Dez anos após morte do marido PM, cabeleireira vai a júri popular

Defesa da cabeleireira Ranielly Antunes Castro sustenta que o policial Alan Damasceno Castro teria atirado contra si mesmo

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Cabeleireira Ranielly Antunes Castro e o então marido, Alan Damasceno Castro
1 de 1 Cabeleireira Ranielly Antunes Castro e o então marido, Alan Damasceno Castro - Foto: Reprodução

Quase dez anos após a morte do policial militar Alan Damasceno Castro, a cabeleireira Ranielly Antunes Castro vai a júri popular nesta semana. Acusada de homicídio qualificado por motivo torpe, Ranielly afirma que o então marido, à época com 27 anos, teria, na verdade, se suicidado. O caso aconteceu na noite de 25 de outubro de 2016, no município de Osasco, na Grande São Paulo.

O exame necroscópico concluiu que Alan morreu de hemorragia interna causada por ferimentos decorrentes de três disparos de arma de fogo — um deles na região cervical, entre o queixo e o pescoço, e os outros dois no tórax. O laudo, no entanto, é inconclusivo quanto à autoria dos disparos e reconhece que ambas as possibilidades — homicídio ou suicídio — são plausíveis.

Na noite em que o policial militar morreu, o casal havia iniciado uma discussão depois de Alan acusar a mulher de tê-lo traído, o que ela nega. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, o promotor Marco Antonio de Souza afirma que Ranielly não aceitou ter a fidelidade questionada e, por isso, teria pego a arma do marido, uma pistola .40, e atirado contra ele.

A cabeleireira, porém, diz que, durante a discussão, teria sido agredida pelo PM. Por conta disso, ameaçou denunciá-lo à Corregedoria da Polícia Militar. Em seguida, ele teria passado a afirmar repetidas vezes: “Ranielly, minha vida acabou”, antes de pegar a própria arma e atirar contra si mesmo. Ainda segundo Ranielly, Alan sobreviveu ao primeiro disparo e, com dor, pediu para que a esposa o matasse.

Ela nega que tenha matado o policial, mesmo que por pena. Afirma que tirou a arma do chão, colocou-a sobre uma mesa e foi se esconder, com medo de que Alan fizesse algo contra ela. Na sequência, teria visto o PM se levantar, pegar a pistola do móvel, abrir o próprio colete à prova de balas e efetuar os dois últimos disparos.

A perícia observou que tanto a vítima quanto a ré tinham resíduos de pólvora nas mãos. Em laudo assinado no dia 6 de novembro de 2016, o médico perito Sérgio de Paula Moura declarou acreditar que “Alan Damasceno Castro efetuou o primeiro disparo contra a própria cabeça e, tendo falhado em produzir o próprio óbito, procedeu para a execução de mais dois disparos fatais”.

Entretanto, ele acrescentou que, levando em conta a posição dos ferimentos causados pelos projéteis, é “altamente improvável” que Alan tenha efetuado os dois últimos disparos, “carecendo de auxílio manual direto para o posicionamento da pistola”.

Já em 2017, em um laudo complementar, o médico legista Hermógenes Biondi Santos considerou “pouco provável” que a vítima tenha se levantado após ser atingida pelo primeiro tiro, andado de cinco a seis metros para pegar a arma, aberto o velcro do colete e efetuado mais dois disparos contra o próprio tórax.

Como os exames periciais se mostraram compatíveis às duas versões apresentadas, de suicídio ou homicídio, a Promotoria pediu à Justiça a impronúncia do caso, isto é, que ele fosse encerrado sem que a ré fosse a júri popular. Na ocasião, o promotor Marco Antonio de Souza, o mesmo que denunciou Ranielly Antunes Castro, justificou que, embora a perícia reconheça a possibilidade de que Ranielly tenha efetuado os disparos contra Alan, “não declara ser impossível que ele tenha efetuado os três disparos contra si”.

A juíza responsável pelo caso, Élia Kinosita, rejeitou o pedido. Diante da decisão da magistrada, Ranielly será julgada pelo Tribunal do Júri. O julgamento está marcado para a próxima quinta-feira (23/4), em Osasco.

Ao Metrópoles, a defesa da cabeleireira, representada pelo advogado Fernando Pessoa Furegatti, disse esperar que a justiça seja feita. “Confiamos na sociedade de Osasco, que será competente para o julgamento de Ranielly”, afirmou em nota.

“Após longos 10 anos de angústia e sofrimento, não temos dúvida de que após a apresentação de todas as provas obtidas na investigação do presente caso, Ranielly será inocentada, e poderá voltar a viver sua vida com seus dois filhos dentro da maior normalidade possível. Estamos ansiosos para, finalmente, encerrarmos esta etapa crítica de sua vida, com a devida absolvição da Acusada”.

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