Caso Ruy: após trapalhada, polícia fala em outros possíveis mandantes

Secretaria da Segurança havia confundido nome de suposto mandante com nome de integrante da Sintonia Final do PCC. Caso segue em aberto

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/ SSP-SP
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1 de 1 caso ruy ferraz 2 - Foto: Divulgação/ SSP-SP

Depois da divulgação da informação falsa de que um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teria sido preso por suspeita de mandar matar o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, autoridades ligadas à investigação do caso admitem que houve uma “confusão” por parte da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e dizem que o homicídio não está completamente esclarecido. Em entrevista coletiva, chefes de diferentes departamentos da Polícia Civil afirmaram que pode inclusive haver outros mandantes.

Como detalhado pelo Metrópoles, o chefe da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, comunicou a jornalistas, na manhã dessa terça-feira (13/1), que o integrante da Sintonia Final do PCC Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul, teria sido preso em Jundiaí, no interior de São Paulo. A informação foi repercutida por diferentes veículos. Minutos depois, o secretário enviou um relatório sobre as prisões, mostrando que o Azul preso pela polícia era uma outra pessoa.

Trata-se de Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, de 48 anos, que teria atuado na coordenação logística do crime. Segundo a Polícia Civil, ele seria conhecido pelo mesmo apelido. Além de Azul, foram presos o irmão dele, Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, de 45, e Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote, de 52. Também apontado como envolvido, Pedro Luiz da Silva Soares, o Chacal, está f0ragido.

“Isso deve ter surgido em uma confusão”, disse a diretora do Departamento de Homicídios, Ivalda Aleixo. “Porque, quando a gente faz uma pesquisa, o Azul aparece. Mas tem dois ‘Azul’, o Colorido e o que nós estávamos atrás, o ‘Azul Careca’. Não partiu do DHPP, da investigação”.

De acordo com Nico, apesar da confusão, os suspeitos presos nesta terça-feira (13/1) também seriam importantes na hierarquia do PCC, como integrantes da “Sintonia Restrita”. O trio foi preso em diferentes oportunidades, desde 2005. Azul chegou a cumprir pena de oito anos de prisão e foi solto em 2024.

“Eu posso até ter passado, não vou fugir aqui. Mas isso não tira o brilho do trabalho que está sendo feito agora. Os nomes são muito parecidos, os apelidos são parecidos. Às vezes, a gente troca um pelo outro porque é uma coisa normal do ser humano”, afirmou.

Outros mandantes

Durante a entrevista coletiva, o secretário da Segurança afirmou ter “mais de 90% de certeza” de que o mando do crime seria uma retaliação às prisões ocorridas desde 2005. Não há informação sobre se Ruy Ferraz Fontes teria participado das investigações que levaram a polícia aos suspeitos no passado.

“Hoje, eu estou seguro, seguro para falar isso”, disse Nico. “O doutor Ruy trabalhou muito no combate ao roubo a banco, e talvez seja uma das causas do que aconteceu com ele”.

Ivalda Aleixo disse que a polícia está em busca de mais informações para “determinar se foram eles mesmo”, ou se a ordem teria partido de um único “mandachuva”, alguém em posto mais elevado na hierarquia da facção. Segundo a delegada, o grupo teria se reunido em uma lanchonete de Mongaguá, no litoral sul, para planejar o crime em março do ano passado.

“Tem alguém acima? Eu estava conversando com o doutor Gilson. Pode, sim, depois se chegar a um único mandachuva lá. Hoje nós apreendemos vários documentos, vários celulares, notebooks, que agora vão ser periciados. A gente tendo mais alguma informação, nós conseguimos determinar se foram eles mesmo, que é o que a gente tem hoje, […] ou se partiu eventualmente, lá atrás, de alguém, uma pessoa só. Nós não acreditamos”, disse.

Já o diretor do Departamento de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, citou outra linha de investigação. Segundo ele, não está descartada, por exemplo, a hipótese de que o crime teria relação com a atuação de Ruy Ferraz como secretário da Administração da Praia Grande.

“Nós temos duas linhas principais desde o início das investigação, que permanecem até hoje, uma é o histórico de combate ao crime organizado do doutor Ruy, algo que remete ao passado dele, e a outra mais voltada à alguma irregularidade na Praia Grande, algo atual”, explicou.

Como revelado pelo Metrópoles, o ex-delegado-geral preparava um dossiê contra funcionários da prefeitura do município por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude de licitações. Dias antes do homicídio, ele teria discutido durante uma reunião com servidores e ficado “muito irritado” após o prefeito, Alberto Mourão (MDB), dizer que o resultado de um pregão eletrônico deveria ser mantido, apesar de supostas irregularidades.

Elo com denunciados

Ivalda Aleixo disse que o vínculo entre os três presos nessa terça-feira e os supostos executores do crime teria sido comprovado pela relação entre Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Azul, e Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, o Fiel, que teria ajudado a recrutar o núcleo operacional.

“Nós conseguimos identificar de onde teria surgido a ordem para que se juntasse, em Praia Grande, em Mongaguá, naqueles meses, e fizessem esse monitoramento da vítima. Essa determinação vinha muito do Fiel, preso na primeira fase. Ele falava com o Azul, o Careca”, disse Ivalda.

Segundo ela, por se tratar de um crime de vingança, não teria havido o pagamento de grandes quantias para recrutar o grupo que atuou na execução.

Denunciados

Ao apresentar denúncia “cravando” que o crime foi cometido a mando do PCC, os promotores do Gaeco se limitaram a apontar o envolvimento de investigados que teriam, de alguma forma participado, seja cedendo casas usadas pelos criminosos ou cujas digitais aparecem nos carros usados no crime. Não há especificação, por exemplo, sobre quem seriam os atiradores.

  • Felipe Avelino da Silva, o Masquerano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza, por exemplo, deixaram digitais no Jeep Renegade usados no crime. A polícia não conseguiu precisar em que momento eles estiveram no local, se antes ou durante o homicídio.
  • Umberto Alberto Gomes, apontado como um possível atirador, foi identificado a partir de materiais genéticos encontrados nas casas usadas pelos criminosos em Mongaguá e na Praia Grande. Ele fugiu de São Paulo e morreu no dia 30 de setembro, em Curitiba, após suposto confronto com a polícia paulista e do Paraná.
  • Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, seria, segundo a polícia, o motorista do carro usado na execução, além de ser o responsável por pedir para Dahesly levar de volta o fuzil para São Paulo.
  • Os outros denunciados são proprietários das casas usadas pelos criminosos e, de alguma maneira, teriam colaborado com a execução. Um deles é Paulo Henrique Caetano de Sales, o PH, que, além disso, é apontado como tendo características físicas semelhantes à de um dos atiradores. Além dele, William Silva Marques e Cristiano Alves da Silva também ofereceram imóveis ao grupo.

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