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Mirelle Pinheiro

Digimais de Edir Macedo inflava ativos e fabricava receitas, diz PF

As suspeitas são apuradas no âmbito da Operação Miragem, deflagrada na manhã desta terça-feira (23/6)

23/06/2026 11:16, atualizado 23/06/2026 11:37
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Divulgação
Edir macedo

A Polícia Federal (PF) suspeita de que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, utilizava uma estrutura capaz de inflar artificialmente ativos e fabricar receitas contábeis para esconder a real situação financeira da instituição. Segundo a corporação, as manobras permitiriam apresentar uma aparência de solvência aos órgãos reguladores e ao mercado, mascarando problemas econômicos e financeiros.

As suspeitas são apuradas no âmbito da Operação Miragem, deflagrada na manhã desta terça-feira (23/6). Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo contra dez empresas e oito pessoas físicas. A decisão também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 18 investigados e o bloqueio e sequestro de bens que podem alcançar R$ 670.348.945,70.

De acordo com a investigação, relatórios produzidos pelo Banco Central apontaram graves irregularidades na condução dos negócios da instituição. As análises indicaram que administradores do banco teriam recorrido à manipulação sistemática dos balanços e resultados contábeis para ocultar a verdadeira situação econômico-financeira do Digimais.

Segundo a PF, a suposta maquiagem contábil permitia supervalorizar ativos e gerar receitas artificiais que alcançariam centenas de milhões de reais. O objetivo seria transmitir aos órgãos de fiscalização uma imagem de estabilidade patrimonial incompatível com a realidade.

As apurações também identificaram operações financeiras consideradas suspeitas em benefício da empresa controladora do banco. Outro ponto investigado é a possível inserção de informações falsas em sistemas oficiais do Banco Central. Para os investigadores, algumas das práticas adotadas pela instituição são semelhantes às verificadas em outros casos envolvendo instituições financeiras em crise.

Entre os alvos dos mandados de busca estão Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos, Rodrigo Ruggero, João Luiz Urbaneja, Thiago Rodrigues Urbaneja, José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano. Também foram alvo das medidas o Banco Digimais S.A. e a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do Digimais, figura entre os investigados, mas não foi alvo de busca e apreensão. Segundo a representação da Polícia Federal, o líder religioso reside no exterior. Ainda assim, a Justiça autorizou o bloqueio de seus bens e a quebra de seus sigilos fiscal e bancário.

Fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), ainda sob o nome Banco Renner, o Digimais passou por uma transformação digital a partir de 2018 e, em 2020, passou a operar sob a atual marca. Naquele mesmo ano, Edir Macedo assumiu o controle integral da instituição. Atualmente, o banco tem forte atuação no segmento de crédito e financiamento de veículos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A coluna procurou Edir Macedo, o Banco Digimais, a ID Corretora e os demais alvos da operação, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.