
Paulo CappelliColunas

Erika Hilton defende legitimidade para presidir Comissão da Mulher
Eleita para chefiar Comissão da Mulher na Câmara, Erika Hilton rebate argumentos da direita e diz que experiência biológica não é exigência
atualizado
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Eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, a deputada Erika Hilton (PSol) enfrenta resistência do campo conservador para exercer o cargo. Em entrevista à coluna nesta quinta-feira (19/3), a parlamentar argumentou que não é necessário ser biologicamente mulher para entender a urgência das políticas públicas voltadas para o tema.
“Estou lá indicada pelo meu partido para ocupar esse lugar, assim como mulheres não trans também nos representaram em outros momentos, né? A questão de ser uma mulher trans não impede que nós tenhamos uma visão global sobre quais são as urgências das políticas públicas. A gente precisa entender quais são as prioridades, quais são os projetos para dar dignidade, proteção, assegurar direitos às mulheres. Qual é a incapacidade de uma pessoa trans poder discorrer sobre essa matéria?”, questiona Erika Hilton.
A deputada rebateu os argumentos da oposição sobre questões biológicas de gênero e observou que a chapa eleita para comandar a comissão tem outras três mulheres que podem lidar com temas que necessitem de “experiência biológica”.
“Qual é a incapacidade de uma mulher trans, que experimenta o que é ser mulher na sociedade, política, socialmente etc., para estar nesses lugares? ‘Ah, porque biologicamente não cabe essa colocação’. Mas será que, o tempo todo, nós estamos na Comissão das Mulheres discutindo características biológicas? Se por ventura nós chegarmos a um consenso e a um entendimento de que talvez haja uma matéria que a minha falta de experiência biológica não permita que eu possa tratar do tema, nós temos três outras deputadas eleitas na chapa, todas deputadas mulheres, que podem fazer a condução dos trabalhos”, disse Erika Hilton.
“Essa confusão polêmica nada mais tem do que o intuito de fortalecer o ódio e a violência contra as pessoas trans porque inclusive essas mulheres estão sendo é chantageadas, ameaçadas, coagidas por homens dos seus partidos e isso não gera um incômodo por parte daquelas ou daqueles que dizem que uma parlamentar transexual não pode ocupar a cadeira da presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres”, criticou a deputada.





