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Eleições 2026São Paulo

Erika Hilton disputa fundo com Manuela d'Ávila: "Acabou de chegar"

A deputada federal criticou a direção nacional do PSol por não cumprir acordos e "privilegiar candidaturas de pessoas cis e brancas"

23/06/2026 16:55, atualizado 23/06/2026 17:31
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Luis Nova/Especial Metrópoles
Erika Hilton - Metrópoles

A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) publicou via redes sociais, nesta terça-feira (23/6), críticas à direção nacional do próprio partido. A parlamentar questionou os critérios adotados para a distribuição de recursos da sigla entre os pré-candidatos. Nesta eleição, o PSol vai receber R$ 131 milhões do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas por todo o país.

No post, divulgado na rede social X (antigo Twitter), ela afirmou que a ex-deputada Manuela D’Ávila, “que acabou de chegar ao partido” e é atualmente pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão de receber mais que o dobro do que ela.

Erika também disse que o presidente da federação PSol-Rede, Juliano Medeiros, na primeira candidatura, teria prioridade equivalente à dela na divisão de verba.

“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSol”, declarou Erika.

Na publicação, Erika também destacou que a presidência do PSol não estaria cumprindo acordo firmado com a corrente interna Revolução Solidária, da qual ela faz parte, assim como Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A parlamentar enfatizou que decidiu não migrar para o PT para ajudar o PSol a superar a cláusula de barreira — regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restringe o acesso a direitos, como verba e tempo de TV para partidos, conforme percentual de deputados eleitos.

“Nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSol precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, escreveu Erika.

A deputada federal também disse que “fazer campanha no nosso país não é igual para todos”. “Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar, com o risco de inviabilizar nossa pré-candidatura à reeleição, rebaixar o máximo potencial dos nossos votos… e colocar em risco nossa integridade física”, lamentou.

A parlamentar citou outros nomes da sigla, como os deputados estaduais Renata Souza (RJ) e Carlos Giannazi (SP), e o vereador Rick Azevedo (RJ), que, segundo Erika, também estariam com dificuldades no PSol.


O que diz o PSol

Procurado pelo Metrópoles, o PSol argumentou, em nota, que a distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com objetivos de “derrotar a extrema-direita nas eleições de outubro, ampliando sua bancada de deputados federais e estaduais, conquistando cadeiras no Senado e reelegendo Lula presidente da República”.

“O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSol é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido”, afirmou o texto do partido. “A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto.”

Assinado pela direção nacional do PSol, o comunicado apontou que a campanha de Erika Hilton tem o maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, “diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais em todas as Unidades da Federação”.

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