Deputada da base acusa líder de Tarcísio na Alesp de violência de gênero
Ana Carolina Serra diz ter sido vítima de violência de gênero por parte de Gilmaci Santos durante sessão que ouviria presidente da Sabesp
atualizado
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A deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB) acusou o líder do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Gilmaci Santos (Republicanos), de violência de gênero após o parlamentar interromper uma sessão de comissão e retirar o presidente da Sabesp, Carlos Piani, do plenário onde ele prestaria esclarecimentos aos deputados.
O caso aconteceu na última quarta-feira (3/6). Piani havia sido convocado para participar da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais e dar explicações sobre falhas na prestação de serviço da companhia. Ao notar que não havia quórum suficiente para abrir a sessão, Ana Carolina, que preside a comissão, propôs aos presentes que ouvissem o presidente da Sabesp informalmente, algo que, segundo os deputados, acontece com frequência na Casa.
Segundo relato da deputada, neste momento, Gilmaci passou a gritar com ela e afirmar que Piani não poderia conversar com os parlamentares presentes, exigindo a sua saída do local.
“Quando fui proferir a decisão, o Gilmaci se destemperou e começou a gritar, não deixava eu falar, falando que o presidente da Sabesp deveria sair dali. Eu falei para ele que eu era a presidente, que é quem deve falar com o convidado. Para mim, (a atitude do líder do governo) fere os princípios democráticos”, disse Ana Carolina Serra ao Metrópoles.
A parlamentar também foi às redes sociais para repudiar o episódio. “Nunca pensei que viveria na pele aquilo que eu mais repudio. Ontem fui profundamente desrespeitada como deputada e como mulher. Não vou tolerar que um outro deputado se ache no direito de levantar a voz pra mim (…) Um deputado, quando se viu pressionado e que sua estratégia não tinha dado certo, apelou para gritaria e desrespeito”, disse.
Ainda segundo a deputada, não foi a primeira vez que ela se sentiu intimidada por deputados da base do governador, da qual ela faz parte. Sem mencionar o nome do colega, a parlamentar disse que tempos atrás recebeu uma ligação de um par gritando e esbravejando pelo fato de ela ter pautado um pedido anterior de convocação do presidente da Sabesp.
O diretório estadual do PSDB, presidido pelo ex-prefeito de Santo André e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Paulo Serra, marido de Ana Carolina, também emitiu nota para repudiar o comportamento de Gilmaci.
“Ao interromper reiteradamente os trabalhos conduzidos pela presidente da Comissão, elevar o tom de voz de maneira desrespeitosa e adotar postura incompatível com a liturgia do cargo parlamentar, Gilmaci Santos ultrapassou todos os limites do debate democrático e do respeito institucional que devem nortear a convivência entre os representantes eleitos pela população paulista. A violência política de gênero se manifesta justamente quando mulheres são constrangidas, desqualificadas ou desrespeitadas no exercício de suas funções públicas”, afirmou o partido.
Em nota divulgada pelo liderança do Republicanos na Alesp, Gilmaci se justificou dizendo que a saída de Carlos Piani do plenário foi uma medida “estritamente técnica, motivada pela ausência de quórum regimental para a realização de uma oitiva oficial”.
“Refutamos veementemente qualquer insinuação de violência política de gênero por parte do deputado Gilmaci Santos, líder do Governo na Alesp. Sua atuação foi pautada, exclusivamente, na observância do Regimento Interno da Assembleia, não havendo qualquer desrespeito ou tentativa de obstrução aos trabalhos legislativos, mas, sim, zeľo pela formalidade e pela seriedade do debate”, diz a nota.
Ana Carolina Serra afirmou que já conversou com o presidente da Alesp, André do Prado (PL), sobre o assunto e informou que pretende pedir um desagravo público por parte de Gilmaci.
Também em nota enviada ao Metrópoles, o PSDB Nacional e o PSDB Mulher Nacional manifestaram total solidariedade à deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB-SP) diante do episódio ocorrido, afirmando que a deputada foi constrangida e desrespeitada, tendo sua autoridade e prerrogativas regimentais desconsideradas. “Esse tipo de comportamento configura violência política de gênero e é absolutamente inaceitável em qualquer contexto democrático.”
Ainda conforme o texto, “a política precisa ser um espaço de respeito, civilidade e igualdade. É inadmissível que, em pleno século XXI, mulheres eleitas ainda sejam submetidas a intimidações, constrangimentos ou atitudes que busquem enfraquecer sua atuação e legitimidade parlamentar”.
“O PSDB Nacional e o PSDB Mulher Nacional reforçam que a liberdade e a segurança no exercício do mandato devem ser garantidas a todas as mulheres, e repudiamos qualquer tentativa de intimidação ou desrespeito institucional”,complementou o texto.