Raio-X de atropelamentos em SP revela piores dias, locais e horários

Cidade de São Paulo teve 409 mortos por atropelamentos de pedestres em 2025, em mais de 3.606 acidentes dessa natureza, segundo o Detran

atualizado

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1 de 1 Imagem mostra pedestres na rua - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

Mais de 400 pedestres morreram no trânsito das ruas de São Paulo no ano passado, segundo os dados do Infosiga, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A análise dos números relacionados aos atropelamentos mostra que há horários, dias e locais com maior incidência desse tipo de acidente.

Segundo os números do Detran, foram 3.606 atropelamentos em 2025, com 3.956 pedestres atingidos. Os 406 casos deixaram 409 mortos. Entre os atropelados, 354 tiveram ferimentos graves e 3.290, leves.

Maior parte da frota é formada por automóveis e isso se refletiu também na participação desse tipo de veículo na quantidade de atropelamentos, com envolvimento em 1.484 casos, superando motos (1.163), ônibus (479), 112 (bicicletas) e caminhões (79).

A sexta-feira foi o dia da semana com o maior número de atropelamentos de pedestres na capital, com 597 casos. Em média, 11 pessoas foram atropeladas a cada sexta no ano passado.

O início da noite é o período com maior incidência desse tipo de sinistro. A volta para casa da maioria da população, das 18h às 19h59, teve quase 15% do total dos acidentes dessa natureza na capital paulista.

A Avenida Senador Teotônio Vilela liga a região de Interlagos a Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Historicamente, é um dos locais com mais atropelamentos na capital paulista. No ano passado, não foi diferente, liderando o ranking desse tipo de acidente na cidade.


Via – Atropelamentos

  1. Avenida Senador Teotonio Vilela – 41
  2. Marginal Tietê – 37
  3. Estrada do M’Boi Mirim – 33
  4. Estrada de Itapecerica – 31
  5. Avenida do Estado – 28
  6. Avenida Sapopemba – 27
  7. Avenida Celso Garcia – 27
  8. Avenida Marechal Tito – 24
  9. Rodovia Fernão Dias (BR 381) – 24
  10. Avenida Inajar de Souza – 23

Atravessar a Teotônio Vilela de um lado a outro é correr risco. Veículos, em especial as motos, cruzam o sinal vermelho e, até por isso, mesmo atravessar na faixa de pedestre é algo perigoso.

A pedagoga Luciana Veiga, 51 anos, por pouco não entrou para as estatísticas. “Eu mesma já fui quase atropelada aqui”, diz, citando um quase atropelamento por moto.

“O farol de pedestre demora muito. As pessoas acabam se arriscando no meio de carros, motos e ônibus”, afirma a professora Caroline Costa de Oliveira, 38 anos

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Avenida Senador Teotônio Vilela, na zona sul de São Paulo
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A insegurança para pedestres na Teotônio Vilela não é uma novidade. Os problemas se arrastam há décadas e a enfermeira Eline Maria de Andrade, 41 anos, conta que já presenciou acidentes e teve pessoas próximas à família afetadas.

“A avó do meu marido faleceu, em 1998, em uma faixa de pedestre. O motoqueiro passou, mesmo com o farol aberto para pedestres”, diz.

Recomendação descumprida

A Prefeitura de São Paulo tem manual que recomenda a instalação de uma faixa de pedestre a cada 100 metros, como forma de estimular a travessia segura. Entretanto, não é difícil encontrar lugares na cidade onde essa orientação é desconsiderada pela própria administração municipal.

Como exemplo, um pedaço da Rua Vergueiro se tornou uma verdadeira barreira que divide os dois lados da Vila Mariana, na zona sul.

Entre a Rua Diderot e a Avenida Prefeito Fabio Prado, há apenas uma faixa de pedestres que permite a travessia de um lado a outro da via, ao longo de 820 metros.

Com as mudanças no perfil de ocupação do bairro, a rua passou a contar nos últimos anos com fachadas ativas, academias, salões de beleza, agências bancárias, entre outros, em ambos os lados. Para atravessar em segurança, entretanto, é preciso caminhar bastante. Ou correr o risco de ser atropelado.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirma que tem adotado medidas para ampliar a segurança no viário urbano, como Áreas Calmas, com limite de 30 km/h, Rotas Escolares Seguras, redução de velocidade em vias, ampliação do tempo de travessia, implantação de mais de 10 mil faixas de pedestres, travessias elevadas, minirrotatórias e o Programa Operacional de Segurança em locais com maior índice de acidentes.

Segundo a prefeitura, o Plano de Metas Municipal também prevê a implantação de tempo integral nas passagens de pedestres semaforizadas em vias com canteiro central, reduzindo o tempo de espera, e as Frentes Seguras (boxes de motos na espera do semáforo veicular), que ampliam a segurança e a visibilidade entre pedestres e veículos.

A prefeitura diz que agentes da CET fiscalizam diariamente toda a extensão da Teotônio Vilela. “Desde dezembro de 2024, a avenida recebeu duas novas travessias semaforizadas: uma junto à Rua São Roque do Paraguaçu, na altura do nº 4.954, e outra sob a passarela no cruzamento com a Av. Dona Belmira Marin, ampliando a segurança dos pedestres”, afirma.

Com relação às motocicletas, as infrações mais recorrentes na Teotônio Vilela são desrespeito ao semáforo vermelho e circulação sobre passeio/calçada. “Em 2026, até 12/3, foram lavradas 221 autuações a motos, considerando apenas fiscalizações manuais realizadas pela CET”, diz.

Na Rua Vergueiro, entre a Rua Diderot e a Av. Pref. Fábio Prado, será implantado um semáforo e uma nova faixa de pedestres junto à Rua Paulo Figueiredo, localizada no trecho citado, segundo a prefeitura.

A prefeitura diz que, para reduzir a quantidade e a gravidade das ocorrências, todos os motoristas de ônibus passam por treinamentos obrigatórios de direção defensiva e prevenção de acidentes.

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