PCD paulista formado em direito cobra transporte para tratamento na PB
Natural de SP, Washington Junior, de 33 anos, mora na PB, tem paralisia cerebral, mobilidade reduzida e trabalha na Defensoria Pública local
atualizado
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Com paralisia cerebral, baixa visão e mobilidade reduzida, o paulista Washington Junior Linhares de Andrade, de 33 anos, tem uma trajetória repleta de desafios, mas também conquistas. Natural de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, o PCD mora com a família em Condado, na Paraíba, desde 2021.
“Nasceu prematuro e teve que fazer várias cirurgias. Foi uma luta muito grande, mas graças a Deus estamos vencendo. E agora o pai dele aposentou e nós viemos morar no Nordeste”, conta a mãe, Maria Auxiliadora.
O paulista se formou em direito e atualmente trabalha como supervisor na Defensoria Pública. “Era o meu sonho. Que eu possa inspirar outras pessoas com deficiência”, celebra.
No entanto, os últimos meses foram marcados por frustrações devido a falhas no transporte que deveria ser oferecido pela prefeitura para que ele faça acompanhamento médico. Para Washington, é preciso que a sociedade e os governantes se conscientizem mais sobre o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
“Tem as leis, mas não são cumpridas. Se não for na Justiça, nada acontece, e quando sai, muitas das vezes é cessado o direito da pessoa com deficiência”, reclama.
Sem transporte da prefeitura
Para seguir com as terapias necessárias, Washington precisa do transporte oferecido pela Prefeitura de Condado (PB).
No entanto, a família tem enfrentado constantes cancelamentos repentinos. Em fevereiro, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde não disponibilizou veículo. “A interrupção do serviço ocorre em virtude do transporte estar em manutenção”, informou.
“O transporte para a saúde é um direito básico, já que [a prefeitura] não oferece o tratamento que ele precisa, então, eu preciso me deslocar até Patos, que é uma cidade que fica a meia hora de Condado, e simplesmente eles dão o carro quando querem”, lamenta Maria Auxiliadora.
A mãe de Washington completa: “Eu fui ativista dos direitos da pessoa com deficiência em São Paulo, fui presidente de uma instituição jurídica, e lutei a vida toda em São Paulo pelos direitos da pessoa com deficiência, começando pelo do meu filho, e agora me deparo com uma realidade cruel, que eu achei que não existia mais no sertão.”
Procurada pelo Metrópoles, a Prefeitura de Condado não se pronunciou sobre o assunto, até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.






