Carnaval: tempestades põem carros alegóricos à prova antes de desfile. Veja vídeo
Carros alegóricos ficam expostos por 10 dias e encaram tempestades antes de cruzarem o Anhembi no desfile do Grupo Especial de São Paulo
atualizado
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A semana que antecede os desfiles do Grupo Especial do Carnaval é marcada, ano após ano, pela expectativa em relação às chuvas de verão que provocam o caos em São Paulo. Com carros alegóricos ao relento no Anhembi, as escolas de samba tentam desenvolver estratégias para que cheguem intactos no momento da apresentação.
Uma novidade recente é o fato de a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) permitir que sejam esticados cabos de aço para prender as partes das alegorias.
Presidente da Mocidade Unida da Mooca, Rafael Falanga diz que os cabos de aço trazem mais segurança. “A gente usa muito cabo de aço, material que resiste à umidade e, basicamente, faz o que dá. A gente está na terra da garoa, não tem jeito. Já estamos acostumados. A maioria das pré-concentrações são dessa forma”, afirma.
Em anteriores, os temporais já causaram transtornos à escola da Mooca. “Em 2023, tivemos o desabamento de três alegorias, a quatro dias do desfile para recuperá-las, depois de um vendaval com ventos de mais de 100 km/h. É recorrente”, afirma.
O carnavalesco Jorge Freitas, da Dragões da Real, explica que o fato de as alegorias chegarem a até 15 metros de altura trazem uma exigência nos cuidados, também destacando a permissão para o uso de cabos de aço.
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Freitas diz que os carros são pensados já levando em consideração a possibilidade de chuva. “Trabalhamos durante o ano na confecção das alegorias com materiais alternativos que possam pegar chuva e dar o mesmo visual daqueles que são mais relacionados ao Carnaval”, diz.
No ano passado, Freitas encarou dificuldades às vésperas do desfile justamente por causa de uma tempestade. “O desfile era na sexta e, na quarta-feira à noite, foi um vento. Para a chuva, você ainda está preparado, porque está na expectativa de poder pegar chuva. Mas, quando vem o vento…”, afirma. Era a figura de um anjo, com 7 metros de largura por 7 de altura. “Foi uma tarefa grande para reformá-la. Ela foi, mas perdeu todo o movimento preparado para acontecer na avenida”, disse.
Mudanças com o tempo
Os materiais usados em alegorias passaram por mudanças no decorrer do tempo e, hoje, são mais resilientes.
Carnavalesco da Acadêmicos do Tatuapé, Wagner dos Santos diz que, no passado, papel machê (uma mistura de cola branca, papel picado e água) e telas de galinheiro compunham as alegorias. “Não existia a técnica do arame para ser fazer as cabeças”, afirma. “O Carnaval é muito rico na criação, você aprende a confeccionar muita coisa por meio de uma escola de samba”, diz.
As estruturas são feitas com tubos metálicos, sobre uma mesa, onde estão fundadas as vigas. “São carros com seis pneus para aguentar todo esse peso. E não tem molejo. Cada um cria a sua arte sobre essas mesas”, afirma, citando os artistas de Parintins que vêm todos os anos para São Paulo trabalhar nos desfiles.
Com relação aos materiais usados atualmente, Santos cita isopor, resina e plástico. “Todos os materiais são bem-vindos no Carnaval, contanto que se transformem em algo bonito para os olhos”, afirma.
Decorador da Vai-Vai, Paulo Vieira da Silva afirma que há preocupação com as minúcias. “A escola vem com detalhes muito pequenos, então é preciso ter cuidado com o tipo de cola certo para ser usado. Usamos muita cola de contato”, diz.
Não é só a chuva que preocupa Silva. O calor do Anhembi em pleno fevereiro também poderia derreter uma cola quente, fazendo com que os detalhes se perdessem.
Detalhes, por sinal, que são marcas registradas da Vai-Vai. Silva lembra que a tradicional agremiação prefere alegorias como no passado, com espelhos e bordados pregados um a um, manualmente, o que a difere de outras escolas adeptas de carros com muitas pinturas.
Ponto para tempestade
Carnavalesco da Unidos de Vila Maria, Vinicius Freitas destaca um ponto positivo em ter os carros alegóricos expostos às tempestades antes do desfile.
“Porque aí, sim, conseguimos ver se o material foi bem aplicado, se está bem decorado, se está tudo certinho e não vai cair nada na avenida. Conseguindo escapar dessas chuvas e desses temporais que São Paulo nos proporciona, na avenida, se Deus quiser, tudo funciona e passa lindamente”, diz.
O representante da Vila Maria também destaca que é um privilégio ter um espaço praticamente dentro do Anhembi para montar os carros alegóricos com cerca de 10 dias de antecedência. Porém, como entram na avenida apenas na segunda noite de desfiles, parte das escolas fica em um “terreirão”, de cascalho, no lado oposto ao sambódromo. Com as chuvas, há muitas poças de lama, o que atrapalha a preparação.
“Não conseguimos aplicar as saias dos carros, porque fica arrastando. A gente só consegue fazer no dia do desfile”, diz Freitas.







































