Ex-secretário faz acordo de R$ 8 mil após denúncia de assédio sexual

Funcionária da Prefeitura do Guarujá disse ter escutado comentários sobre corpo e relatou tentativa de beijo. Ex-secretário nega acusações

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Facebook
Homem com óculos escuros e sobrepeso - Metrópoles
1 de 1 Homem com óculos escuros e sobrepeso - Metrópoles - Foto: Reprodução/Facebook

Uma denúncia de assédio sexual feita por uma funcionária administrativa contra o ex-secretário de Comunicação Social do Guarujá Paulo Henrique Siqueira foi encerrada na Justiça após o pagamento de 5 salários mínimos – o equivalente hoje a R$ 8.105. O acordo foi homologado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) nessa segunda-feira (8/6).

O caso começou como uma investigação por suspeita de assédio sexual. A servidora relatou à Polícia Civil que era alvo de comentários sobre seu corpo e suas roupas depois que Paulo Henrique assumiu a chefia da pasta, em 2025.

Ex-secretário faz acordo de R$ 8 mil após denúncia de assédio sexual - destaque galeria
6 imagens
Paulo Henrique Siqueira é acusado de assédio sexual
Títular da comunicação teria constrangido secretária
Procurado pela reportagem, desejou "boa sorte"
Funcionária diz que secretário tentou beijá-la a força
Ex-secretário faz acordo de R$ 8 mil após denúncia de assédio sexual - imagem 6
Secretário de Comunicação Paulo Henrique Siqueira
1 de 6

Secretário de Comunicação Paulo Henrique Siqueira

Reprodução/Facebook
Paulo Henrique Siqueira é acusado de assédio sexual
2 de 6

Paulo Henrique Siqueira é acusado de assédio sexual

Reprodução/Facebook
Títular da comunicação teria constrangido secretária
3 de 6

Títular da comunicação teria constrangido secretária

Reprodução/Facebook
Procurado pela reportagem, desejou "boa sorte"
4 de 6

Procurado pela reportagem, desejou "boa sorte"

Reprodução/Facebook
Funcionária diz que secretário tentou beijá-la a força
5 de 6

Funcionária diz que secretário tentou beijá-la a força

Reprodução/Facebook
Ex-secretário faz acordo de R$ 8 mil após denúncia de assédio sexual - imagem 6
6 de 6

Reprodução/Facebook

Segundo a decisão do TJSP, o processo foi arquivado após o cumprimento do acordo proposto pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A Prefeitura da cidade litorânea havia instaurado uma sindicância para apurar o caso na ocasião. O Metrópoles questionou a administração municipal sobre o andamento da apuração interna. O espaço segue aberto para manifestações.

Relato da servidora

Em depoimento, a mulher afirmou que o então secretário fazia comentários constantes sobre sua aparência, exigia ser cumprimentado com beijos e, em algumas ocasiões, teria tentado beijá-la na boca no ambiente de trabalho.

Um dos episódios citados no processo envolve uma situação dentro da sala de Paulo Henrique. De acordo com o relato, ele teria coagido a servidora a “dar uma voltinha” para que pudesse observar a calça que ela usava. Em seguida, segundo a denúncia, fez comentários de cunho sexual.

Testemunhas ouvidas durante a investigação também relataram um ambiente de trabalho hostil. Uma das frases atribuídas ao ex-secretário, segundo o processo, era que a “senha” para conseguir água na secretaria seria “transar com alguém”.

Defesa nega acusações

Paulo Henrique Siqueira negou ter assediado a funcionária ou qualquer outra mulher. Em depoimento, ele afirmou que a denúncia seria resultado de um “conluio político” articulado por pessoas insatisfeitas com sua gestão à frente da Secretaria de Comunicação Social.

Ele pediu exoneração do cargo, solicitação formalizada no Diário Oficial do município de 30 de dezembro de 2025.

No decorrer do processo, o ex-secretário também citou sua vida pessoal e se apresentou como homem casado e defensor de causas femininas.

MPSP reclassificou o caso

Embora o inquérito tenha sido instaurado para apurar crime de assédio sexual, a Promotoria entendeu que as provas reunidas não eram suficientes para sustentar essa classificação.

Na avaliação do promotor Daniel Santerini Caiado, as condutas descritas foram “humilhantes e degradantes”, mas não demonstraram, de forma suficiente, a busca por uma vantagem sexual clara, requisito previsto na legislação brasileira para caracterização do crime de assédio sexual.

Por isso, o MPSP reclassificou o caso como violência psicológica, caracterizada por humilhação e intimidação sistemática. Essa classificação é considerada crime de menor potencial ofensivo, o que permite a proposta de transação penal, ou seja, no pagamento de multa.

Multa e arquivamento

Com o acordo, Paulo Henrique aceitou pagar cinco salários mínimos, totalizando R$ 8.105. A comprovação do pagamento integral foi feita no mês passado.

Após a quitação da multa, o juiz Alexandre das Neves declarou extinta a punibilidade do ex-secretário. Na prática, isso significa que o caso foi encerrado definitivamente e não resultou em condenação criminal.

O acordo também não gera registro criminal contra Paulo Henrique por esse fato. A transação penal, no entanto, impede que ele receba o mesmo benefício novamente pelos próximos cinco anos, caso eventualmente precise.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações