Coronel empurrou PM Gisele na parede de QG da PM, relatam policiais
Tenente-coronel costumava ir até o trabalho de Gisele e, em uma das ocasiões, agarrou a esposa pelos braços e pressionou-a contra a parede
atualizado
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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso suspeito de matar a esposa Gisele Alves Santana, já havia agredido a mulher dentro da sede do Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo, segundo depoimentos de policiais e de um ex-marido da vítima.
As testemunhas afirmaram à Polícia Civil que o coronel costumava ir até o trabalho de Gisele e, em uma das ocasiões, chegou a agarrar a esposa pelos braços e pressioná-la contra a parede durante uma discussão. O homem precisou ser contido pelos policiais que estavam no local.
Depoimentos de dois PMs detalham que a agressão ocorreu num corredor que conecta o departamento onde Gisele trabalhava e a reserva de armas do quartel-general. Um dos policiais ainda afirmou que Neto teria apertado o pescoço da vítima.
Questionada pelos colegas sobre a agressividade de Neto, a mulher teria respondido que “ele tem muito ciúmes, gosta muito de mim e fica assim”. A agressão foi filmada por duas câmeras de segurança, conforme os relatos.
Um ex-marido de Gisele reforçou à polícia que a vítima chegou a comentar sobre o episódio de agressão e que o tenente-coronel teria “chacoalhado” a esposa. Procurada pelo Metrópoles, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que as denúncias são mais “alegações sem carga de verossimilhança”.
Ciúmes e raiva
Colegas de Gisele afirmaram ainda ter presenciado outro caso de ciúmes e raiva do tenente-coronel durante um café entre os policiais. Enquanto os militares conversavam, uma sargento, que não a conhecia, comentou que a soldado era muito bonita, bem como um outro policial falou, o que irritou Geraldo Neto.
O homem passou a questionar a sargento sobre quem havia feito o comentário, a pressionando e querendo descobrir o nome do policial. De acordo com o relato da sargento, ela pediu licença e retirou-se do local, mas foi seguida pelo coronel, que teve que ser contido pela esposa.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.



















