Ferroviários negam caráter partidário de greve após fala de Tarcísio
Sindicato da categoria diz que greve é pela manutenção dos empregos de funcionários da CPTM após privatizações. Tarcísio e Nunes criticam

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil respondeu a críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a greve iniciada pela categoria nesta terça-feira (4/8) que paralisou as atividades em três linhas do sistema ferroviário paulista.
Por meio de uma nota à imprensa, o Sindicato afirmou que a greve não tem motivação político-partidária, e que o movimento foi aprovado por meio da realização de uma assembleia da categoria.
“O movimento nasceu da ausência de uma garantia concreta de manutenção dos empregos de milhares de trabalhadores que dedicaram décadas à construção de um dos maiores sistemas ferroviários do país”, diz o comunicado.
O Sindicato também esclareceu que, apesar de ser contrário à privatização das linhas paralisadas (11-Coral, 12-Safira e 13-Jade), “em nenhum momento se colocou contra investimentos, modernização ou melhorias”, mas que não podem aceitar que “esse processo ocorra sem assegurar o futuro de quem construiu a história da CPTM”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“É importante esclarecer que, apesar das reuniões realizadas com o Governo, não foi apresentada uma garantia formal e efetiva de que nenhum Ferroviário perderá seu emprego em razão da concessão [à iniciativa privada], Essa sempre foi a principal reivindicação da categoria e continua sendo”, afirmam os sindicalistas.
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Tarcísio chamou greve de “instrumentalização política”
Na manhã desta terça-feira, o governador de São Paulo criticou a paralisação das três linhas pelos ferroviários. Em nota publicada nas redes sociais, Tarcísio afirmou que a paralisação “é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, acrescentou o governador.
“Negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”, completou Tarcísio.

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Ver todasNunes também fez críticas
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também falou sobre a greve dos ferroviários, afirmando que a paralisação é uma “mensagem política partidária”, que estaria sendo realizada “por conta da questão da eleição do governador Tarcísio de Freitas e do candidato deles, o Fernando Haddad (PT)”, explicou.
“Tenho a impressão que o objetivo deles eles já alcançaram. Acho que chegou na hora já de parar de prejudicar a população. A gente tem percebido, eu conversei com muitas pessoas já hoje, as pessoas perceberam que é uma ação política e, portanto, isso na verdade vai ter um efeito contrário no objetivo deles”, acrescentou o prefeito.
Greve
Por conta da greve dos ferroviários, o governo de São Paulo acionou um plano de contingência para reduzir os impactos da paralisação, que atinge as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Por volta das 17h, a Linha 11-Coral estava com operação parcial entre as estações Barra Funda e Guaianases. Já a Linha 12-Safira funcionava em operação parcial entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade, ao final da tarde, passou a funcionar entre as estações Aeroporto Guarulhos e Engenheiro Goulart.
Por conta dos impactos, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos nesta terça e, segundo a CET, o trânsito já estava acima da média às 6h, principalmente na região da zona leste da capital paulista, que é a mais atingida pela greve.
Segundo o governo de São Paulo, 128 ônibus gratuitos do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foram acionados para atender os passageiros nas estações Estudantes e Corinthians-Itaquera, da Linha 11, São Miguel Paulista e Calmon Viana, da Linha 12, e Aeroporto de Guarulhos e Engenheiro Goulart, da Linha 13.
Já o Metrô de São Paulo antecipou a abertura das estações das Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. Na Linha 3, foram adicionadas mais composições à circulação e trens vazios podem ser enviados às estações que apresentarem maior lotação ao longo do dia.
A CPTM informa que a greve não atinge as demais linhas de trem, como a 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, todas concedidas à iniciativa privada. A Linha 10-Turquesa, operada pela companhia, também não foi afetada pela paralisação.
O que diz a CPTM
Em nota, a CPTM disse lamentar a decisão do sindicato, “mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações”. “Diante disso, a CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou multa diária de R$ 400 mil ao sindicato”, informou.


















