Ato bolsonarista prevê protocolo para não afrontar STF e lei eleitoral
Organizadores do ato pró-Jair Bolsonaro cogitam pedir assinatura de “termo de responsabilidade” a quem for discursar na Avenida Paulista
atualizado
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A organização do ato de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista cogita solicitar a assinatura de um termo de responsabilidade para quem for discursar no próximo domingo (1º/3).
O documento redigido por advogados pretende garantir que as falas não tenham ataques pessoais, a instituições ou descumpram a lei eleitoral para evitar que a manifestação possa ser enquadrada como propaganda antecipada.
Desde a prisão do ex-presidente, a manifestação é a primeira com um pré-candidato identificado pelo bolsonarismo. Em dezembro, Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como pré-candidato à presidência.
Diferente das outras manifestações que eram organizados pelo pastor Silas Malafaia, desta vez, a organização do ato ficou por conta dos movimentos Acorda Brasil, dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), e NasRuas, do deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP).
Malafaia se mostra contrário ao protocolo. Segundo ele, quando organizou os atos, nenhuma medida como essa foi necessária. O pastor diz, inclusive, que está preparando o “discurso mais duro” que já fez na Paulista e que irá atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“As pessoas são livres e respondem pelo que falam. Cada um responde pelo que fala, meu amigo. Isso é lei. Não existe você ser responsável pela fala de um maior de idade”, disse Malafaia ao Metrópoles.
Há uma discordância no bolsonarismo com relação à pauta da manifestação. O principal ponto de divergência é a crítica ao ministro José Antônio Dias Toffoli, do STF. O magistrado ficou no holofote após ter se declarado impedido de relatar o caso Master por ter negociado um resort no Paraná com pessoas ligadas ao dono do banco, Daniel Vorcaro.
O bolsonarismo se divide em duas interpretações sobre a pressão pelo impeachment de Dias Toffoli. Uma ala avalia que um eventual impedimento, ainda que improvável em ano eleitoral, seria bom para Lula, que daria uma resposta a escândalos de corrupção e poderia indicar um aliado ao STF.
Uma indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, por exemplo, poderia atrair aliados do centrão para a campanha petista, principalmente, em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Pré-candidatos confirmados
Além de Flávio, outros dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), confirmaram aos organizadores que vão ao evento. Outros dois pré-candidatos do PSD, os governadores Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, foram convidados, mas ainda não responderam.
Ex-ministros do governo Bolsonaro, Rogério Marinho e Gilson Machado vão ao evento – nas eleições, Marinho será coordenador da campanha de Flávio e Machado deve se candidatar ao Senado em Pernambuco. Fora do espectro eleitoral, o advogado de Jair Bolsonaro, Paulo Cunha Amador Bueno, também deve estar presente.
Nomes cotados ao Senado em São Paulo também confirmaram presença. É o caso dos deputados federais Mário Frias (PL) e Marcos Feliciano (PL), do deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) e do vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL). O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também deve ir ao ato.
Ato será bancado por vaquinha
De acordo com os organizadores, uma “vaquinha” promovida pelos parlamentares à frente da organização do evento deve bancar o custo do ato. Será alugado o trio elétrico “Demolidor”, que ficará estacionado na esquina da Avenida Paulista com a rua Peixoto Gomide. O custo estimado para o ato é de R$ 130 mil.
























