Digimais: auditoria apontou risco de rombo em transação de R$ 741 milhões
Digimais vendeu à própria controladora fundo por valor 10 vezes maior do que pagou para inflar patrimônio artificialmente, diz investigação

Uma auditoria independente apontou, antes da operação da Polícia Federal deflagrada nessa terça-feira (23/6), o risco de rombo em uma operação envolvendo uma transação de R$ 741 milhões entre o Banco Digimais e a empresa que controla a instituição.
Durante a operação desta terça, policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Digimais. O dono do banco, bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos investigados.
Os riscos envolvendo o banco, porém, já eram visíveis por meio da auditoria publicada junto com o balanço da controladora do banco, a B.A. Empreendimentos e Participações S.A. A empresa viu seus ativos passarem de R$ 785 milhões, em 2024, para cerca R$ 1,8 bilhão, em 2025, majoritariamente graças a uma operação suspeita, realizada no apagar das luzes de 2025.

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Ver todasA controladora comprou do Digimais R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon FIDC-NP. Em sua análise, os auditores afirmam que a compra do fundo “não reflete condições usuais de mercado”, pois não possui remuneração condizente, e o pagamento depende de aportes dos próprios controladores. Na prática, isso indicaria que os ativos da empresa teriam sido inflados artificialmente.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO posicionamento dos auditores é corroborado pela apuração da PF à qual o Metrópoles teve acesso, uma vez que a investigação aponta que as mesmas cotas haviam custado apenas R$ 71 milhões ao Digimais. O ativo está relacionado a créditos referentes a um processo judicial de 1967 contra a União sobre direitos da estatização da antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (atual Vale S.A.).
Drible ao BC
A operação teria servido para burlar uma determinação do Banco Central, que havia ordenado que o banco revertesse a valorização artificial desses ativos. Com a venda para a controladora, o banco manteve o valor fictício em seu balanço sob a rubrica de “valores a receber do controlador”.
A controladora possui R$ 821 milhões em participações no Digimais. No entanto, a auditoria já apontava incerteza quanto à continuidade operacional do banco. Segundo o documento, de R$ 4 bilhões em fundos, a instituição tinha R$ 3 bilhões não auditados.
Para a PF, o banco utilizava uma estrutura capaz de inflar artificialmente ativos e fabricar receitas contábeis para esconder a real situação financeira da instituição. Segundo a corporação, as manobras permitiriam apresentar uma aparência de solvência aos órgãos reguladores e ao mercado, mascarando problemas econômicos e financeiros.



