Ex-chefe da Fundação da USP pagou empresa da família em fraude no BRT
Projeto de BRT que nunca foi construído em São José dos Campos foi denunciado pelo MPSP. TJSP condenou professor de engenharia e ex-prefeito

O ex-diretor da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp) José Roberto Cardoso contratou uma empresa registrada em nome da esposa e da filha para um projeto de BRT, em São José dos Campos, que nunca saiu do papel.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acatou a denúncia do Ministério Público paulista (MPSP) contra o ex-prefeito da cidade do Vale do Paraíba, Carlinhos Almeida (PT), o ex-diretor da Fusp, e mais dez alvos pelo esquema que teria desviado R$ 14,5 milhões dos cofres do município do interior paulista. O caso cabe recurso.

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Ver todasSegundo os investigadores, a prefeitura contratou a Fusp para pesquisas, estudos e elaboração do projeto básico do sistema de transporte BRT. A fundação, no entanto, subcontratou outras empresas para realizar os serviços.
Uma dessas empresas, a Electromagnetics Tecnologia e Informática Ltda, do filho e da esposa de Cardoso, recebeu R$ 546 mil da Fusp.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO ex-diretor da Fusp é engenheiro eletricista e professor da Escola Politécnica da USP.
Detalhes do contrato
- A Electromagnetics Tecnologia e Informática Ltda foi subcontratada por R$ 546 mil pela Fusp, que por sua vez, foi contratada para elaborar o projeto do BRT em São José dos Campos.
- A empresa foi aberta, em 2004, por familiares de José Roberto Cardoso, diretor da Fusp à época da contratação do projeto do BRT, e de outro professor da Escola Politécnica da USP, que já escreveu um livro acadêmico junto com Cardoso.
- O TJSP condenou 15 pessoas por atos de improbidade administrativa. O caso cabe recurso.
- Além de Cardoso, o ex-prefeito Carlinhos Almeida foi denunciado, assim como ex-secretários de Obras, a empresa Electromagnetics Tecnologia e Informática Ltda e a Fusp.
MPSP aponta manobras
O MPSP diz que as subcontratações foram direcionadas “a pessoas com ligações pessoais aos agentes gestores dos recursos”.
“A Fusp não detinha capacidade técnica para a execução dos objetos contratados, foi contratada por manobras administrativas de direcionamento”, afirma a denúncia.
O relatório aponta ainda que dois contratos, com o mesmo objeto, ficaram vigentes ao mesmo tempo. A Fusp foi contratada em 2015 e, no ano seguinte, a Fundação de Apoio Institucional à Universidade Federal de São Carlos (FAI-UFScar) para projetar o BRT. Os contratos coexistiram por dois meses.
Para o MPSP, o caso é um exemplo de “desorganização administrativa” intencional, com o objetivo real de desviar o orçamento de São José dos Campos.
“A manutenção concomitante de dois contratos voltados à execução do mesmo objeto constitui elemento revelador do dolo lesivo ao erário, por graves ilegalidades, que contaminaram a contratação analisada desde sua origem, com a desorganização administrativa utilizada como instrumento de direcionamento dos recursos públicos”.
Outro ponto destacado é que os contratos foram feitos com dispensa de licitação de forma ilegal.
O Metrópoles procurou a Prefeitura de São José dos Campos e a Fusp, mas não obteve resposta. As defesas de José Roberto Cardoso e Carlinhos Almeida não foram encontrados. O espaço segue aberto para manifestações.



