Como exame em SP revelou idade real de mulher que fingia ter 12 anos
Amanda Maria Sousa Oliveira chegou a ser acolhida como uma adolescente vítima de abusos, mas um exame apontou que ela era uma adulta
atualizado
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Presa após se passar por uma menina de 12 anos e ser acolhida por uma família em Santa Catarina, Amanda Maria Sousa Oliveira já havia sido descoberta em São Paulo por meio de um exame de idade óssea. Realizado em 2022, em Jundiaí, no interior paulista, o procedimento revelou que a suposta adolescente era, na realidade, uma mulher adulta.
O exame foi realizado em agosto de 2022, durante um período em que Amanda era atendida pela rede de proteção de Jundiaí após se apresentar às autoridades como uma adolescente de 12 anos. Acolhida no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ), ela resistiu à realização do procedimento e precisou ser convencida pela equipe técnica a fazer a radiografia.
O resultado do laudo, emitido poucos dias depois, apontou que a suposta adolescente possuía idade óssea compatível com 18 anos ou mais, contrariando a versão apresentada por ela. A conclusão reforçou as suspeitas dos profissionais que acompanhavam o caso e levou à interrupção do acolhimento destinado a crianças e adolescentes.
A partir da constatação técnica, a Polícia Civil aprofundou as investigações e conseguiu confirmar a verdadeira identidade de Amanda, revelando que ela tinha 34 anos na época dos fatos.
Exame repetiu investigação feita 12 anos antes
Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que aquela não era a primeira vez que Amanda era submetida a um exame para comprovar sua idade. Em 2010, quando também se apresentava como uma adolescente, autoridades do Rio Grande do Norte já haviam solicitado uma radiografia das mãos e dos punhos para verificar sua idade cronológica.
O histórico ajudou investigadores paulistas a conectar casos semelhantes registrados em outros estados e confirmar que a mulher utilizava o mesmo padrão havia mais de uma década.
Entenda o caso
- Amanda foi presa em 2 de junho, em Joinville, no norte de Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, ela se passava por uma adolescente de 12 anos chamada “Gabriele”.
- A mulher viveu por cerca de 14 meses como filha adotiva de uma família no distrito de Pirabeiraba. A investigação apontou que ela utilizava uma identidade falsa para manter a farsa.
- De acordo com os policiais, Amanda possui histórico de golpes semelhantes em outros estados brasileiros. Durante o depoimento, ela confessou o crime.
- Após a prisão, foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.
- Antes de ser descoberta em Santa Catarina, Amanda já havia aplicado o mesmo golpe em outras cidades de Santa Catarina, em São Paulo e em pelo menos outros cinco estados.
- A passagem por São Paulo começou em junho de 2022. Amanda chegou à capital paulista vinda de Belo Horizonte e procurou o Conselho Tutelar alegando ser uma adolescente vítima de abusos.
- Pouco tempo depois, porém, ela fugiu da instituição ao ser informada de que seria encaminhada para reencontrar a sua suposta família.
- Após deixar a capital, Amanda seguiu para Registro. Lá, passou a usar o nome de Vitória Karoliny e voltou a afirmar que tinha apenas 12 anos.
- Levada à delegacia para esclarecimentos, Amanda acabou admitindo que a história apresentada às autoridades era fantasiosa.
- Após deixar Registro, ela retornou à capital paulista. Em depoimento posterior à Polícia Civil, relatou que passou semanas vivendo nas ruas.
- A última parada de Amanda no estado foi Jundiaí, no interior paulista. Em agosto de 2022.
Diagnóstico levantou suspeita de síndrome rara
Entre os documentos analisados pela Polícia Civil está um relatório do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre, que aponta um provável diagnóstico de transtorno factício, conhecido como Síndrome de Munchausen. A condição é caracterizada pela criação, simulação ou provocação de sintomas físicos para assumir o papel de paciente e receber atenção e cuidados médicos.
O relatório descreve que Amanda apresentava um histórico de inserção de objetos metálicos no próprio corpo. Em diferentes ocasiões, exames identificaram agulhas, arames, pregos e parafusos espalhados por regiões como braços, pernas, abdômen, seios e genitália.
Agulhas espalhadas pelo corpo
Em Jundiaí e também em Registro, cidade do interior paulista onde também se passou por uma adolescente, exames apontaram a presença de cerca de 150 agulhas pelo corpo. Algumas estavam próximas a órgãos internos e chegaram a motivar procedimentos médicos de urgência devido ao risco de complicações graves.
Segundo os investigadores, Amanda costumava relacionar os objetos metálicos a histórias de exploração sexual, tráfico de crianças e rituais de magia negra. Posteriormente, durante depoimento, ela admitiu que as narrativas eram falsas.





