Opção ao Senado por SP, deputado patrocina post contra Erika Hilton

Deputado Gil Diniz (PL) tem anúncios ativos nas redes sociais com críticas à identidade de gênero e influência de Erika Hilton

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Colagem colorida de Gil Diniz e Erika Hilton; deputado estadual impulsionou post contra deputada federal - Metrópoles
1 de 1 Colagem colorida de Gil Diniz e Erika Hilton; deputado estadual impulsionou post contra deputada federal - Metrópoles - Foto: Reprodução

Com larga experiência na produção de “conteúdo lastimável” em redes sociais, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) tem duas postagens patrocinadas com críticas à identidade de gênero da deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) e sua posição como presidente eleita da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.

O nome dele é defendido por aliados do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para ocupar uma das vagas da disputa ao Senado na chapa do governdor Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os anúncios, que são pagos pelo parlamentar, podem configurar preconceito, discriminação e desinformação, conforme resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A postura ofensiva do deputado em redes sociais já foi destacada por um juiz da 1ª Vara do Juizado Especial Cível da Justiça de São Paulo, em 2025, ao proferir uma decisão favorável ao parlamentar por danos morais decorrentes de publicações ofensivas a ele em rede social. “Observo que o autor realmente utiliza suas redes sociais para realizar postagens ofensivas a terceiros e que, com suas publicações de conteúdo lastimável, fomenta cenários socialmente indesejáveis e absolutamente deletérios ao campo das discussões políticas”.

Em um dos posts, Diniz criticou as pautas de gênero da deputada federal e, utilizando a imagem de Erika, ironizou a eleição dela à Comissão da Mulher: “Trans na comissão da mulher?”.

Diniz também foi mais longe ao dizer que a parlamentar “defende a transição de gênero de crianças e adolescentes e a legalização do aborto para menores de idade”, enquanto ele sairia “em defesa das famílias e dos valores”.

 

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O Art. 22, I, da Resolução nº 23.610/2019 do TSE proíbe que qualquer propaganda política veicule preconceitos de orientação sexual ou identidade de gênero. Por isso, a frase “ideologia de gênero para crianças” e o destaque visual “Trans na comissão da mulher?” flertam com enquadramento discriminatório.

A resolução também veta a divulgação de “fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados”. Na publicação, Diniz afirma que a deputada defende a “transição de gênero de crianças” e a “legalização do aborto para menores de idade”, sem contexto ou base factual comprovada.

Segundo dados da Biblioteca de Anúncios da Meta, o deputado publicou dois anúncios idênticos nos dias 16 e 17 de março. Os conteúdos foram impulsionados com menos de R$ 100 e haviam atingido cerca de 1 milhão e meio de pessoas até a tarde de sexta-feira (20/3). Os números foram levantados por pesquisadoras do Projeto Brief.

Deputado pode ter que retirar post

Ainda conforme a determinação do TSE, caso se sinta ofendida, Erika pode solicitar à Justiça Eleitoral a remoção imediata das publicações. A solicitação passa por análise judicial, que decide se o conteúdo deve ou não ser retirado.

Em casos de calúnia, difamação ou injúria, a pessoa atacada também pode demandar reparação por danos morais. Nesse caso, Diniz pode responder diretamente pelo dano e ter que indenizar a deputada federal. O partido político de Diniz também pode responder solidariamente caso tenha sido responsável por ação ou omissão.

Em 2020, o parlamentar foi expulso do então PSL por envolvimento em manifestações contra instituições democráticas, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF).

Procurado pelo Metrópoles, o deputado estadual não se pronunciou sobre o assunto. O texto será atualizado em caso de manifestação.

Resistência para assumir comissão

Eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, Erika é a primeira mulher transgênero escolhida para comandar o colegiado. No entanto, mesmo nove dias após a eleição, a deputada federal enfrenta resistência do campo conservador para exercer o cargo.

Em entrevista à coluna Paulo Capelli nessa quinta-feira (19/3), a parlamentar argumentou que não é necessário ser biologicamente mulher para entender a urgência das políticas públicas voltadas para o tema.

“Estou lá indicada pelo meu partido para ocupar esse lugar, assim como mulheres não trans também nos representaram em outros momentos, né? A questão de ser uma mulher trans não impede que nós tenhamos uma visão global sobre quais são as urgências das políticas públicas. A gente precisa entender quais são as prioridades, quais são os projetos para dar dignidade, proteção, assegurar direitos às mulheres. Qual é a incapacidade de uma pessoa trans poder discorrer sobre essa matéria?”, questiona Erika Hilton.

A deputada rebateu os argumentos da oposição sobre questões biológicas de gênero e observou que a chapa eleita para comandar a comissão tem outras três mulheres que podem lidar com temas que necessitem de “experiência biológica”.

 “Qual é a incapacidade de uma mulher trans, que experimenta o que é ser mulher na sociedade, política, socialmente etc., para estar nesses lugares? ‘Ah, porque biologicamente não cabe essa colocação’. Mas será que, o tempo todo, nós estamos na Comissão das Mulheres discutindo características biológicas? Se por ventura nós chegarmos a um consenso e a um entendimento de que talvez haja uma matéria que a minha falta de experiência biológica não permita que eu possa tratar do tema, nós temos três outras deputadas eleitas na chapa, todas deputadas mulheres, que podem fazer a condução dos trabalhos”, disse Erika.

Nesta sexta-feira (20/3), a reportagem entrou em contato com a deputada para tratar sobre as críticas, mas ela preferiu não se manifestar.

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