
Flávio "fala uma coisa para evangélicos e outra para católicos", diz Haddad
Fernando Haddad (PT) voltou a comentar a fake news de que Flávio queria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse que o postulante à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados “falam uma coisa para os evangélicos e outra para os católicos”. O petista voltou a comentar a polêmica sobre a retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil em sabatina ao podcast “Os Três Elementos”, na noite desta sexta-feira (2/10).
O ex-ministro da Fazenda afirmou que, em 2022, teria recebido vídeos de bolsonaristas invadindo o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, enquanto consumiam bebidas alcoólicas, em 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. “Aí essa história volta e eles falam que é fake news. Falam uma coisa para os evangélicos e outra para os católicos”, iniciou ele.
“Para os católicos, eles falam que vão respeitar a Nossa Senhora. Para os evangélicos, eles falam: ‘Só existe Cristo, não tenho nada a ver com Nossa Senhora’. […] Quando ele pega a santa e levanta, naquele ato de desespero, os evangélicos falam: ‘Então esse cara está mentindo para mim’. Eles vão acabar sendo desmascarados, o problema é o preço social que se paga até isso acontecer. Que eles vão perder, eu não tenho a menor dúvida. Mas a que custo?”, seguiu Haddad.
Na segunda (28/9), em agenda em São Paulo, Flávio recebeu uma imagem da Padroeira do Brasil. Na sequência, ele e o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), que o acompanhava, ergueram a santa diante do público presente. Os dois faziam uma caminhada pela região central da cidade.
No mesmo dia, o senador também recuou em relação às críticas que havia feito à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo ele, a entidade vinculada à Igreja Católica “esclareceu” um mal-entendido.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Eu estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a Padroeira do Brasil era uma grande mentira, é a maior fake news dessa campanha, gente. Então, a CNBB [se pronunciou] nesse comunicado – agradeço à CNBB –, confirmando que essa é uma grande fake news que foi potencializada pelo PT. Ela foi compartilhada pela Janja, foi compartilhada pela Simone Tebet, aqui em São Paulo, foi compartilhada por toda a esquerda para tentar desgastar”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Anteriormente, o presidenciável chegou a dizer que “gente de dentro da CNBB” teria ajudado a propagar a fake news. “O efeito foi o contrário. Todo mundo viu que eu sou uma pessoa que respeita todas as religiões, não fico dando pitaco em como é que a Igreja Católica tem que seguir as suas regras, se o padre tem que ter celibato ou não tem, o que é que o pastor pode falar do povo ou não pode, não. O Estado não tem que se meter nisso”, acrescentou ele, ao lado de Tarcísio e outros aliados.
Flávio também disse que é evangélico, mas “respeita todas as religiões”. “Respeito quem também não tem religião, e é assim que a gente vive, cada um escolhendo a sua fé da forma como achar melhor”, enfatizou.
Nesta segunda, a imagem da Padroeira do Brasil foi entregue a Flávio no ato. Em seguida, o senador e Tarcísio ergueram juntos a imagem diante do público presente.
Flávio x CNBB
Flávio negou, no domingo (27/9), qualquer intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Ao falar sobre o tema, o senador acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de divulgar uma fake news com ajuda da CNBB.
“O PT, eu sei hoje, já estava, havia alguns dias, tentando levantar essa fake news – e conseguiu, com a ajuda de gente de dentro da CNBB. Infelizmente, essa é a realidade”, disse Flávio em ato de campanha em Goiânia.
A CNBB rebateu o senador e refutou qualquer envolvimento com divulgações de notícias falsas. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral. A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, disse a instituição católica.

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Ver todasA questão foi parar inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça, do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a veiculação e mandou retirar posts que ligam Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida. Posteriormente, Flávio Dino, também do STF, derrubou a decisão de Mendonça, alegando não haver indícios suficientes de ilegalidade para justificar a medida.
Dino pediu, na segunda-feira (28/9), que o caso vá ao plenário do Supremo para uma decisão final.
Em 2020, 152 bispos assinaram uma carta criticando a condução do governo de Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, em assuntos como educação e saúde, em meio à pandemia da Covid.
















