Empresário que cortou doações por política recebeu auxílio emergencial
Empresário diz ter carros importados, viajou para Dubai, classificou 8h de trabalho como "meio período" e recebeu R$ 2.400 de auxílio

São Paulo — Um empresário do interior paulista disse que não irá oferecer cestas básicas e doações porque “está cansado” de ajudar quem prefere “viver dos auxílios do governo”. Entretanto, o empreendedor recebeu auxílio emergencial da pandemia de Covid-19 no valor total de R$ 2.400, quando supostamente a empresa já existia.
Adriano Reis é dono de uma rede de sorveteria que possui 118 franquias pelo Brasil. Ao abrir cada loja, o franqueado paga R$ 4.970 no licenciamento da marca. O valor do royalties é fixo em R$ 199,00 mensais durante todas a vigência do contrato, sendo reajustado somente na renovação da parceria. No início do ano, o empresário publicou nas redes sociais ter adquirido o segundo carro da marca BMW, posando ao lado da família em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Em 2020, ele recebeu quatro parcelas de auxílio emergencial no valor de R$ 600, resultando no montante de R$ 2.400. Os valores foram depositados entre julho e outubro.
As regras previam que o beneficiário deveria ter renda per capita de meio salário mínimo (R$ 522,50, na época) e não ter emprego formal ativo. No perfil da empresa de sorvetes consta duas informações: a rede foi criada em 2014 e cada loja franqueada deve faturar entre R$ 30 e 45 mil por mês. Em contratos de franquis é estipulado que a sucusal da marca pague para a matriz um valor referente pelos direitos de imagem e criação do produto.
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Ver todasSegundo dados da Receita Federal, em 2020, o empresário não tinha nenhuma empresa cadastrada, nem mesmo a rede de sorveteria que já existia como revela o Instagram da empresa.
O Metrópoles entrou em contato com o empresário para obter respostas sobre as inconsistências, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Entenda a polêmica sobre doações
Uma sorveteria do interior do estado publicou nas redes sociais comunicado de que não irá mais oferecer cestas básicas e doações porque “está cansada” de ajudar quem prefere “viver dos auxílios do governo”. A publicação foi feita nesta segunda-feira (26/10), por volta das 16h, um dia após a eleição presidencial no país.
No texto, o estabelecimento informa que contribuiu com ações sociais, como doações de cestas básicas, agasalhos e brinquedos aos “necessitados”. Mas a empresa decidiu abandonar os projetos e culpa os próprios beneficiados, que, supostamente, não querem ser ajudados. “Estamos cansados de ajudar”.
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A equipe pede desculpas às ONGs e demais projetos que recebiam as doações pela decisão tomada. Ao final, alegou ter certeza da compreensão do público. Mas, recebeu uma enxurrada de críticas nos comentários.
Questionado, o empresário Adriano Reis, dono da sorveteria, negou ao Metrópoles ter tomado a decisão por motivação política. Porém, gravou vídeo ofendendo o eleitorado que votou pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu só decidi suspender definitivamente todas as ações sociais que eu fazia como pessoa física ou através dos meus negócios. Uma decisão pessoal. Não tenho mais interesse em fazer ações sociais.”

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Ver todasNo entanto, a postagem publicada das redes sociais aponta para uma divergência. O principal motivo para desistir das caridades seria as pessoas que “não querem ser ajudados e preferem viver dos auxílios do governo.”
Cerca de 40 minutos depois do contato com a reportagem, o empresário publicou um vídeo afirmando que “os eleitores do Lula estão bravinhos” pela decisão de encerrar a caridade.
“Sabe por que que estão revoltados? Porque eu suspendi todas as ações sociais aqui da empresa e eles acharam ruim. Ué, mas o Lula não tirou vocês da pobreza? Por que que vocês estão precisando de cesta básica nossa aqui?”, expõe. “Eu sou obrigado agora a fazer ação social? Respeitem a minha opinião.”
Adriano Reis também chamou o eleitorado de Lula de “anti-democrático” por criticar a decisão de não fazer mais doações.
Assista o vídeo:
