de grandes volumes financeiros por empresas ligadas à área de segurança privada.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicaram movimentações em espécie e vínculos com empresas do setor.
As apurações, no entanto, foram arquivadas em 2024, tanto na esfera criminal quanto administrativa, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
No fim de 2024, Caipira e a esposa transferiram imóveis e valores para uma sociedade anônima, modelo empresarial que não expõe publicamente os acionistas.
A operação, registrada na Junta Comercial, ocorreu dias antes de seu afastamento do Deic e colocou o filho do delegado como diretor da empresa.
Procurado à época, Fábio Caipira afirmou que a reorganização patrimonial teve início ainda em 2023 e não guarda relação com a delação de Gritzbach. Ele sustenta que todas as movimentações foram legais e devidamente declaradas.
Com a nova nomeação, o delegado retorna a um posto estratégico da Polícia Civil paulista, agora à frente do Dope, responsável por operações de alto risco e ações especiais no estado.
