Bolsonaristas puxam coro contra Lula, Moraes e Toffoli na Paulista. Siga no YouTube
Ato deste domingo foca na anistia aos condenados pelo 8/1, prisão domiciliar a Bolsonaro, ataques a Lula, e impeachment de ministros do STF
atualizado
Compartilhar notícia

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (1º/3), para o primeiro ato bolsonarista deste ano, com foco na redução das penas aos condenados pelo 8/1, na prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nos ataques ao governo Lula e no impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ato deste domingo é o primeiro desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, e da escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República pelo campo bolsonarista. O tom das críticas ao STF, no entanto, não é consenso entre os organizadores.
A manifestação “Acorda Brasil” foi convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo pastor Silas Malafaia, e também acontece em outras capitais brasileiras. Em São Paulo, além de Flávio, outros dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), foram ao ato na Avenida Paulista neste domingo.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desfalca a manifestação bolsonarista porque viajou para a Alemanha para participar do evento Intercontinental Dialogues, que terá a participação do ministro do STF André Mendonça, além de outras autoridades do mundo jurídico, político e empresarial.
Vários deputados estaduais e federais de São Paulo discursaram em cima do trio elétrico na Paulista para um público que segurava faixas e cartazes com os dizeres “Libertem Bolsonaro”, “Fora Moraes”, “Fora Lula” e “STF Organização Criminosa”.
Em uma rápida fala líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), puxou um coro “Fora Alexandre de Moraes” e “Fora Lula” repetidas vezes em cima do trio elétrico. Na sequênia, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) incluiu o nome do ministro Dias Toffoli na lista de ataques.
O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, que fez um breve discurso atacando o presidente Lula e poupando o STF. Derrite chamou o petista de “descondenado” e celebrou a aprovação do PL Antifacção, do qual foi relator. “Acabamos com o direito do voto dentro de presídio. Chega de bandido votar”, disse.
“A gente sabe que nada do que está acontecendo é legal. Tudo é uma perseguição política, foi julgado por um tribunal de inimigos. Então, a gente precisa mostrar para o sistema que a gente está mais vivo do que nunca”, disse o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Já a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) explicou que ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não foi ao ato em São Paulo porque fez uma cirurgia recente e citou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataque feito pelos Estados Unidos e Israel, como exemplo de combate a regimes opressores. “Estamos assistindo no mundo um grande despertar. O regime opressor ruiu, viva a liberdade”, disse.
Em cima do trio, a parlamentar listou o repertório dos ataques bolsonaristas ao STF e a Lula, incluindo as suspeitas sobre o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo do INSS. “Estamos revelando os corruptos, não só os pequeninos. Os grandes tubarões também. Nós relevamos o esquema do Lulinha. Nós queremos os corruptos na cadeia e queremos liberdade para os presos políticos, para os perseguidos”, disse.
“Vamos buscar a CPMI do Banco Master. Nós não temos bandido de estimação. Nós queremos todos os corruptos na cadeia. Libertem Jair Messias Bolsonaro. E fora Lula, fora Toffoli, fora Moraes. Acorda Brasil”, disse Bia Kicis.
Divisão sobre ataques ao STF
Entre os entusiastas do ato, há uma divisão sobre o nível dos ataques ao STF. Uma ala dos bolsonaristas entende que a pressão por um impeachment do ministro Dias Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula poderia nomear para o lugar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do Centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Outra ala acredita que o impeachment de Toffoli abriria um precedente para o impedimento de outros magistrados da Suprema Corte, como o ministro Alexandre de Moraes. Esse pensamento é vocalizado, por exemplo, pelo pastor Silas Malafaia.
“Para o Lula trabalhar para o impeachment de Toffoli, tem que trabalhar para o impeachment de Moraes. Então, ele não tem saída”, afirma Malafaia ao Metrópoles.
Organizadores do ato cogitaram pedir a assinatura de um termo de responsabilidade para quem discursar no trio elétrico que estará estacionado na esquina da Paulista com a rua Peixoto Gomide.
O documento redigido por advogados foi pensado para que as falas não tenham ataques pessoais a instituições ou descumpram a legislação eleitoral, como a que veda propaganda eleitoral antecipada.
A ala bolsonarista que prefere evitar ataques a ministros do STF defende a anistia como pauta principal do ato. Diante dessa disputa sobre o tema principal do protesto, os organizadores elaboraram uma convocação com pauta difusa. Foram elencados seis assuntos: liberdade aos presos do 8 de janeiro de 2023, harmonia entre os Poderes, combate a corrupção, a aumento de impostos, a prejuízos de estatais e a aumento da criminalidade.






























