Decisão sobre Coaf causa impunidade, diz Transparência Internacional
Entidade afirma que trocas de informações do Coaf questionadas pelo STJ "são absolutamente legais e alinhados às melhores práticas"

São Paulo — A ONG Transparência Internacional afirmou, nessa terça-feira (14/11), que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que restringiu as comunicações entre o Coaf e órgãos de investigação “já tem efeito cascata gerando ainda mais impunidade no combate à corrupção e a criminalidade violenta”.
A declaração foi feita com base em reportagem publicada pelo Metrópoles nessa segunda-feira (13/11) sobre investigações que foram suspensas e tiveram provas anuladas após STJ decidir que a polícia e o Ministério Público não podem requisitar informações ao órgão de inteligência financeira.

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Ver todasO caso foi julgado em agosto e será apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a entidade, os relatórios de inteligência financeira “questionados pelo tribunal, são absolutamente legais e alinhados às melhores práticas internacionais”.
“Relatórios de inteligência financeira – espontâneos ou de intercâmbio – são ferramentas vitais para combater a lavagem de dinheiro que sustenta a corrupção e o crime organizado. Se as instituições brasileiras querem mesmo enfrentar esses problemas, devem apoiar este trabalho em vez de constantemente ameaçá-lo”, diz a entidade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA Transparência Internacional ainda afirma que os relatórios tramitam por canais formais dentro de inquéritos criminais, que são acompanhados pelo Judiciário.
Ministérios Públicos Estaduais e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apelaram da decisão do STJ. O principal argumento é o de que a Corte contrariou um entendimento do STF sobre a troca de informações entre o Coaf e órgãos de investigação. O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.
Em 2019, o STF derrubou uma liminar do ministro Dias Toffoli que paralisou todas as investigações do Coaf no país. O ministro havia atendido a um pedido do advogado Frederick Wassef, em nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob o argumento de que os documentos deveriam ser fornecidos por meio de autorização judicial.
Os ministros decidiram que não é necessária autorização judicial para troca de informações entre o Coaf e investigadores, tanto nos casos de relatórios a pedido do MP e das polícias quanto em comunicações espontâneas do órgão.



