Eduardo é atacado por bolsonaristas após apoio a “pupilo de Valdemar”
Eduardo Bolsonaro virou alvo de críticas de apoiadores e entrou em confronto com Ricardo Salles após apoiar André do Prado ao Senado em SP
atualizado
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O apoio de Eduardo Bolsonaro (PL) à candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), ao Senado, tem gerado uma onda de críticas de bolsonaristas nas redes sociais.
Eduardo anunciou nesta semana que apoiará o “pupilo” do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na corrida, após uma articulação que envolveu diretamente o cacique e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nas últimas semanas, André do Prado chegou a viajar três vezes aos Estados Unidos — duas delas na companhia de Valdemar — para tratar do assunto com Eduardo, que até então vinha defendendo nomes mais alinhados ao “bolsonarismo raiz”.
Entre esses nomes estavam o deputado federal Mário Frias (PL) e o do vice-prefeito da capital, Mello Araújo (PL), que contava com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nas conversas, ficou acordado que o “filho 02” de Bolsonaro será o primeiro suplente na chapa de Prado.
A decisão gerou reação de apoiadores de Eduardo, que, nas redes sociais, passaram a acusar o ex-deputado de ter se “vendido ao Centrão”. Em resposta às críticas, o ex-deputado publicou um vídeo em seu perfil para justificar a escolha por André do Prado. Segundo ele, a indicação do “pupilo de Valdemar” ajudará na campanha presidencial do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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“O André do Prado tem uma excelente relação com centenas de prefeitos em São Paulo. Isso daí vai servir de base para o Flávio Bolsonaro. Vai servir de base também para vários outros candidatos do nosso partido e alinhados conosco”, disse Eduardo.
Nos comentários do vídeo, há uma série de críticas de apoiadores. “O povo de São Paulo quer candidatos realmente de direita e não um sabor direita misturado com Centrão”, disse um seguidor. “Chega de candidato do sistema que faz acordo com PT”, disse outro usuário.
Nas reações, também há diversas mensagens de apoio ao deputado e ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles (Novo), que também é pré-candidato ao Senado em São Paulo.
Salles, inclusive, tem promovido uma série de ataques a André do Prado, a quem se refere de “Valdemarzinho”. O ex-ministro argumenta que os “verdadeiros” candidatos da direita são ele e o deputado federal Guilherme Derrite (PP).
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Diante do racha, Salles e Eduardo têm trocado farpas nas redes sociais. “O Ricardo Salles, ele é incontrolável. Ele queima a largada”, disse Eduardo em um dos vídeos.
“Eduardo, eu não sou incontrolável, nem queimei a largada. É que eu não me vendo para o Centrão, não negocio com gente corrupta, fisiológica, não quero conversa com essa gente. O centrão é pior que a esquerda, porque se finge de direita quando convém e depois vota com a esquerda quando convém, toma dinheiro, verba, emenda de todo mundo”, respondeu Salles.
“Se o projeto fosse ‘eu acima de tudo’, eu faria igual ao Salles: ficaria quieto e na hora da candidatura ao Senado sairia da toca como salvador da pátria. Mas o meu projeto é maior: lutar pela liberdade dos perseguidos políticos. E isso passa por eleger Flávio Bolsonaro presidente. Foi isso, principalmente, que me motivou a escolher André do Prado”, escreveu Eduardo em uma das postagens.
Acenos de André do Prado
- Para diminuir a artilharia contra si, André do Prado tem feito diversos acenos ao bolsonarismo, com postagens ao lado Flávio Bolsonaro (PL) e vídeos editados em que ele aparece junto com Bolsonaro em agendas no passado.
- Em um dos comentários, André do Prado foi cobrado por um seguidor se, uma vez eleito, ele apoiaria a abertura de processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principal agenda bolsonarista na tentativa de conquistar maioria no Senado a partir de 2027.
- “Sim, com certeza sou favorável. Voto com o partido, com responsabilidade e sempre pensando no que é melhor para o Brasil”, respondeu o presidente da Alesp.
- Em um dos encontros com Eduardo nos Estados Unidos, ambos gravaram um vídeo em que o ex-deputado anuncia a pré-candidatura do presidente da Alesp, publicado dias depois pelo ex-deputado.
- A articulação foi feita com discrição, justamente para evitar o desgaste com os bolsonaristas e passar a mensagem que a definição pelo seu nome foi uma decisão feita em conjunto com Eduardo, e não uma manobra arquitetada por Tarcísio e Valdemar.
Tentativa de acordo
Nos bastidores, o grupo político de Tarcísio ainda deve buscar Salles para tentar convencê-lo a desistir da candidatura. O objetivo é evitar uma pulverização do voto bolsonarista, o que, na avaliação dos partidos da coligação, poderia dar as duas cadeiras em disputa para esquerda, que tem acenado com uma chapa mais “centrista” para o Senado. Os ex-ministros Marina Silva (Rede), Márcio França (PSB) e Simone Tebet (PSB) são os mais cotados para as vagas.
“A gente vai conversar com os partidos a respeito dessas pré-candidaturas. Vamos ver se a gente consegue ao máximo a convergência até o período das convenções”, disse Tarcísio ao ser questionado sobre o assunto na última terça-feira (7/5).
Já Ricardo Salles nega que tenha sido procurado e afirma que sua pré-candidatura está mantida. No vídeo em que rebate as falas de Eduardo, o deputado chega a fazer um “desafio”.
“Se você acha realmente isso, que eu, como candidato ideológico, disputo o voto na direita e vou atrapalhar, se for um candidato de direita realmente, coisa que o pupilo do Valdemar não é, eu faço uma proposta. Vocês retiram a candidatura do André do Prado, colocam o Mello Araújo. Se vocês colocarem o Mello Araújo, que realmente é de direita, eu abro mão da minha candidatura e apoio o Melo Araújo. Vamos ver se realmente vocês querem prestigiar a direita ou se é jogada do Valdemar”, disparou.
