Diretores da Fast Shop firmam acordo e pagam R$ 100 milhões em multa

Ministério Público de São Paulo (MPSP) e diretores da Fast Shop fecharam acordo de não persecução penal após fraudarem ressarcimento de ICMS

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação
Foto colorida de uma loja da Fast Shop
1 de 1 Foto colorida de uma loja da Fast Shop - Foto: Divulgação

O fundador da Fast Shop, Milton Kakumoto, seu sócio e familiar Julio Kakumoto, e o diretor estatutário da empresa Mário Otávio Gomes, firmaram acordo de não persecução penal com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta sexta-feira (29/8). Somadas, as multas estipuladas para os três executivos chegam a R$ 100 milhões, além do valor das restituições do esquema fraudulento.

Milton deverá pagar R$ 55 milhões; Julio, R$ 30 milhões, e Gomes, R$ 15 milhões. Ainda conforme o acordo, os executivos irão delatar seis auditores da Receita Estadual envolvidos no caso.

Segundo a investigação, Julio Kakumoto assinou um contrato da Fast Shop com a Smart Tax, empresa registrada no nome da mãe de Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal suspeito de receber propina para adiantar os repasses de créditos de ICMS e inflar os valores.

Representando a Fast Shop, Gomes foi o responsável por pagar, em um ano, mais de R$ 60 milhões de propina para Silva Neto. O diretor estatutário tinha reuniões diretas com o auditor fiscal, acompanhava de perto o processo de ressarcimento do tributo e também assinou o contrato fraudulento de prestação de serviço de assessoria tributária com a Smart Tax para justificar o repasse de propina para Artur.

Com o ressarcimento de ICMS inflado e recebido de forma bem mais célere, a Fast Shop podia revender esses créditos a outras empresas. Segundo a investigação, isso ocorreu diversas vezes a partir de meados de 2021.


Entenda o esquema

  • Auditores fiscais são suspeitos de receber cerca de R$ 1 bilhão de propina para prestar “assessoria contábil criminosa” a varejistas.
  • As empresas recebiam vantagens no ressarcimento do ICMS – medida prevista em lei para devolver valores pagos a mais em produtos que acabaram sendo vendidos por menor valor.
  • O principal operador do esquema foi diretor do setor de “Rede e Comércio Varejista” na Diretoria de Fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
  • Com auxílio de “comparsas”, o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto adiantava os créditos de ICMS e auferia um valor inflado para empresas em troca de propina.
  • Com o ressarcimento facilitado, as empresas revendiam os créditos de ICMS para outras companhias.
  • Em 12/8, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Ícaro, que prendeu dois auditores da Receita Federal e empresários.
  • Preso, Artur pediu demissão da Receita Federal e foi exonerado. Outros sete servidores foram afastados, incluindo Marcelo de Almeida Gouveia, que está detido em Tremembé.
  • É o caso de Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, que já foram soltos.

Acordo com fiscal

Representado pelo advogado Paulo Amador da Cunha Bueno, que também defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto segue preso desde 12 de agosto, dia em que a Operação Ícaro, que revelou o esquema, foi deflagrada.

Cunha Bueno já admitiu que não descarta a delação. O Metrópoles apurou que as tratativas para um acordo seguem em andamento. Há expectativa de que o auditor possa apontar outros participantes do esquema, além de ajudar a encontrar valores ocultados em paraísos fiscais e em criptomoedas.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?