Falso padre volta após condenação e engana família por mais de 10 anos

Marcos Rodrigues Fontana foi condenado por estelionato em 2009 após se passar por padre e cobrar até R$ 450 por missas em São Paulo

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Mesmo após ser condenado a três anos de prisão por estelionato em 2009, Marcos Rodrigues Fontana, de 65 anos, voltou a se apresentar como padre e a enganar fiéis. Em São Paulo, aproximou-se de uma família, reconstruiu a imagem de monsenhor e passou a pedir dinheiro sob a alegação de manter um orfanato, usando a confiança e a fé para obter vantagens financeiras.

O Metrópoles conversou com a artista plástica Elisa Stecca, uma das responsáveis por denunciar Marcos Rodrigues Fontana. Ela conta que manteve contato com o homem por mais de uma década, período em que ele se apresentou como padre e conquistou a confiança da família ao participar de momentos íntimos.

“Ele sempre muito paramentado, com acólitos, muito solícito, sorridente, com uma oratória maravilhosa. Parecia realmente um padre vocacionado”, relata.7
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“Padre da família”

Segundo Elisa, o contato começou por meio da madrinha, Benedita, uma católica praticante, e, ao longo dos anos, ele passou a frequentar aniversários, encontros de fim de ano e outras ocasiões familiares. Com o tempo, acabou sendo visto como o “padre da família”.

Após a morte da mãe, Elisa diz que fez uma doação em dinheiro ao homem, acreditando contribuir com um orfanato que ele dizia administrar. A partir desse momento, segundo ela, os pedidos passaram a ser frequentes, sempre acompanhados de relatos sobre dificuldades enfrentadas pelas crianças.

“Eu me sentia feliz e grata em poder fazer essas contribuições por uma causa que era super nobre, porque ele dizia que era uma casa que recebia crianças em situação de muita vulnerabilidade.”

Sinais da farsa

Mas foi justamente a partir desse episódio que o desconforto começou a crescer. Elisa conta que, com o tempo, passou a questionar a falta de comprovações sobre a existência da instituição e a se incomodar com a recusa em permitir visitas ao local. “Eu pedi para conhecer as crianças, levar as doações pessoalmente, e ele disse que não podia”, afirma.

As desconfianças aumentaram diante de outras situações consideradas incomuns, como novas celebrações fora de igrejas e o envio de imagens de crianças sem qualquer identificação. Segundo ela, o suposto padre alegava que os menores eram protegidos pela Justiça, o que, na visão dela, não se sustentava. “Se são crianças sob custódia do Estado, não existe esse tipo de falta de assistência”, questionou.

A virada veio recentemente, quando Elisa e a madrinha Benedita decidiram pesquisar o nome do homem na internet. Foi nesse momento que descobriram que ele não tinha vínculo com a Igreja Católica nem com outras instituições religiosas reconhecidas. A partir daí, a história construída ao longo de anos começou a ruir.


Condenado por estelionato

  • Em 2009, a Justiça de São Paulo condenou Marcos Rodrigues Fontana por estelionato após ele se passar por padre da Igreja Católica e cobrar pela realização de missas em velórios.
  • A decisão foi proferida pela 25ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerou comprovada a prática de enganar fiéis para obter vantagem financeira.
  • Segundo a investigação, ele se apresentava como religioso, distribuía panfletos com seus contatos e oferecia serviços como missas e ritos religiosos pagos.
  • Em um dos casos, recebeu cerca de R$ 100 durante um velório e chegou a cobrar R$ 450 para a realização de uma missa de sétimo dia.
  • Pela condenação, ele recebeu pena de 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, posteriormente substituída por medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade.
  • Além da pena, também foi condenado ao pagamento de multa fixada em cinco salários mínimos da época, o equivalente a cerca de R$ 2,3 mil na época.
  • O caso foi enquadrado como estelionato, crime que consiste em obter vantagem indevida por meio de fraude, explorando a boa-fé das vítimas.

Queda do falso padre

Durante as conversas com Elisa, a madrinha Benedita decidiu ir além das suspeitas e passou a confrontar diretamente Marcos Rodrigues Fontana, por meio de mensagens e áudios. Pressionado, ele acabou reconhecendo que o orfanato que dizia manter não existia. E ainda afirmou fazer parte de uma chamada Igreja Vétero Católica.

Esse grupo é uma vertente independente, sem reconhecimento do Vaticano, que surgiu a partir de uma dissidência da Igreja Católica no século XIX e não tem vínculo com a estrutura oficial da instituição.

Procurada, a Arquidiocese de São Paulo informou que o homem não integra o clero da instituição e jamais foi ordenado padre pela Igreja Católica Apostólica Romana, não tendo, portanto, qualquer autorização para exercer funções religiosas em nome da Igreja.

A família procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência no dia 24 de março. O caso está sob investigação do 36º Distrito Policial, que segue ouvindo testemunhas para esclarecer os fatos e apurar eventuais crimes.

“Enganar as pessoas usando a fé, ainda mais envolvendo crianças, é algo muito grave. É podre, extremamente cruel, de uma crueldade atroz”, desabafa Elisa Stecca.

A reportagem tentou contato com Marcos Rodrigues Fontana e sua defesa, mas não encontrou. O espaço segue aberto para manifestações.

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