Fuvest vai lançar site para ex-vestibulando reviver “nome na lista”
Novidade faz parte das ações em celebração aos 50 anos da fundação, que fez aniversário nesta segunda-feira (20/4)
atualizado
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A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) vai lançar um site para que ex-vestibulandos possam reviver a emoção de encontrar seu nome na lista de aprovados da Universidade de São Paulo (USP) e de outros processos seletivos feitos pela instituição.
A página, ainda em desenvolvimento, é uma das ações em celebração aos 50 anos da Fuvest, completados nesta segunda-feira (20/4). Em entrevista ao Metrópoles, o diretor-executivo da fundação, Gustavo Monaco, disse que o projeto deve ficar pronto em breve e permitirá o compartilhamento em redes sociais.
“As listas muito antigas não estavam digitalizadas, a gente só tinha elas em suporte físico. Elas estão sendo digitalizadas e tudo está sendo convertido para uma linguagem que permita a pesquisa nominal. Eu acho que em mais um mês, um mês e meio, devemos ter esse site disponível”, conta Gustavo.
Além do site, um livro sobre as influências da Fuvest no ensino médio – e do ensino médio nas provas da Fuvest – também deverá ser lançado nos próximos meses em comemoração ao cinquentenário da fundação.
50 anos em transformação
Responsável por selecionar anualmente milhares de estudantes para a USP, a Fuvest também foi, no passado, porta de entrada para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e para a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), e já teve, ao invés das 80 questões de agora, até 160 perguntas na primeira fase. Em cinco décadas de história, a fundação passou por uma série de mudanças.
Quando surgiu, a Fuvest tinha o intuito de unificar a seleção para os diferentes cursos oferecidos da USP e que, até então, tinham vestibulares próprios. Nas áreas de exatas, por exemplo, os alunos de engenharia eram selecionados por meio do MAPOFEI, exame também utilizado pelo Instituto Mauá e pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI).
Com a chegada da Fuvest, um novo método se estabeleceu: alunos de todos os cursos da USP prestariam a mesma prova, que seria dividida em duas fases. Na primeira estariam os testes de múltipla escolha. Na segunda, as questões dissertativas.
“Foi um modelo ‘meio termo’. Sobretudo nas ciências médicas, havia muita influência dos Estados Unidos e os exames em teste eram muito utilizados. Já o pessoal das ciências humanas e do MAPOFEI queria uma prova escrita, o que era difícil de ser aplicado para a quantidade de pessoas que se inscreveram no vestibular. Então, o modelo foi fazer uma primeira fase com teste, e uma segunda discursiva”, diz Gustavo.
Durante um período, a segunda fase era a mesma para todos os alunos. Mais tarde entraram em vigor as questões específicas, como as que existem atualmente – hoje, um vestibulando de jornalismo, por exemplo, se depara com questões diferentes na segunda fase daquelas que serão oferecidas a um candidato de medicina.
O processo de constante transformação do vestibular continua até agora. Recentemente, a Fuvest passou a listar apenas obras escritas por mulheres nos livros exigidos para o exame. Para o vestibular 2028, que será aplicado em 2027, já há outras mudanças previstas, como a redução no número de questões do primeiro dia de provas da segunda fase.
Dificuldade da prova
Gustavo Monaco, que ainda se lembra quando viu seu nome sair na segunda lista de chamada da Fuvest, na Quarta-Feira de Cinzas de 1996, diz que a fundação deve, nos próximos anos, sentir os impactos das mudanças de agora para pensar suas próximas novidades. Uma coisa, segundo ele, não deve ser alterada: a dificuldade da prova.
“O vestibular da Fuvest é, sim, difícil e é um dos mais difíceis, se não o mais difícil, do país. E ele é porque ele precisa selecionar 8.147 pessoas que vão fazer a matrícula na USP entre os 130 mil que se inscrevem. Para conseguir fazer essa seleção, eu preciso diferenciar aqueles que sabem coisas mais difíceis daqueles que não sabem”, diz Gustavo, que defende que o exame continue sendo exigente.
Para ele, as ações afirmativas, que permitem reserva de vagas para alunos de escolas públicas, permitiram manter o vestibular difícil e acessível.
“No passado, o vestibular da Fuvest era um excludente porque privilegiava um grupo de pessoas que tinham condição de acessar o conhecimento mais específico. […] Hoje eu tenho vagas reservadas para pessoas que representam grupos populacionais importantes do país e que estavam excluídas.”








