Consulesa do Brasil no Líbano é investigada por trabalho escravo

Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas exaustivas, sem folgas ou férias por 12 anos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução / Redes Sociais
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias - Metrópoles
1 de 1 Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias - Metrópoles - Foto: Reprodução / Redes Sociais

A consulesa honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, passou a ser investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após uma denúncia de que teria mantido uma trabalhadora filipina em condições análogas à escravidão por 12 anos. O caso veio à tona após o resgate da vítima em uma residência no Morumbi, um bairro rico na zona sul de São Paulo.

A vítima, uma mulher de 50 anos, procurou ajuda em fevereiro deste ano junto à comunidade filipina no Brasil, relatando que vivia sob restrições severas de liberdade e em condições humilhantes. Segundo o depoimento prestado à Polícia Federal (PF), ela trabalhou por cerca de 12 anos para Siham Harati, período em que dividia seu tempo entre o Brasil e o Líbano, sem conseguir retornar ao seu país de origem ou rever os filhos.

Consulesa do Brasil no Líbano é investigada por trabalho escravo - destaque galeria
4 imagens
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
1 de 4

Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias

Reprodução / Redes Sociais
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
2 de 4

Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias

Reprodução / Redes Sociais
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
3 de 4

Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias

Reprodução / Redes Sociais
Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias
4 de 4

Cônsul Siham Harati é investigada após denúncia enviada ao MPT por submeter funcionária a jornadas diárias exaustivas, sem folgas ou férias

Reprodução / Redes Sociais

De acordo com o relato, a mulher cumpria jornadas diárias que começavam às 6h30 e se estendiam até às 19h30, sem folgas, férias ou pagamento adicional por fins de semana e feriados. Ela também afirmou que não tinha acesso ao próprio passaporte desde 2014, não possuía conta bancária e enfrentava restrições para sair da residência, onde portões permaneciam trancados e havia monitoramento por câmeras. A vítima disse ainda que se sentia “prisioneira” e relatou ameaças de morte.


Entenda o caso e a denúncia

  • A consulesa honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, é investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suspeita de manter uma trabalhadora filipina em condições análogas à escravidão por mais de 10 anos.
  • A vítima foi resgatada de uma casa no Morumbi, bairro de alto padrão na zona sul de São Paulo.
  • A trabalhadora afirmou que recebia cerca de US$ 550 por mês (aproximadamente R$ 2,7 mil), valor enviado diretamente à família nas Filipinas. Segundo ela, não tinha acesso ao próprio dinheiro, nem autonomia financeira.
  • A consulesa, contestou a versão da empregadora, que alegou pagamento maior e liberdade, afirmando que era obrigada a assinar recibos.
  • O caso chegou às autoridades após o Consulado das Filipinas em São Paulo ser acionado por membros da comunidade daquele país.
  • Um ofício foi encaminhado à Polícia Federal com pedido urgente de intervenção, diante do risco à integridade da vítima.
  • Diante da urgência, o assistente consular foi até o endereço — com apoio da Polícia Militar, acionada pelo 190.
  • No local, a vítima conseguiu deixar a residência com seus pertences.

“Local seguro”

A defesa da consulesa honorária Siham Harati afirma que sua vinda ao Brasil ocorreu exclusivamente para a realização de uma cirurgia no quadril, uma artroplastia feita em 6 de fevereiro de 2026, no Hospital Israelita Albert Einstein, com internação inicial de sete dias, período que, segundo a assessoria, se estendeu por cerca de 10 dias devido a uma infecção. Ainda de acordo com essa versão, durante a recuperação, a funcionária teria permanecido sozinha na residência.

O argumento, no entanto, contrasta com o relato da vítima. Em depoimento, a trabalhadora afirma que vivia sob restrições constantes de liberdade, sem poder sair da casa ou ter acesso aos próprios documentos. Ela também relatou que as condições análogas à escravidão não se limitaram ao período recente, mas se estenderiam por cerca de 12 anos, desde o início da relação de trabalho. O resgate ocorreu apenas no fim de fevereiro de 2026, após pedido de ajuda.

Em nota, Siham Harati nega as acusações e sustenta que a relação de trabalho sempre ocorreu de forma regular. A consulesa também diz que a funcionária tinha liberdade de circulação, acesso a celular, internet e documentação, além de já ter viajado sozinha ao Brasil em ocasiões anteriores. A nota afirma que não houve retenção de documentos e que todos estavam guardados “em local seguro”, sendo apresentados às autoridades quando solicitados.

O que diz autoridades

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que instaurou procedimento para apurar a denúncia, que envolve suspeita de tráfico de pessoas para fins de trabalho análogo à escravidão. Segundo o órgão, a atuação foi imediata por se tratar de uma vítima estrangeira em situação de vulnerabilidade. Detalhes da investigação, no entanto, não foram divulgados, já que o caso segue em andamento.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) também se manifestou e esclareceu que cônsules honorários não são servidores públicos brasileiros. De acordo com a pasta, eles exercem funções de forma voluntária, não recebem remuneração do Estado e não possuem as mesmas imunidades diplomáticas concedidas a agentes consulares de carreira.

Em nota, a defesa da consulesa afirma que não há registros anteriores de reclamações formais por parte da trabalhadora ao longo dos anos de vínculo. Alega ainda que tem colaborado com as autoridades, apresentando documentos, registros migratórios e vídeos que, segundo a versão, comprovariam a rotina da residência e a liberdade de circulação da funcionária. O caso segue sob investigação das autoridades competentes.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?