CAC a serviço do CV: fiscal fornecia armas para guerra contra o PCC

Funcionário da Prefeitura de Rio Claro, no interior paulista, seria parceiro de facção do RJ e foi morto pela PM em suposta troca de tiros

atualizado

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Arte gráfica com rosto de homem branco e barba, translúcido, sobre deenas de fuzis enfileirados e com as letras C e V vermelhas - Metrópoles
1 de 1 Arte gráfica com rosto de homem branco e barba, translúcido, sobre deenas de fuzis enfileirados e com as letras C e V vermelhas - Metrópoles - Foto: Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles

Ex-fiscal da Prefeitura de Rio Claro (SP), Márcio José Gomes, o Alemão, é apontado em documentos do Ministério Público de São Paulo (MPSP) como responsável por usar o registro legal de Caçador, Atirador Desportivo e Colecionador (CAC) para adquirir armas e desviá-las ao Comando Vermelho (CV).

Para isso, inclusive, simulava furtos, em meio à guerra da facção fluminense com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no interior de São Paulo.

Ele foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais militares na manhã da última quinta-feira (11/12), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do funcionário público em Rio Claro.

O incidente ocorreu no âmbito de uma operação do Grupo que Investiga o Crime Organizado (Gaeco), na qual a PM deu apoio.

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Arte sobre Arquivo Pessoal

Relatórios do Gaeco, obtidos pelo Metrópoles, afirmam que Márcio, embora formalmente autorizado a adquirir armas de fogo como CAC, teria aproveitado dessa condição para integrar a logística da facção criminosa do Rio de Janeiro em guerra aberta com o PCC em Rio Claro e região.

Segundo informações da polícia, incluídas na denúncia, as armas eram compradas de forma regular, registradas no nome de Alemão e, depois, desviadas para o crime organizado.

Furtos simulados

A estratégia, de acordo com o relato, incluía a simulação de furtos. Algumas das armas de grosso calibre que constavam no acervo de Alemão teriam sido posteriormente declaradas como subtraídas em episódios que, para os investigadores, “suscitam muitos questionamentos”.

O padrão descrito na investigação, que está em sigilo, sugere um ciclo constituído pela aquisição legal, comunicação de furto e, na prática, o reaproveitamento do armamento para abastecer ações criminosas, alimentando a disputa violenta entre as facções rivais no interior paulista.

Embora o trecho da denúncia inicial, obtido pela reportagem, não detalhe de forma individualizada o papel de cada investigado, o Gaeco afirma que os elementos reunidos indicam que Alemão e outro envolvido atuavam na base da estrutura criminosa, fornecendo e guardando armas e munições.

Bases de dados oficiais citadas no documento do MPSP apontam que ele figura em inúmeras ocorrências policiais, ora como vítima de furto de arma de fogo, ora como indiciado por porte ilegal, receptação, roubo e formação de quadrilha.

Roubo ao então presidente da Câmara

Entre os episódios elencados pela investigação, a polícia destaca um crime ocorrido em 17 de dezembro de 2019. Na ocasião, o então presidente da Câmara Municipal de Rio Claro, André Luís de Godoy, foi vítima de roubo.

Como mostrado pelo Metrópoles, Alemão foi indiciado por participação ativa no planejamento e na logística da ação. O assalto chamou a atenção pelo grau de sofisticação. Os criminosos, como constam nos registros oficiais, teriam se passado por agentes federais e utilizado uma viatura clonada da Polícia Federal.

As informações reunidas pelo Gaeco também situam Alemão no contexto mais amplo da guerra entre facções. Uma testemunha sigilosa relatou que ele mantinha vínculo com integrantes do CV e que sua atuação incluía dar abrigo a criminosos procurados, além de ostentar armas de fogo e efetuar eventuais disparos para intimidar pessoas.

A mesma fonte aponta a antiga relação do fiscal com Dé Zoião, cujo nome não é mencionado, e a proximidade com outros nomes ligados à célula do CV que opera na região, entre eles Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, que chegou a se autoproclamar o novo Marcola.

Segundo os investigadores, Alemão era um elo logístico entre o mercado formal e a disputa das facções no interior paulista.

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