Mafia chinesa em SP

Compra on-line revelou esquema bilionário envolvendo chineses e PCC

Operação da Polícia Civil, da Sefaz e do MPSP mirou esquema de chineses, com participação de membro do PCC, que movimentou R$ 1,1 bilhão

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/ Polícia Civil
Imagem colorida mostra caixas de papelão marrom em galpão de venda de produtos eletrônicos - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra caixas de papelão marrom em galpão de venda de produtos eletrônicos - Metrópoles - Foto: Divulgação/ Polícia Civil

A partir da reclamação de um consumidor por duas compras on-line, a Polícia Civil de São Paulo e a Secretaria da Fazenda (Sefaz) descobriram um esquema bilionário envolvendo imigrantes chineses e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, o esquema, amparado na venda de produtos eletrônicos e afins para todo o Brasil, consiste na fraude de notas fiscais para driblar as cobranças de impostos e o fisco.

Um vídeo feito pela Polícia Civil mostra um dos galpões usados pela quadrilha, localizado na região central de São Paulo. Veja:

A quadrilha, composta por 14 CNPJs e 18 pessoas físicas, movimentou quase R$ 1,1 bilhão de reais em apenas sete meses de monitoramento. A polícia não calculou, até o momento, qual o dano aos cofres públicos

Compra on-line revelou esquema bilionário

O esquema criminoso chegou ao radar da polícia em setembro do ano passado, quando um consumidor procurou a 3ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) para denunciar um estelionato.

Segundo o depoimento do homem à polícia, no mês anterior ele havia comprado na plataforma chinesa de vendas on-line Knup cem carregadores de celular via USB para moto com fixação no guidão. O valor total ficou em R$ 780 e, uma vez escolhida a mercadoria, ele passou a negociar via WhatsApp diretamente com uma vendedora identificada como Daniela.

A mulher informou que o pagamento deveria ser feito via Pix na conta jurídica Vanucchi Comercialização de Produtos Importados e Nacional. Ela disse ainda que “não trabalhava com nota fiscal cheia, apenas com nota fiscal baixa”.

Após o pagamento, ele recebeu uma nota com o valor total de R$ 219,04 (28% do real valor da compra). Com a confirmação do pedido, a mulher orientou o consumidor a comparecer a um galpão localizado na avenida Ariston Azevedo, no Brás, região central de São Paulo. Lá, ele recebeu uma caixa com o pedido e constatou que estava incompleto, faltando quatro carregadores.

Apesar disso, em 1º de setembro, o homem voltou a comprar na Knup. Ele adquiriu 40 balanças digitais pelo valor de R$ 560, novamente negociando com Daniela. Ela indicou a conta da empresa Vanucchi para pagamento, informando mais uma vez que a nota fiscal seria emitida com um valor menor – desta vez, de R$ 324,66 (somente 58% do valor real da compra).

Quando recebeu a nota, o homem verificou que ela não havia sido emitida pela Knup, mas por outra empresa chinesa: a Hao Brasil Comércio de Eletrônicos. Mais uma vez ele foi direcionado ao galpão no Brás para retirar a mercadoria. Novamente, a entrega não foi completa, e faltaram oito unidades no pedido.

Se sentindo enganado e alvo de fraude, o homem procurou o Deic e entrou com uma representação criminal contra as pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas no esquema.

Esquema bilionário entre chineses e PCC

Segundo a investigação, o esquema consiste na comercialização de eletrônicos e outros produtos similares por meio de plataformas de e-commerce chinesas para todo o país. Os produtos, inicialmente, têm origem lícita.

A ilicitude do caso está na emissão de notas fiscais frias, com valores abaixo daqueles recebidos pela comercialização. O dinheiro, além de cair em contas de empresas de fachada, sem sede comercial, era pulverizado entre contas de laranjas e terceiros.

A polícia, em parceria com a Sefaz e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), calcula que o esquema movimentou mais de 1 bilhão e 72 milhões de reais em aproximadamente sete meses.

A investigação não sabe apontar ainda há quanto tempo o grupo opera no Brasil, mas sabe-se que a Hao, uma das empresas usadas no esquema, está no país há 20 anos.

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Sebastião Roberto da Silva, conhecido como Joe e apontado pelas autoridades como membro do PCC
Daniela Aparecida Valdi, apontada pela polícia como coordenadora do esquema bilionário envolvendo chineses e o PCC
Fachada da Knup, empresa envolvida no esquema bilionário
Empresário chinês Yifeng Jang, dono da Hao e suposto líder do esquema bilionário envolvendo o PCC
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Empresário chinês Yifeng Jang, dono da Hao e suposto líder do esquema bilionário envolvendo o PCC

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Sebastião Roberto da Silva, conhecido como Joe e apontado pelas autoridades como membro do PCC
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Sebastião Roberto da Silva, conhecido como Joe e apontado pelas autoridades como membro do PCC

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Daniela Aparecida Valdi, apontada pela polícia como coordenadora do esquema bilionário envolvendo chineses e o PCC
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Daniela Aparecida Valdi, apontada pela polícia como coordenadora do esquema bilionário envolvendo chineses e o PCC

Reprodução/WhatsApp e Polícia Civil
Fachada da Knup, empresa envolvida no esquema bilionário
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Fachada da Knup, empresa envolvida no esquema bilionário

Reprodução/Polícia Civil

Operação mira 3 alvos de prisão

Também não há, até o momento, o número de indivíduos envolvidos na estrutura criminosa. Sabe-se, apenas, que a maior parte tem origem na China.

Uma operação deflagrada pelo Deic, pela Sefaz e pelo MPSP nesta quinta-feira (12/2) buscou cumprir 20 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão em cidades de São Paulo e Santa Catarina. Quatro carros de luxo foram apreendidos: dois Volvos, um Dodge Ram e um BYD.

Entre os presos desta quinta está um dos sócios da Vanucchi, identificado como Sebastião Roberto da Silva e conhecido como Joe. Com uma extensa ficha criminal, ele é apontado pelas autoridades como membro do PCC.

O homem também aparece na investigação como sócio da Megarts Importação e Comércio, outra empresa envolvida no esquema. Para a polícia, Joe é um laranja do esquema. Aos policiais, o suposto faccionado teria informado que recebe R$ 20 mil pela abertura de cada CNPJ em seu nome, e entre R$ 2 mil e R$ 3 mil mensais para manter as empresas.

A segunda pessoa presa é Daniela Aparecida Valdi, que usava o nome verdadeiro para negociar as vendas, emitir as notas fiscais e combinar a retirada dos produtos no galpão no Brás.

Segundo o organograma elaborado pela Polícia Civil, a mulher é a coordenadora da estrutura, e assume posição importante dentro da engrenagem criminosa. Ela foi detida em Assis, no interior de São Paulo.

O terceiro alvo de prisão é o empresário chinês Yifeng Jang, dono da Hao. Conforme apurou o Metrópoles, ele é o líder do esquema e escapou da operação desta quinta-feira porque retornou há um tempo para a China.

A reportagem apurou ainda que Daniela e Jang não possuem antecedentes criminais. Joe, por sua vez, tem passagens por tráfico de drogas, roubo, lesão corporal e é alvo de medida protetiva concedida no âmbito da Lei Maria da Penha.

O que confirma para a polícia que o homem é faccionado é que, sempre que esteve no sistema prisional, Joe ficou detido em unidades ligadas ao PCC. Ele é, até o momento, o único integrante da facção com envolvimento confirmado no esquema.

Mesmo com quatro imóveis de luxo e duas empresas valendo R$ 1,3 milhão em seu nome, o suspeito foi detido, nesta quinta-feira, em uma favela de Perus, na zona norte de São Paulo. Os indícios fortalecem a tese de que o homem é laranja do esquema.

Para a polícia, no entanto, ainda não está claro se o PCC se aproveita da estrutura idealizada pela quadrilha chinesa para a lavagem de capitais, ou se os imigrantes asiáticos que utilizam da facção para movimentar quantias volumosas de dinheiro.

O Metrópoles não localizou a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestação. O espaço segue aberto para manifestação.

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