Fraude em licitações: vice de Nunes quer investigação para "omissos"
Nas redes sociais, Mello Araújo (PL) defendeu que MPSP investigue funcionários "omissos" em fiscalizar licitações com suspeita de fraudes

O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), defendeu que o Ministério Público do estado (MPSP) investigue funcionários que teriam sido “omissos” na fiscalização das licitações com suspeita de fraudes. As concorrências foram alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (7/7).
“Parabenizo o Ministério Público e espero que eles apurem não só os responsáveis, mas também os omissos, aqueles que deveriam fiscalizar e impedir que isso acontecesse”, disse Mello Araújo, nas redes sociais. O vice-prefeito afirmou, ainda, que aguarda para que os “responsáveis sejam punidos”.
A fala acontece após o Gaeco deflagrar uma operação para apurar suspeitas de interferência em contratos da Prefeitura de São Paulo. Dois ex-servidores municipais são investigados no esquema e foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta manhã.
Entenda o caso
- A investigação do MPSP começou após uma denúncia recebida em fevereiro deste ano.
- Segundo a denúncia, os investigados teriam interferido em licitações, entre 2022 e 2025, para beneficiar determinados grupos empresariais em troca de vantagens indevidas.
- Os ex-servidores Vinícius Felipe Moreno, que trabalhava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, e Bruno Conrado do Espírito Santo, que era coordenador de licitações da Secretaria das Subprefeituras, foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça. Ambos foram exonerados em março deste ano.
- As fraudes envolveriam a contratação de 11 lotes de ar-condicionado para unidades da Secretaria Municipal da Educação, por R$ 1 bilhão.
- O Gaeco também apura a evolução patrimonial dos investigados. Há indícios de aquisição de imóveis, veículos e outros bens incompatíveis com a renda oficialmente declarada.
- O MPSP investiga supostos crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

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Ver todasRatos infiltrados
Mais cedo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) também comentou a operação do Gaeco e disse que foi a própria administração municipal quem levou o caso ao MPSP. Segundo ele, a ex-companheira de um dos investigados teria denunciado as supostas irregularidades à prefeitura após uma briga do casal.
“Os relatos da ex-namorada, ou ex-esposa, eram bastante contundentes. Por isso que no dia seguinte, aliás, já [se] iniciou as exonerações”, afirmou o prefeito.
Nunes disse que a licitação de ar-condicionado foi suspensa quando o caso passou a ser investigado. Segundo ele, o novo edital para a mesma contratação está em andamento, por metade do valor negociado inicialmente. “Foi emitida uma nova licitação de R$ 512 milhões. Então de R$ 1 bilhão caiu para R$ 512 milhões”.
O prefeito lamentou o que chamou de “ratos infiltrados na administração”.
“Infelizmente, ratos acabam se infiltrando na administração, mas a gente vai colocar nossas ratoeiras e fazer o trabalho conjunto com a Polícia Civil, com o Ministério Público, para fazer com que essas pessoas que eventualmente tenham praticado seus delitos possam pagar pelo que fizeram.”
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que exonerou “preventivamente” seis servidores “diante da informação de irregularidades envolvendo todos eles”.
“A Prefeitura reforça que não compactua com desvios de conduta ou qualquer tipo de irregularidade. O compromisso da administração é com a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público”, diz a nota.


