Coronel barrou trabalho de PM Gisele: “Lugar de mulher é onde o marido quer”

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, e por fraude processual

atualizado

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Homem e mulher em piscina - Metrópoles
1 de 1 Homem e mulher em piscina - Metrópoles - Foto: Arquivo Pessoal

Dois dias antes de ser encontrada morta com um tiro na cabeça, a soldado Gisele Leite Rosa Neto trocou mensagens com o então marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que afirmou que “lugar de mulher é onde o marido quiser”. As conversas, que fazem parte do inquérito policial ao qual o Metrópoles teve acesso, ocorreram no momento em que a policial tentava aumentar a carga de trabalho para complementar a renda.

Nos diálogos, Gisele relata que pretendia assumir mais serviços no batalhão, como plantões extras, para melhorar a situação financeira. A iniciativa, no entanto, foi reprovada pelo oficial, que reagiu com mensagens de teor controlador.

O tenente-coronel ainda reforçou o posicionamento ao afirmar que “lugar de mulher casada é dentro de casa” e que a função da esposa seria de “submissão e obediência ao marido”.

Em outra mensagem, ele diz: “Tem que aprender a economizar e gastar o que o salário permite. Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e dos filhos, não na rua. Sossega o facho”.

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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
Soldado foi ferida com a arma do marido
Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado

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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas

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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada

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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita

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Soldado foi ferida com a arma do marido
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Soldado foi ferida com a arma do marido

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Gisele, por sua vez, rebateu as falas e defendeu o direito de trabalhar. “Não vou pra rua caçar macho, me respeita”, respondeu. Ela também afirmou que continuaria buscando alternativas para complementar a renda: “Faço sim e vou fazer, já que você não vai ajudar mais. Não tenho problema de trabalhar, não”.

Em outro trecho, o tenente-coronel impôs condições para que a esposa pudesse trabalhar, afirmando: “Se não trabalhar com macho, pode trabalhar, se for com macho, não”. A soldado respondeu que não tinha escolha sobre o ambiente de trabalho: “Sou soldado, não escolho”.

“Macho alfa” e “fêmea beta”

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MPSP) no dia 18 de março, uma série de mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Neto expõe um comportamento “tóxico, autoritário e possessivo” contra a esposa policial militar, Gisele Santana.

Em uma das mensagens, o oficial descreve, de forma explícita, o modelo de relação que esperava manter. Segundo ele, um marido precisa ser “provedor” e a esposa deve ser “carinhosa e submissa”. Com isso, segundo mensagem atribuída ao oficial, “não tem atrito”.

A denúncia também reproduz frases que reforçam a visão de superioridade do coronel, o qual se autointitula “mais que um príncipe”.

“Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano”.

Para o MPSP, o conteúdo revela “comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”, incompatível com a versão pública apresentada pelo oficial após a morte da esposa.


Relembre o caso


Denúncias de assédio

Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) apontou que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, à época major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M), praticou abuso de autoridade contra uma policial militar subordinada em 2022, evidenciando condutas abusivas contra mulheres dentro da unidade.

Segundo a sentença, o oficial utilizou a posição hierárquica para adotar ações reiteradas de perseguição profissional, caracterizando abuso de poder no ambiente de trabalho. O entendimento foi baseado em provas reunidas no processo movido pela policial.

O caso resultou na condenação do Estado de São Paulo ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais, valor considerado pela Justiça como “didático-pedagógico”, com o objetivo de coibir novas práticas semelhantes dentro da corporação.

Feminicídio e fraude processual

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou réu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pelos crimes de feminicídio e fraude processual. O oficial é acusado de matar a esposa policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, no dia 18 de fevereiro.

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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais
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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto

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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador

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Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais
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Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais

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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento
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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento

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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena
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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena

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O PM Geraldo Neto (no meio no banco de trás) foi preso em São José dos Campos por feminicídio
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O PM Geraldo Neto (no meio no banco de trás) foi preso em São José dos Campos por feminicídio

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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana
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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana

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A denúncia foi oferecida pelas promotoras Ingrid Maria Bertolino Braido e Daniela Romanelli da Silva, no dia 18 de março.

Segundo a promotoria, a acusação formal engloba os crimes de feminicídio qualificado, por ter sido praticado no contexto de violência doméstica e familiar, com circunstâncias agravantes como motivo torpe; e causas de aumento de pena, a exemplo do recurso que dificultou a defesa da vítima.

A denúncia também cita o crime de fraude processual, alegando que o réu alterou a cena do crime para induzir a investigação ao erro.

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