Escolas de SP incluem café com leite na merenda para alunos de 4 anos
Oferta de café para crianças pequenas é contra-indicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, mas está na merenda de escolas municipais
atualizado
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As escolas da rede municipal de São Paulo têm oferecido café para as crianças pequenas. A bebida misturada ao leite aparece nos cardápios das merendas das unidades de ensino infantil, que atendem crianças a partir de 4 anos.
A oferta de café para menores de 12 anos, no entanto, é contra-indicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria. A informação foi publicada inicialmente pelo portal O Joio e o Trigo e confirmada pelo Metrópoles.
A Prefeitura afirma que a preparação de café com leite nas escolas da rede é feita com 1,5 g de café solúvel, equivalente a aproximadamente 0,39 mg de cafeína, e é ofertada de forma intercalada com outras, como leite integral com chocolate ou suco de frutas.
Apesar da quantidade aparentemente baixa de café no preparo, a médica Fabíola Suano, presidente do departamento científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, diz que crianças com idade menor de 12 anos não deveriam ingerir cafeína.
“A questão não é só o café. É a cafeína, que é um estimulante do sistema nervoso central.” A especialista diz que a substância pode prejudicar o sono das crianças e atrapalha a absorção de alguns nutrientes.
No passado, a ingestão de café por crianças era um hábito comum e aparecia, inclusive, em propagandas televisivas. Uma peça publicitária do Café Seleto nos anos 1970, por exemplo, trazia o desenho de uma criança cantando que bebia o café que a “mamãe prepara com todo carinho.”
“Não é que o que estava no passado estava errado. Não se sabia dos efeitos adversos”, diz Fabíola, explicando que atualmente há uma série de recomendações internacionais e nacionais contra a presença da bebida na dieta de crianças pequenas.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) diz que o cardápio das escolas é fundamentado em legislações nacionais, e em normativas do Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e do Ministério da Saúde, com destaque para os Guias Alimentares para a População Brasileira.
“A SME reforça que, por fazer parte da cultura alimentar do país e, especialmente, da região Sudeste, o leite com café sempre fez parte da alimentação escolar e nos últimos anos, a quantidade e incidência da preparação tem sido ajustada, de modo a garantir uma oferta adequada de leite, o que é a principal intenção”, diz a pasta.
Fabíola, no entanto, destaca que o café é “completamente substituível” para crianças pequenas: “A indicação é para dar sabor ao leite? Você pode bater com fruta”, afirma.
Ela alega que mesmo para maiores de 12 anos, a ingestão de cafeína deve ser controlada. Para adolescentes, o ideal é que se consuma até 100 mg de cafeína por dia, o equivalente a uma xícara pequena de café.
“O café não é um vilão, é uma questão do momento em que ele é oferecido, frente à quantidade de cafeína que ele tem. É uma bebida que está no dia a dia da população, ela pode ser consumida. Quando a gente fala de não ser seguro por ser um estimulante do sistema nervoso central é porque o cérebro e o corpinho da criança estão em crescimento e desenvolvimento”, diz Fabíola.
A especialista alerta, ainda, para a presença de cafeína em outras bebidas, como refrigerantes à base de cola, e energéticos.
“Um energético pode ter muito mais cafeína que uma xícara de café”, diz Fabíola, afirmando que pais devem se atentar para o consumo dessas bebidas pelos filhos adolescentes.
Para adultos, a dose máxima diária recomendada de cafeína é de 400mg por dia, de acordo com a especialista – o equivalente a 3 ou 4 xícaras de café coado.
