Bikes elétricas e autopropelidos disputam espaço nas ciclovias de SP
Bikes elétricas e autopropelidos disputam espaço nas ciclovias de SP com ultrapassagens arriscadas e imprudência, sem limite ou fiscalização
atualizado
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As ciclovias mais movimentadas da cidade de São Paulo têm se tornado um campo de batalha e tensão com o aumento na circulação de bikes elétricas e autopropelidos, que são permitidos por lei nesses locais. Sem regulamentação da prefeitura sobre fiscalização ou limite de velocidade nessas vias exclusivas, parte dos condutores têm adotado comportamento imprudente e colocado em risco quem pretende escapar do trânsito de forma ágil, relativamente econômica e menos poluente, algumas das vantagens desse tipo de deslocamento.
Primeiro, as definições. De forma bem simplificada, autopropelidos são patinetes, pequenas scooters e até mesmo bicicletas elétricas que contam com aceleradores e podem circular a até 32 km/h, com motores de 1.000 watts de potência no máximo, sem exigência de CNH ou registro, segundo as regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Já as bikes elétricas têm as mesmas limitações e benefícios estabelecidos pelo Contran, mas não contam com aceleradores, pois a “força extra” vem somente se a pessoa pedalar. Acima dessas duas categorias estão os ciclomotores (com potência e velocidade mais elevadas), que não podem rodar em ciclovias em hipótese alguma.
A resolução do Contran entrou em vigor no dia 1º de janeiro, quando muitas ciclovias já estavam tomadas por elétricos. Os condutores costumam ser pessoas que abandonaram os carros para ganhar em agilidade e economia no caminho entre a casa e o trabalho. Na Avenida Brigadeiro Faria Lima, por exemplo, o número de autopropelidos e bikes elétricas chega a ser superior ao de bicicletas comuns no horário de pico. Tanta potência e vontade de acelerar têm gerado conflitos, que foram relatados e até presenciados pelo Metrópoles nas últimas semanas.
A ciclovia da Faria Lima chega a ter congestionamento no início da noite, com filas gigantescas de condutores. Muitos acabam se arriscando em ultrapassagens, com velocidade elevada, gerando conflitos que trazem insegurança para todos. A situação piora à medida que escurece, porque diversos trechos, sob a copa das árvores, estão mal iluminados. O ponto positivo é a recente atualização da sinalização horizontal.
Leva-se em consideração também que autopropelidos e bikes elétricas podem ter até três vezes o peso de uma bicicleta comum, o que aumenta o potencial de gravidade em caso de acidente. Além disso, alguns proprietários desbloqueiam facilmente o limite de velocidade de fábrica (32 km/h), podendo atingir algo em torno de 50 km/h, o que acarreta em perda de garantia do produto, danos ao equipamento, fora a infração legal.
Os vereadores Renata Falzoni (PSB) e Dr. Murillo Lima (PP) apresentaram uma proposta de regulamentação para o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Entre uma série de recomendações, estabelecem que a velocidade máxima nas ciclovias da capital paulista deveria ser de 20 km/h, mais condizente com o traçado e a segurança de quem por elas circula. Também recomendam que, em até 10 anos, bikes elétricas e autopropelidos tenham limitador eletrônico de velocidade para circular nessas vias. A fiscalização caberia aos agentes da CET. Ou seja, não é uma proibição, mas uma tentativa de colocar “ordem na casa”.
A diferença entre a velocidade máxima permitida pelo Contran (32 km/h) e o limite para as ciclovias é fácil de compreender. Como um carro que tem autorização para ser produzido com potência suficiente para chegar a 200 km/h. Entretanto, ao passar por uma via com máxima de 40 km/h, esse mesmo veículo deve respeitar a limitação.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz que a velocidade máxima permitida para bicicletas elétricas e autopropelidos está sendo analisada para futura regulamentação.
A prefeitura afirma que bicicletas elétricas e autopropelidos devem obrigatoriamente possuir itens de segurança como indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna, “embora o Código de Trânsito Brasileiro dispense o registro ou licenciamento para tais modalidades”.
A Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito (SEMTRA) diz que mantém diálogo contínuo sobre a regulamentação e o comportamento dos usuários na Câmara Temática de Bicicleta, onde são avaliadas as demandas de convivência e segurança viária.
“No caso específico da ciclovia da Avenida Faria Lima, a sinalização e o pavimento foram revitalizados em março de 2025 pelo Programa de Manutenção Permanente da Malha Cicloviária. Quanto à iluminação e visibilidade sob as árvores, a Subprefeitura Pinheiros realiza podas periódicas, tendo executado a última intervenção em fevereiro deste ano”, diz.
Segundo a prefeitura, uma nova vistoria está programada para avaliar a necessidade de serviços de zeladoria e, se constatada deficiência luminosa após a poda, a SP Regula conduzirá um estudo luminotécnico para ajustar os pontos de luz ao longo do trajeto.














