SP: mensagens ligam investigadora a policiais presos no caso Gritzbach
Tania Nastri e Calos Huerta foram afastados da Polícia Civil sob a suspeita de usarem influência interna para favorecer o crime organizado
atualizado
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Mensagens extraídas dos celulares de investigados na Operação Face Off, da Polícia Federal, deflagrada em maio do ano passado, colocaram o nome da investigadora Tania Aparecida Nastri, da Polícia Civil paulista, no centro de apuração que atinge policiais presos no caso do corretor de imóveis Vinícius Gritzbach — assassinado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em novembro de 2024.
A referência a Tania aparece em relatórios da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), obtidos pelo Metrópoles.
O material não afirma que ela tenha praticado crime. O que consta é a menção reiterada ao nome dela nas conversas, o recebimento de conteúdo sensível — como a imagem da morte de integrante do PCC — e a indicação de proximidade com investigados.
Os dados analisados vieram da extração telemática de aparelhos atribuídos a Valdenir de Paulo Almeida, o Xixo, e a Valmir Pinheiro, o Bolsonaro, investigados por ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Presos, Xixo e Bolsonaro são suspeitos de participação no assassinato de Gritzbach.
Foi a partir desses celulares que surgiram as conversas que levaram ao aprofundamento da investigação e, posteriormente, ao afastamento, nessa quinta-feira (12/2), de Tania e do policial civil Carlos Huerta, 56. A defesa de ambos não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestações.
Citada em conversas
Em uma das mensagens analisadas, Xixo afirma que “já ligaram pra Tania”. Em resposta, um interlocutor alerta: “Pior ela conhece eles tbm”. E acrescentou: “Cuidado pra não tomar uma dedada, esses putos podem ir direto nela”. Xixo responde: “Ela já sabe”.
O relatório da PF registra que o teor das mensagens “leva a crer que TANIA, possivelmente TANIA APARECIDA NASTRI, investigadora de polícia que mantém contato de proximidade com XIXO”, teria conhecimento das pessoas do crime organizado envolvidas na ação em que os policiais falavam sobre suposto recebimento de propina.
Foto de liderança do PCC
Outro trecho do documento obtido pelo Metrópoles indica que, em 4 de maio de 2023, Xixo encaminhou a foto do corpo de Rafael Maeda Pires, o Japa, integrante da liderança do PCC, morto horas antes de prestar depoimento à polícia.
A imagem foi enviada para quatro pessoas: “Tania [policial] Civil […] Eduardo Monteiro [Valmir] Pinheiro [o Bolsonaro] e Fabio Baena”, diz trecho da investigação da PF, em suposta referência à investigadora Tania ao delegado Fábio Baena e, também, ao chefe de investigações Eduardo Monteiro, ambos já presos por causa da morte de Gritzbach, além de Bolsonaro.
O relatório destaca ainda que, em mensagens posteriores, aparece vínculo entre Baena e Tania em uma mesma localização aproximada. A PF afirma acreditar que Tania seja Tania Aparecida Nastri.
“Criação de vínculos”
As referências surgiram após a análise de aparelhos apreendidos na Operação Face Off. A extração dos dados, feita pela PF, foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo e à Corregedoria da Polícia Civil, que aprofundaram a apuração.
Uma fonte policial que acompanha o caso afirmou à reportagem, em condição de sigilo, que a investigação teve como foco a apreensão de celulares e notebooks para “criação de vínculos e confirmação dos eventuais crimes” cometidos por Tania Nastri e Carlos Huerta.
Foram cumpridos nessa quinta-feira sete mandados de busca e apreensão, além de tomadas de medidas cautelares, como a instalação de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções — incluindo a retirada das armas e dos distintivos dos policiais. No contexto dessa apuração, o nome de Tania aparece vinculado às mensagens extraídas dos celulares de Xixo e Bolsonaro.
Caso Gritzbach
O caso Gritzbach já envolvia policiais suspeitos de condutas irregulares, como revelado pelo Metrópoles em reportagem sobre coação de testemunha por meio de celular na cadeia. As mensagens agora analisadas indicam possível conexão indireta entre a investigadora Tania e personagens que orbitam o mesmo núcleo investigado pela PF no caso Gritzbach.
É esse conjunto de mensagens, obtido a partir dos celulares apreendidos na Operação Face Off, que sustenta o afastamento e a continuidade das diligências.

















