Condenado pelo furto ao BC, preso no Uruguai ganhou indulto natalino

Beneficiado pelo indulto foi condenado por compor quadrilha que organizou e concluiu o maior furto a banco da história do Brasil

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Arte gráfica de homem inserido em contexto visual com túnel perfurado, cofre arrombado com dinheiro e luz amarela no fim do túnel - Metrópoles
1 de 1 Arte gráfica de homem inserido em contexto visual com túnel perfurado, cofre arrombado com dinheiro e luz amarela no fim do túnel - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Condenado pelo furto do Banco Central em Fortaleza (CE) em 2005, Raimundo de Souza Pereira, de 61 anos, o Piauí  (imagem em destaque), foi beneficiado por um indulto presidencial concedido em 3 de abril de 2024.

A decisão extinguiu o restante das penas que ele ainda tinha a cumprir por condenações relacionadas a outros crimes. O furto à agência no Ceará foi considerado o maior da história do Brasil, quando R$ 164 milhões foram levados do cofre da instituição.

A condenação permanece registrada, mas a execução penal foi encerrada por força de decreto presidencial, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, em dezembro 2023.

Em liberdade, ele foi preso, no último dia 3 no Uruguai, sob a suspeita de compor uma quadrilha que organizava o “furto do século” na capital Montevidéu (leia mais abaixo).

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Grupo criminoso formado por brasileiros, paraguaios e uruguaios planejava construir um túnel até o subsolo de um banco em Montevidéu
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Grupo criminoso formado por brasileiros, paraguaios e uruguaios planejava construir um túnel até o subsolo de um banco em Montevidéu
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Grupo criminoso formado por brasileiros, paraguaios e uruguaios planejava construir um túnel até o subsolo de um banco em Montevidéu

Divulgação/Ministério do Interior do Uruguai
Grupo criminoso formado por brasileiros, paraguaios e uruguaios planejava construir um túnel até o subsolo de um banco em Montevidéu
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Grupo criminoso formado por brasileiros, paraguaios e uruguaios planejava construir um túnel até o subsolo de um banco em Montevidéu

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O especialista em túneis

No caso do Banco Central, Piauí não foi um figurante. Segundo o processo, ele teve papel central na coordenação da escavação do túnel de aproximadamente 80 metros que levou o grupo até a sala do cofre da autoridade monetária em Fortaleza.

A operação exigiu meses de preparação, planejamento estrutural e divisão rigorosa de tarefas. O túnel foi escavado a partir de um imóvel alugado com fachada comercial. A estratégia permitiu que os criminosos acessassem o cofre sem disparar alarmes ou trocar tiros.

Raimundo teria ficado com cerca de R$ 13 milhões pela participação. Sua especialidade, conforme descrito nos autos, era justamente a organização da estrutura subterrânea — logística, coordenação técnica e supervisão da escavação.

A nova prisão no Uruguai

Quase duas décadas depois do furto no Nordeste, o nome de Piauí voltou ao noticiário policial.

No último dia 3, ele foi preso em Montevidéu ao lado de Eduardo Félix Farias, Carlos Emerson Cruz, Marcelo Paulo Costa e Danilo do Amor Divino Lima. Todos são apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeitos de articular um mega-furto a banco no Uruguai.

Segundo as autoridades locais, o plano seguia um modelo semelhante ao utilizado em Fortaleza, como o estudo prévio do alvo, divisão técnica de funções e estrutura organizada para evitar confronto direto.

A operação uruguaia terminou com 11 presos, dos quais cinco brasileiros, quatro uruguaios e um casal paraguaio. A Justiça local decretou prisão preventiva por 180 dias.

A polícia também apontou como um dos líderes o uruguaio Jorge Fulco, descrito como narcotraficante ligado ao PCC. Durante a ação policial, foram apreendidos 113 quilos de maconha e 42 quilos de cocaína.

A defesa dos suspeitos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

O que é o indulto e por que foi concedido

O indulto concedido a Raimundo de Souza Pereira teve como base o Decreto Presidencial nº 11.846, publicado em dezembro de 2023.

O decreto estabelece critérios objetivos para extinguir penas de condenados que já tenham cumprido parte significativa da sentença e que, na data de 25 de dezembro de 2023, tivessem um tempo restante dentro dos limites fixados pela norma.

No caso de Piauí, foi reconhecido que ele:

  • já havia cumprido a fração exigida da pena;
  • estava em regime aberto;
  • e possuía pena remanescente dentro do limite permitido pelo decreto.

Com isso, em 3 de abril de 2024, a Justiça declarou extinta a punibilidade em relação ao saldo das penas privativas de liberdade. Ou seja, a condenação continuou existindo, mas o Estado deixou de exigir o cumprimento do tempo restante de prisão.

Quais crimes o indulto abarcou

O indulto alcançou as penas relacionadas aos crimes patrimoniais e de associação criminosa pelos quais Raimundo havia sido condenado, incluindo o episódio do Banco Central.

Durante a execução penal, uma condenação por lavagem de dinheiro já havia sido afastada por instância superior, o que reduziu o total de pena a cumprir e contribuiu para que ele se enquadrasse nas regras do decreto.

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