Caso Vitória: suspeito faz carta acusando polícia de forçar confissão

Maicol Sales é tratado como único suspeito de matar a adolescente Vitória Regina, de 17 anos, em março. Ele nega a própria confissão

atualizado

metropoles.com

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caso vitória justiça prorroga prisão suspeito
1 de 1 caso vitória justiça prorroga prisão suspeito - Foto: Reprodução

Maicol Sales do Santos, apontado como o único suspeito de ter matado a adolescente Vitória Regina, de 17 anos, escreveu uma carta no início deste mês em que acusa a Polícia Civil de Cajamar, na Grande São Paulo, de ter forçado e forjado a confissão dele, feita no dia 17 de março deste ano.

O Metrópoles teve acesso à carta escrita por Maicol, que está preso preventivamente desde abril. No longo texto, o suspeito narra como teria sido, supostamente, construída a própria confissão. Além disso, ele acusa a polícia da cidade de estar acobertando o crime contra Vitória.

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Polícia de Cajamar prendeu dono de Corolla  supostamente envolvido no desaparecimento da jovem Vitória
Homem é preso por investigadores que apuram o assassinato da adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos
O corpo da adolescente foi localizado e reconhecido por familiares por causa de tatuagens no braço e na perna e de um piercing no umbigo
Jovem desapareceu em Cajamar, na região metropolitana de SP
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Vitória Regina de Souza, de 17 anos
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Vitória Regina de Souza, de 17 anos

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Polícia de Cajamar prendeu dono de Corolla  supostamente envolvido no desaparecimento da jovem Vitória
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Polícia de Cajamar prendeu dono de Corolla supostamente envolvido no desaparecimento da jovem Vitória

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Homem é preso por investigadores que apuram o assassinato da adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos
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Homem é preso por investigadores que apuram o assassinato da adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos

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O corpo da adolescente foi localizado e reconhecido por familiares por causa de tatuagens no braço e na perna e de um piercing no umbigo
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O corpo da adolescente foi localizado e reconhecido por familiares por causa de tatuagens no braço e na perna e de um piercing no umbigo

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Jovem desapareceu em Cajamar, na região metropolitana de SP
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Jovem desapareceu em Cajamar, na região metropolitana de SP

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Corpo de Vitória Regina de Souza, 17, foi encontrado com sinais de tortura e decapitado em Cajamar (SP). Polícia ouviu 14 pessoas envolvidas
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Corpo de Vitória Regina de Souza, 17, foi encontrado com sinais de tortura e decapitado em Cajamar (SP). Polícia ouviu 14 pessoas envolvidas

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Vitória Regina
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Maicol (de verde) confessando crime
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Maicol (de verde) confessando crime

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Assassinato de Vitória

  • Vitória Regina de Souza, de 17 anos, foi encontrada morta na tarde do dia 5 de março deste ano, em uma área rural de Cajamar, na Grande São Paulo. Ela estava desaparecida desde o dia 26 de fevereiro, quando voltava do trabalho.
  • A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que o corpo estava em avançado estado de decomposição. A família reconheceu o corpo por conta das tatuagens no braço e na perna e um piercing no umbigo.
  • Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem chegando a um ponto de ônibus no dia 26 de fevereiro e, posteriormente, entrando no transporte público. Antes, a adolescente enviou áudios para uma amiga nos quais relatou a abordagem de homens suspeitos em um carro enquanto ela estava no ponto de ônibus.
  • Nos prints da conversa, a adolescente afirmava que outros dois homens estavam no mesmo ponto de ônibus e que lhe causavam medo.
  • Em seguida, ela entra no ônibus e diz que os dois subiram junto com ela no transporte público — e que um deles sentou atrás dela.
  • Por fim, Vitória desceu do transporte público e caminhou em direção à casa, em uma área rural de Cajamar.
  • No caminho, ela enviou um último áudio para a amiga, dizendo que os dois não haviam descido junto com ela. “Tá de boaça”. Foi o último sinal de Vitória com vida.
  • Em 17 de março, Maicol, o principal suspeito, confessou ter matado a jovem sozinho.

Surpresa

Maicol já estava preso temporariamente na época da confissão, em 17 de março. Na carta divulgada recentemente, ele conta que no mesmo dia recebeu uma breve visita dos advogados, “algo que não durou mais do que 15 minutos”.

Depois de algumas horas, após ouvir barulhos da rua, helicópteros e drones, os advogados teriam retornado à cela em que ele estava, desta vez acompanhados de dois membros da OAB de São Paulo.

Ali, Maicol contou que ouviu da própria defesa de que canais de televisão estavam falando que ele havia confessado o crime, algo que ele estranhou “pois não tinha envolvimento no que ocorreu e nem havia confessado a respeito disso com nenhum policial no dia”.

Visitas dos advogados

Posteriormente, às 22h daquela segunda-feira, o suspeito afirma que recebeu na própria cela visita do investigador-chefe acompanhado de um policial. Neste momento, ele diz que os policiais proferiram diversas ameaças contra ele e contra os familiares dele.

Maicol conta que ficou quieto e que foi trancado em um banheiro “totalmente imundo e sem nenhuma possibilidade de locomoção” para refletir sobre o que tinha ouvido dos agentes.

Ele alega, ainda, que tudo isso pode ser provado por câmeras da delegacia, que as autoridades negam em fornecer.

Às 22h30, os investigadores teriam retornado ao tal banheiro e levado Maicol até a sala do delegado, onde ele se encontrou com três policiais, com o secretário de Segurança de Cajamar, um escrivão e uma advogada, além de um guarda municipal, que estava na primeira perícia feita no carro do suspeito.

Maicol pediu a presença da defesa, mas teria sido avisado que os advogados abandonaram o caso e que, por isso, a advogada ali presente iria lhe representar.

Ameaças e acusações

O suspeito conta que ficou em silêncio após confirmar a ausência da equipe de defesa e que, a partir desse momento, o delegado do caso passou a fazer ameaças e acusação para tentar lhe coagir, “chegando a dizer ‘você acha que não consigo fazer a perícia te foder, seu lixo. Se você não cooperar, o PCC vai cuidar da sua família'”, relatou Maicol.

Depois disso, ele teria sido levado cerca de três vezes à sala ao lado. Em uma das ida e vindas ao local, ele conversou com a advogada, identificado por Maicol como Glória. A mulher teria dito que era da Prefeitura de Cajamar e que estava ali a mando do prefeito. Ela o recomentou a fazer o que o secretário mandasse.

Maicol retornou à conversa com o secretário e diz que continuou ouvindo ameaças. Segundo o suspeito, o secretário também atacava a família dele dizendo: “Você vai esperar que aconteça com a sua família o mesmo que aconteceu com a jovem? O bairro é escuro e tudo pode acontecer”.

Ele afirma que continuou negando envolvimento no crime, mas ouviu do secretário de que ele seria, de qualquer forma, responsabilizado pelo assassinato de Vitória Regina. Além disso, que ele teria diversos contatos no sistema prisional e que se as suas ordens não fossem seguidas, a vida de Maicol e da família dele estariam em risco.

Segundo o suspeito, a advogada seguiu concordando com o que era dito e recomendando que Maicol seguisse o ordenado. O investigador ainda teria dito que ajudaria a família de Maicol financeiramente, com uma nova casa em outra cidade.

Respostas combinadas

Maicol disse que conversou brevemente com a mãe antes de avançar para a confissão. Ele conta que ouviu de um policial “a história que deveria contar”. No relato supostamente combinado, o suspeito deveria falar que tinha um caso com a adolescente. O quê, segundo o suspeito, nunca existiu, mas que passaria a ser a motivação do crime.

Ao chegar na sala do delegado do caso, Maicol diz que foi recebido com uma ameaça por parte do delegado e, então, começou a contar a confissão previamente combinada. Em algumas partes do depoimento ele disse que esquecia qual seria a resposta e era auxiliado pelas autoridades presentes na sala, que iam complementando as respostas.

Ao finalizar a carta, ele acusou a Polícia de Cajamar de estar acobertando o crime contra Vitória.

Procurada, a Secretaria afirma que o teor da carta “é investigada por meio de apuração preliminar instaurada pela Corregedoria da Polícia Civil e que a denúncia apresentada é investigada por meio de apuração preliminar instaurada pela Corregedoria da Polícia Civil”

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