Em áudio, PM morta com tiro pediu ajuda ao pai para achar casa nova. Ouça

Advogado da família de Gisele Alves divulgou um áudio que sugere que a PM planejava sair da casa onde vivia com o tenente-coronel Rosa Neto

atualizado

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Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles
1 de 1 Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O advogado da família da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento no centro de São Paulo onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, divulgou um áudio que sugere que a policial planejava se mudar, segundo ele.

De acordo com o advogado José Miguel da Silva, a gravação foi enviada por Gisele ao pai, no ano passado, e mostra que ela pedia ajuda para encontrar uma casa nova, preferencialmente perto da residência dos pais.

“Não, pai, pra mim é melhor ir na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor. Por quê? De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar. E aí eu vou ter que deixar a [filha] dormindo aí, entendeu? Era isso aí que eu ‘tava’ pensando. E aí se for lá no Jardim Helena, eu vou ter que ir lá voltar ‘pro’ [Jardim] Romano e aí do Romano pegar o trem pra ir trabalhar cedo, entendeu? Aí não compensa. Então quanto mais perto, melhor, porque eu já deixo ela aí e já pego o trem pra ir trabalhar”, diz Gisele no áudio divulgado.

Em entrevista ao Metrópoles, o advogado afirmou que a policial vivia sob pressão no relacionamento. Segundo ele, “Gisele estava clamando por socorro” e teria sido impedida de manter contato com familiares, além de enfrentar dificuldades até para tomar decisões simples do dia a dia. O advogado sustenta ainda que Gisele manifestava o desejo de se separar, o que, na avaliação da família, contraria a versão inicial de suicídio apresentada no caso.

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
Em áudio, PM morta com tiro pediu ajuda ao pai para achar casa nova - imagem 4
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o  tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

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Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo
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Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo

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Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
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Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás
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Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás

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Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares
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Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares

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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana
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O tenente-coronel Geraldo Leite e a PM Gisele Alves Santana

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Nessa segunda-feira (16/3), o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto voltou a criticar o advogado que representa a família de Gisele. O oficial afirmou que as declarações feitas pelo advogado José Miguel da Silva seriam “uma dezena de mentiras” e disse que o advogado deveria passar por uma avaliação psiquiátrica.

As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Brasil Urgente, na TV Bandeirantes. Em outro momento da conversa, o tenente-coronel também classificou o advogado como um “cineasta”, sugerindo que o caso estaria sendo construído de forma forçada e midiática.

Durante a entrevista, o coronel também comentou áudios atribuídos à policial militar, nos quais ela teria pedido ajuda ao pai e relatado que não suportava mais a situação no relacionamento. Segundo o tenente-coronel, o material seria falso e teria sido produzido com o uso de inteligência artificial.

“Ela deu um tiro na cabeça”

Gravações das ligações feitas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aos serviços de emergência também passaram a integrar a investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal. Nos áudios, o oficial pede socorro enquanto descreve o estado da esposa logo após o disparo.


Em determinado momento da ligação, o tenente-coronel afirma que a policial teria tirado a própria vida. “Ela se matou”, diz inicialmente ao atendente. Pouco depois, ao ser questionado se havia verificado a respiração da vítima, ele indica que Gisele ainda apresentava sinais de vida. “Ela tá muito ruim, ela deu um tiro na cabeça. Manda o resgate logo”, respondeu. A sequência chama a atenção porque, no mesmo telefonema, o oficial afirma primeiro que a esposa teria se matado e, em seguida, pede socorro alegando que ela ainda estava em estado grave.

O Metrópoles também teve acesso à ligação feita pelo oficial ao 193, do Corpo de Bombeiros, realizada logo após o contato com a Polícia Militar. No áudio, o tom de voz do coronel aparece diferente daquele ouvido na conversa com o 190. Enquanto na chamada à PM ele fala de forma mais controlada e protocolar, no contato com os bombeiros a fala é mais tensa e emocional, com pausas e expressões de desespero ao relatar a situação da esposa.

A mudança de entonação ocorre justamente quando o oficial insiste na necessidade de socorro imediato. Diferentemente da narrativa mais objetiva usada na ligação à Polícia Militar, no telefonema aos bombeiros ele demonstra maior aflição ao descrever o estado da vítima e pedir rapidez no atendimento.

Abuso de autoridade

Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconheceu que condutas atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que na época atuava como major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M), configuraram abuso de autoridade contra uma policial militar subordinada. O caso ocorreu em 2022 e está relacionado a um episódio de perseguição profissional dentro da unidade.

De acordo com a decisão judicial, a policial afirmou ter sido alvo de medidas consideradas abusivas por parte do então comandante. Após análise das provas reunidas no processo, a Justiça concluiu que houve abuso de autoridade e determinou a condenação do estado de São Paulo ao pagamento de indenização por danos morais à policial, no valor de R$ 5 mil. A decisão estabelece que o montante seja corrigido e acrescido de juros pela taxa Selic a partir da sentença, destacando ainda o caráter “didático-pedagógico” da medida, com o objetivo de coibir novas condutas semelhantes.

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