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São Paulo

Digimais: auditoria apontou risco de rombo em transação de R$ 741 milhões

Digimais vendeu à própria controladora fundo por valor 10 vezes maior do que pagou para inflar patrimônio artificialmente, diz investigação

24/06/2026 02:30
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Reprodução
Imagem colorida mostra Banco Digimais e Edir Macedo. Metrópoles

Uma auditoria independente apontou, antes da operação da Polícia Federal deflagrada nessa terça-feira (23/6), o risco de rombo em uma operação envolvendo uma transação de R$ 741 milhões entre o Banco Digimais e a empresa que controla a instituição.

Durante a operação desta terça, policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Digimais. O dono do banco, bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos investigados.

Os riscos envolvendo o banco, porém, já eram visíveis por meio da auditoria publicada junto com o balanço da controladora do banco, a B.A. Empreendimentos e Participações S.A. A empresa viu seus ativos passarem de R$ 785 milhões, em 2024, para cerca R$ 1,8 bilhão, em 2025, majoritariamente graças a uma operação suspeita, realizada no apagar das luzes de 2025.

A controladora comprou do Digimais R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon FIDC-NP. Em sua análise, os auditores afirmam que a compra do fundo “não reflete condições usuais de mercado”, pois não possui remuneração condizente e o pagamento depende de aportes dos próprios controladores. Na prática, isso indicaria que os ativos da empresa teriam sido inflados artificialmente.

O posicionamento dos auditores é corroborado pela apuração da PF à qual o Metrópoles teve acesso, uma vez que a investigação aponta que as mesmas cotas haviam custado apenas R$ 71 milhões ao Digimais. O ativo está relacionado a créditos referentes a um processo judicial de 1967 contra a União sobre direitos da estatização da antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (atual Vale S.A.).

Drible ao BC

A operação teria servido para burlar uma determinação do Banco Central, que havia ordenado que o banco revertesse a valorização artificial desses ativos. Com a venda para a controladora, o banco manteve o valor fictício em seu balanço sob a rubrica de “valores a receber do controlador”.

A controladora possui R$ 821 milhões em participações no Digimais. No entanto, a auditoria já apontava incerteza quanto à continuidade operacional do banco. Segundo o documento, de R$ 4 bilhões em fundos, a instituição tinha R$ 3 bilhões não auditados.

Para a PF, o banco utilizava uma estrutura capaz de inflar artificialmente ativos e fabricar receitas contábeis para esconder a real situação financeira da instituição. Segundo a corporação, as manobras permitiriam apresentar uma aparência de solvência aos órgãos reguladores e ao mercado, mascarando problemas econômicos e financeiros.

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