Bombeiro vira réu por morte de estudante de medicina em briga de trânsito
Bruno Hashimura San Juliano foi morto a tiros pelo bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira em Taubaté (SP), no dia 30 de setembro

São Paulo — A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou réu o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, baleado em uma briga de trânsito em Taubaté, no interior paulista. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (9/10), pelo juiz Flavio de Oliveira Cesar, da Vara da Infância e Juventude do município.
Oliveira está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, desde o dia 7, quando se entregou à polícia após ter a prisão preventiva decretada. Ele responderá por homicídio qualificado.
A Promotoria acusa Marcos Paulo de Oliveira de homicídio qualificado com motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo o promotor Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo, o bombeiro desembarcou do próprio carro, aproximou-se do veículo de Bruno e golpeou o vidro até quebrá-lo. Em seguida, efetuou os disparos. O estudante chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
O MPSP afirma que o crime ocorreu sob circunstância incapaz de justificar a violência empregada. O promotor pediu ainda para que o bombeiro seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEm nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, representada pelo advogado Claudio Rodrigues, afirma que adotará todas as providências cabíveis em relação à denúncia do Ministério Público de São Paulo, “observando rigorosamente as formalidades, os prazos e as garantias asseguradas no curso do processo, oportunidade em que exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa”.
Disse ainda que “manterá postura de respeito às instituições e ao regular andamento processual, reservando-se a apresentar suas manifestações e teses defensivas nos autos e nos momentos processuais adequados, com fundamento nos elementos de prova que integram o procedimento”.
Na véspera, Oliveira passou por uma nova audiência de custódia e teve a prisão mantida.
Relembre o caso
- O caso aconteceu no dia 30 de setembro, na Avenida Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté, no interior paulista.
- De acordo com o boletim de ocorrência, o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira alegou, durante depoimento à polícia, que pensava estar sendo vítima de um assalto.
- Ele afirmou ter visto nas mãos da vítima, o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, um objeto da cor prateada, que pensou se tratar de uma arma de fogo.
- Em seu depoimento, o bombeiro também disse que Bruno teria quebrado o vidro de seu carro, quando ele teria efetuado os disparos.
- Bruno Hashimura chegou a ser socorrido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
- A ocorrência foi registrada no 1º Distrito Policial de Taubaté como homicídio consumado
- Ao decidir pela prisão, o delegado responsável pelo caso afastou a tese da legítima defesa.
- Ainda segundo o boletim, não foram identificados elementos objetivos que demonstrassem que a vítima teria anunciado um assalto ou exibido arma de fogo. por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Câmera registrou início da briga
Uma câmera de segurança flagrou o início da briga de trânsito que terminou na morte do estudante de medicina. Nas imagens, é possível ver que os dois seguiam na mesma direção por volta das 6h58 em uma curva que dá acesso ao túnel que liga a Rua Professora Maria Escolástica de Jesus à Avenida Professor Walter Thaumaturgo, chamada de Avenida do Povo.
Cada veículo trafegava em uma faixa até que, na entrada do túnel, a pista é convertida para faixa única. Nesse momento, a gravação mostra o Jeep Renegade preto dirigido pelo bombeiro ultrapassando o Chevrolet Prisma conduzido pelo estudante pela faixa da direita.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasBruno Hashimura, então, buzina. Em seguida, Marcos Paulo Oliveira chega a frear, aparentemente em resposta à reação do estudante. Por fim, o bombeiro avança, e o trânsito segue normalmente. O registro foi feito minutos antes dos disparos que mataram Bruno. As imagens também registraram o momento em que Bruno corre na calçada com a mão no peito, após ser baleado.
