Ciro Nogueira: decisão sobre comando da federação em SP “está tomada”
Senador do Piauí pode ser anunciado presidente da federação União-PP em SP diante de disputa entre chefes locais dos dois partidos
atualizado
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O presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, afirmou que a decisão sobre quem comandará a federação União Brasil-Progressistas em São Paulo “está tomada” e será anunciada nos próximos dias. Apesar de não confirmar que será ele o presidente do grupo no estado, aliados afirmam que esse será o desfecho do impasse.
“Essa é uma discussão que será tomada pela [direção] nacional. Existe, lógico, sempre as disputas regionais, mas os estados-polo, que é tipo São Paulo, Minas, Rio de Janeiro ficaram para que haja um critério da nacional e no momento correto nós vamos fazer isso. A decisão já está tomada. No momento correto nós iremos comunicar qual será”, disse Ciro Nogueira após participar de um evento no centro de São Paulo.
Desde a formalização da federação entre o União e o PP, as principais lideranças estaduais das duas siglas, o deputado federal Maurício Neves (PP) e o ex-vereador Milton Leite (União) travam nos bastidores uma disputa sobre quem comandará o grupo em São Paulo. A ideia de entregar o braço paulista da federação a Ciro Nogueira, que é senador pelo Piauí, teria como objetivo apaziguar os ânimos.
Nos bastidores, quadros do PP se incomodaram pelo fato de o União ter filiado dois deputados do partido aliado na janela partidária: os deputados Fausto Pinato e Da Cunha trocaram o PP pelo União no período. Com isso, o União passou a ter três deputados federais: além da dupla, compõe a bancada paulista o deputado Alexandre Leite, filho de Milton Leite. Já o PP conta com Guilherme Derrite, pré-candidato ao Senado, Maurício Neves e Simone Marqueto.
O Metrópoles mostrou que a “confusão de comandos” em São Paulo vinha incomodando integrantes da federação no estado e dificultando as conversas na janela partidária.
À reportagem, Milton Leite disse que tem respeito e admiração por Ciro Nogueira e que a decisão será tomada pela direção nacional da federação. Ele, no entanto, defende que o comando fique com o União, por, segundo ele, ser maior que o PP no estado. Ele diz que o União deixará a aliança caso o comando fique com Maurício Neves.
“Não há hipótese de ficarmos, caso a federação seja comandada pelo Maurício Neves em São Paulo”, disse o ex-presidente da Câmara Municipal da capital.
Já Maurício Neves respondeu que também não há hipótese de que o comando fique com Milton Leite. “Por isso mesmo será o Ciro, mas insisto que a união é fundamental para nossa federação”, disse o deputado.
Inicialmente, o acordo entre os dois partidos previa que cada um ficaria com o comando de nove estados. Já o conjunto deles, São Paulo inclusive, teria as decisões tomadas de forma coletiva. Caso se confirme o comando de Ciro Nogueira no maior colégio eleitoral, a federação deve discutir a entrega de algum estado relevante para o União, como o Rio de Janeiro.
Em nota enviada ao Metrópoles, assinada pelo deputado federal Alexandre Leite, presidente estadual do União Brasil em São Paulo, o diretório estadual diz que “manifesta seu veemente repúdio a qualquer articulação que pretenda entregar o comando da futura federação a lideranças alheias à realidade e aos desafios do nosso estado, ainda que ao Senador Ciro Nogueira, a quem temos profundo respeito. A política paulista exige protagonismo local, e não aceitaremos ser governados por procuração”.
“É inaceitável que, após um intenso trabalho de construção partidária e atração de lideranças durante a janela eleitoral, o destino de nossos deputados e pré-candidatos seja tratado como moeda de troca em acordos de cúpula. O União Brasil de São Paulo é maior do que qualquer arranjo de gabinete e não se sujeitará a uma presidência que não tenha raízes no solo paulista”, ressalta a nota.
“O PP estadual e Nacional precisam entender que parcerias se constroem com diálogo e respeito mútuo, e não por meio de tentativas sorrateiras de extorsão. Não permitiremos que o esforço de nossos parlamentares e candidatos seja colocado a serviço de projetos que ignoram as prioridades de São Paulo. Caso o bom senso não prevaleça, o União Brasil São Paulo levará essa pretensão descabida à Executiva Nacional, e trabalhará para inviabilizar em definitivo qualquer aliança e irradiará instabilidade para todo o projeto eleitoral”, finaliza o texto.
