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São Paulo

Cabeleireira acusada de matar marido PM é absolvida pelo júri

Defesa da cabeleireira Ranielly Antunes Castro sustentava que o policial militar Alan Damasceno Castro, na verdade, cometeu suicídio

20/08/2026 20:48, atualizado 20/08/2026 21:22
Reprodução
Cabeleireira Ranielly Antunes Castro e o então marido, o PM Alan Damasceno Castro

Quase dez anos após a morte do policial militar (PM) Alan Damasceno Castro, a esposa dele, a cabeleireira Ranielly Antunes Castro, foi absolvida pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (20/8). A notícia foi confirmada ao Metrópoles pelo advogado Lindenberg Pessoa, que representa a ré.

Por 4 votos a 3, o júri popular votou pela absolvição da cabeleireira e concluiu que Alan, na verdade, teria cometido suicídio. Ranielly era acusada de homicídio qualificado por motivo torpe. Ela respondia ao processo em liberdade. O caso aconteceu na noite de 25 de outubro de 2016, no município de Osasco, na Grande São Paulo.

De acordo com o exame necroscópico, Alan morreu de hemorragia interna causada por ferimentos decorrentes de três disparos de arma de fogo — um deles na região cervical, entre o queixo e o pescoço, e os outros dois no tórax. Apesar de o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ter, inicialmente, afirmado que a cabeleireira seria a responsável pelos disparos, a defesa dela sustentava que o policial teria atirado contra si mesmo.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi inconclusivo quanto à autoria dos tiros e reconhecia que ambas as possibilidades — homicídio ou suicídio — eram plausíveis.

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Relembre o caso

Alan e Ranielly eram casados há aproximadamente dois anos. Na noite em que o policial militar morreu, o casal havia iniciado uma discussão depois de ele acusar a mulher de tê-lo traído, o que ela nega. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, o promotor Marco Antonio de Souza afirmava que Ranielly não aceitou ter a fidelidade questionada e, por isso, teria pego a arma do marido, uma pistola .40, e atirado contra ele.

A cabeleireira, porém, diz que, durante a discussão, teria sido agredida pelo PM. Por conta disso, ameaçou denunciá-lo à Corregedoria da Polícia Militar. Em seguida, ele teria passado a afirmar repetidas vezes: “Ranielly, minha vida acabou”, antes de pegar a própria arma e atirar contra si mesmo. Ainda segundo Ranielly, Alan sobreviveu ao primeiro disparo e, com dor, pediu para que a esposa o matasse.

Ela nega que tenha matado o policial, mesmo que por pena. Afirma que tirou a arma do chão, colocou-a sobre uma mesa e foi se esconder, com medo de que Alan fizesse algo contra ela. Na sequência, teria visto o PM se levantar, pegar a pistola do móvel, abrir o próprio colete à prova de balas e efetuar os dois últimos disparos.

A perícia observou que tanto a vítima quanto a ré tinham resíduos de pólvora nas mãos. Em laudo assinado no dia 6 de novembro de 2016, o médico perito Sérgio de Paula Moura declarou acreditar que “Alan Damasceno Castro efetuou o primeiro disparo contra a própria cabeça e, tendo falhado em produzir o próprio óbito, procedeu para a execução de mais dois disparos fatais”.

Entretanto, ele acrescentou que, levando em conta a posição dos ferimentos causados pelos projéteis, é “altamente improvável” que Alan Damasceno Castro tenha efetuado os dois últimos disparos, “carecendo de auxílio manual direto para o posicionamento da pistola”.

Já em 2017, em um laudo complementar, o médico legista Hermógenes Biondi Santos considerou “pouco provável” que a vítima tenha se levantado após ser atingida pelo primeiro tiro, andado de cinco a seis metros para pegar a arma, aberto o velcro do colete e efetuado mais dois disparos contra o próprio tórax.

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Como os exames periciais se mostraram compatíveis às duas versões apresentadas, de suicídio ou homicídio, a Promotoria pediu à Justiça a impronúncia do caso, isto é, que ele fosse encerrado sem que a ré fosse a júri popular. Na ocasião, o promotor Marco Antonio de Souza, o mesmo que denunciou Ranielly Antunes Castro, justificou que, embora a perícia reconheça a possibilidade de que Ranielly tenha efetuado os disparos contra Alan, “não declara ser impossível que ele tenha efetuado os três disparos contra si”.

A juíza responsável pelo caso, Élia Kinosita, rejeitou o pedido e determinou que Ranielly fosse julgada pelo Tribunal do Júri. O julgamento estava marcado para o dia 23 de abril, em Osasco, na Grande São Paulo, mas foi adiado para esta quinta (20/8) por motivos de saúde do advogado de Ranielly.