Ex-servidor do Detran com R$ 170 mil em casa é condenado por corrupção
Ex-funcionário do Detran participava de esquema que envolvia pagamento de propina para facilitar tramitação de documentos de veículos

Um oficial administrativo que atuava no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) foi condenado por corrupção após participar de um esquema que envolvia o recebimento de propina para facilitar trâmites de documentação de veículos.
O homem atuava em Saltinho, no interior de São Paulo. Ele perdeu o cargo público e foi condenado a dois anos e oito meses de prisão. Outros três indivíduos ligados a um escritório de despachantes envolvido no esquema também foram condenados. A Justiça converteu a prisão em prestação de serviços à comunidade e pagamento de cinco salários mínimos.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o servidor usava o acesso aos sistemas do Detran para facilitar a tramitação dos documentos em troca de pagamentos feitos por um escritório da região de Campinas.

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Ver todasEntre janeiro de 2022 e janeiro de 2023, ele recebeu R$ 168.250 para realizar autorizações e registros que deveriam passar por conferência regular.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO esquema foi descoberto após uma auditoria interna do Detran identificar movimentações incompatíveis com a demanda do município, que tem pouco mais de 8 mil habitantes. Em um único dia, o servidor chegou a realizar mais de 700 transações no sistema.
Trocas de mensagens entre os envolvidos indicaram que eles utilizavam códigos como “peixe”, “onça” e “chocolate” para se referir aos pagamentos.
R$ 170 mil sem explicações
- Em janeiro de 2023, o servidor foi alvo de uma operação do Departamento de Investigações Criminais (Deic).
- Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do homem e encontraram cerca de R$ 170 mil.
- O servidor não soube explicar a origem do dinheiro.
- Na ocasião, a polícia também apreendeu documentos, pendrive, notebooks e celulares, que ajudaram nas investigações.
O que diz o Detran-SP
O Detran informou, em nota ao Metrópoles, que o caso envolvendo o ex-servidor foi identificado em uma auditoria interna em janeiro de 2023. Na ocasião, a Polícia Civil e a Controladoria-Geral do Estado foram acionadas. Além disso, um processo disciplinar interno culminou, em abril de 2024, com a demissão do funcionário.
O órgão disse, ainda, que “vem fortalecendo de forma contínua sua estrutura de integridade e controle institucional”. “Em janeiro de 2025 (…), foi criada a Diretoria de Controle e Integridade, área técnica e independente responsável por auditoria, correição, gestão de riscos, integridade, transparência e acesso à informação”, disse o Detran.
“A nova diretoria consolida uma atuação estruturada e permanente de prevenção e combate a práticas ilícitas, com foco no aprimoramento dos mecanismos de controle interno, segurança da informação e governança de processos”, acrescentou o órgão.


