Veto de prefeitura ameaça permanência da Batalha da Aldeia em Barueri

Organização da batalha argumenta que sofre perseguição pelo município, enquanto a prefeitura reclama de barulho e dificulta legalidade

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de adiamento da batalha da aldeia por veto da prefeitura - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes sociais

A Batalha da Aldeia (BDA), conhecida por ser a batalha de rima com mais seguidores do Brasil, tem sido impedida de acontecer pela Prefeitura de Barueri, na Grande São Paulo. Mesmo com quase 10 anos de atividade cultural na cidade, a organização da batalha argumenta que sofre perseguição pelo município, enquanto a prefeitura reclama de barulho e dificulta legalidade do movimento.

Realizada semanalmente às segundas-feiras, a BDA surgiu na Praça dos Estudantes, local público da cidade de Barueri. O movimento cultural reúne MCs e jovens interessados pelo Hip Hop, promovendo duelos de rimas e debates sociais, além de fomentar o trabalho de diversos ambulantes.

Nos últimos anos, no entanto, as edições foram proibidas de acontecerem na praça devido a constantes proibições das forças policiais e falta de acordo com a prefeitura. Para continuar com o evento, as últimas batalhas vinham acontecendo na Tenda da Vibe, um espaço alugado pela organização, também em Barueri.

Contudo, na última segunda (9/2), o perfil oficial da BDA anunciou o adiamento da edição 449, devido a uma notificação sofrida pela Tenda. O local foi proibido pela prefeitura de realizar eventos musicais noturnos.

Em entrevista ao Metrópoles, Bob 13, organizador da Batalha da Aldeia, lamentou a perseguição sofrida pela BDA e afirmou que isso acontece por se tratar de uma cultura periférica. Ele complementou que as batalhas são nascidas na rua, em espaços públicos e que a administração municipal não atende o desejo da própria população.

“Eles não entendem que a batalha de rima é feita na rua, na praça. Querem jogar a gente pra ginásios, lugares fechados, mas isso não existe. Hip Hop é na rua. Todas as vezes que foram solicitados documentos, seguimos todas as normas e nunca foi para frente”, criticou.

De acordo com a Lei 498/2021, aprovada em março de 2024, o Hip Hop, incluindo as batalhas de rima, é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo. Bob, porém, argumentou que a cidade não oferece projetos que incentivem a legalidade para eventos culturais semanais, o que afeta todos os estabelecimentos de entretenimento do município.

Segundo ele, a organização realizou uma denúncia no Ministério Público há três anos, apresentou diversos documentos, mas foi ignorada pela administração municipal. “Nosso maior desejo é conseguir uma agenda com o prefeito de Barueri. Ele não atende a gente, o próprio governo federal já tentou contato com eles”, afirmou.

Questionada pelo Metrópoles sobre a nova proibição, a Prefeitura de Barueri não se pronunciou sobre o assunto. O espaço segue aberto para manifestação.


Fãs e MCs se pronunciam nas redes sociais

  • Com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, a Batalha da Aldeia é a mais famosa do Brasil e a terceira maior do mundo.
  • Com as dificuldades enfrentadas pela BDA, MCs de batalha de diversos estados se pronunciaram a favor do movimento cultural.
  • O rapper Rashid comentou em uma postagem da batalha e prestou apoio aos organizadores. “Toda a força pra vocês! Estamos por aqui pra ajudar no que for possível. A cultura vencerá, uma vez mais”, escreveu.
  • Os maiores campeões da roda cultural, os MCs Kant e Big Mike, também fizeram um vídeo criticando a postura da prefeitura de Barueri.
  • Segundo eles, a situação acontece desde os primórdios da BDA.

A organização afirma que segue tentando conversar com a administração municipal e que tem trabalhado para não deixar a cidade, mas também analisa outros espaços em São Paulo. “A gente ama nossa cidade, construímos tudo ali. Nunca existiu um movimento cultural que durou tanto tempo em Barueri. Eles querem que a gente diminua os eventos culturais na cidade. Não temos mais nenhum lugar para fazer, querem uma cidade morta”, esclareceu.

A Batalha da Aldeia acrescenta que, independentemente das proibições, o movimento cultural não vai deixar de existir e que busca soluções para a continuidade das edições.

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