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São Paulo

Desenho de orixá: associação e PSol pedem investigação de PMs

Pedido foi protocolado após o Metrópoles divulgar imagens das câmeras corporais do caso envolvendo o desenho de uma orixá em uma escola

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Reprodução redes sociais
Desenho de orixá: associação e PSol pedem investigação de PMs

A Associação Movimento Brasil Laico pediu ao Ministério Público de São Paulo a investigação dos policiais militares (PMs) que entraram na Emei Antônio Bento, no Butantã, zona oeste de São Paulo, após um pai acionar a corporação por causa de um desenho da orixá Iansã feito pela filha, de 4 anos. A representação foi protocolada nesta terça-feira (23/6), após o Metrópoles divulgar imagens das câmeras corporais da ocorrência.

Segundo a associação, as gravações reforçam indícios de intolerância religiosa, abuso de autoridade e constrangimento contra educadoras da escola. As imagens mostram momentos em que policiais questionam a atividade pedagógica desenvolvida pela escola e discutem com a direção da unidade após serem acionados pelo pai da aluna. Veja as imagens:

“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, disse o tenente, ao discutir com a diretora naquele dia.

 O caso aconteceu em novembro de 2025, quando a menina participou de uma atividade baseada no livro infantil “Ciranda em Aruanda”, que integra o acervo oficial da rede municipal de ensino. Após a leitura da obra, os alunos produziram desenhos inspirados nos personagens apresentados na história. A menina desenhou a orixá Iansã, figura ligada às religiões de matriz africana.

Desenho de orixá: associação e PSol pedem investigação de PMs - destaque galeria
3 imagens
Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia

Material cedido ao Metrópoles
Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"

Material cedido ao Metrópoles
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana

Material cedido ao Metrópoles

Na representação, o Movimento Brasil Laico afirma que as imagens divulgadas recentemente representam um “fato novo” no caso por registrarem, segundo a entidade, a conduta dos agentes durante a abordagem na escola.  O documento foi encaminhado ao Ministério Público e cita reportagens do Metrópoles e as imagens das câmeras corporais como parte dos elementos utilizados para fundamentar o pedido.

A Bancada Feminista do PSOL também apresentou representações à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público de São Paulo pedindo a apuração da atuação dos policiais envolvidos no caso do desenho da orixá Iansã. As parlamentares afirmam que a entrada de agentes armados na unidade escolar para questionar uma atividade pedagógica sobre cultura afro-brasileira extrapolou as atribuições da corporação.

Nos documentos, o mandato coletivo sustenta que a intervenção pode configurar racismo religioso e abuso de autoridade. As representantes argumentam ainda que a ação teve efeito intimidatório sobre professores e funcionários da escola, além de representar uma interferência indevida em atividades educacionais previstas no currículo escolar.


O que era a atividade

  • A atividade que culminou no desenho estava ligada à leitura do livro infantil “Ciranda em Aruanda”, da autora Liu Olivina;
  • Na obra, a autora traz ilustrações de 10 orixás e apresenta, em textos curtos, as características das divindades – Oxóssi, por exemplo, é retratado como “o grande guardião da floresta”;
  • Uma professora da Emei leu a história para os alunos. Em seguida, cada estudante fez um desenho a partir da leitura;
  • A menina, de 4 anos, desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e às tempestades;
  • Os desenhos foram expostos no mural da escola;
  • O livro tem o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e faz parte do acervo oficial da rede municipal de ensino;
  • Após saber do caso, a autora Liu Olivina lamentou o episódio.

O caso envolvendo o desenho da orixá foi revelado pelo Metrópoles e gerou repercussão nacional. Como mostrou a reportagem à época, no dia 12 de novembro do ano passado, o pai de uma estudante chamou a Polícia Militar após discordar da atividade feita pela filha, de 4 anos.

O homem, que também é policial, disse aos agentes que sua filha estaria sendo obrigada a ter aula de uma religião diferente da sua. Os policiais entraram na escola de educação infantil portando armas de grosso calibre, o que assustou crianças, segundo relatos colhidos pelo Metrópoles. As gravações das câmeras corporais registraram a dinâmica da ocorrência.

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