Após férias nos EUA, Tarcísio retorna a SP em meio a tensão com PP

Tarcísio de Freitas retorna aos trabalhos após passar 17 dias em férias nos Estados Unidos. Vice Felício Ramuth ocupou cargo no período

atualizado

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João Valerio / Governo de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
1 de 1 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) - Foto: João Valerio / Governo de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), retorna aos trabalhos nesta segunda-feira (12/1) após passar as férias de fim de ano nos Estados Unidos. O mandatário teve o afastamento de 17 dias publicado no Diário Oficial em 22 de dezembro.

De acordo com a assessoria do governador, a princípio, Tarcísio deve passar o dia em despachos e compromissos internos no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na zona sul da capital. Uma reunião deve definir as agendas do resto da semana.

Após passar 2025 no centro das especulações sobre uma possível candidatura presidencial em 2026, Tarcísio inicia o ano eleitoral com foco na reeleição em São Paulo, após a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como o representante do bolsonarismo na corrida à Presidência da República.

Aliados do governador, no entanto, ainda não descartam que Tarcísio possa ser novamente instado a disputar a cadeira, caso a candidatura de Flávio não decole.

Pressão do PP e “fator Flávio”

Enquanto estava fora do país, Tarcísio passou ser pressionado por um dos principais partidos de sua base aliada: o Progressistas (PP). No período, o partido publicou uma nota externando a insatisfação com o governador de São Paulo.

O comunicado fala em queixas de prefeitos, descontentamento de parlamentares e “distanciamento entre membros do atual governo estadual e a direção partidária do Progressistas, tanto em nível nacional quanto estadual”.

Como mostrou o Metrópoles, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) influenciou o PP a externar o descontentamento com Tarcísio. Neste momento, com Tarcísio mais distante das eleições presidenciais, o PP quer ajudar a montar palanques para Flávio.

Segundo aliados, embora não admitam publicamente, a relação entre o filho 01 do ex-presidente e Tarcísio ficou estremecida após o senador anunciar que será candidato à Presidência em 2026. O governador era tido como candidato favorito do mercado financeiro para disputar as eleições contra Lula e, agora, demonstra apoio tímido a Flávio.

Nesse turbilhão, o PP abriu a possibilidade de lançar uma candidatura própria nas eleições paulistas, mesmo no caso de Tarcísio tentar reeleição.

Na última semana, parlamentares do Progressistas se reuniram com o ex-integrante do governo Tarcísio, Filipe Sabará. Ele foi convidado para entrar no partido e há expectativa de que a filiação ocorra em fevereiro.

Na conversa, foi ventilada a possibilidade de uma candidatura ao governo estadual. Sabará tem dito que só levará adiante a ideia de tentar ser governador de São Paulo se Tarcísio fizer corpo mole no apoio a Flávio.

O presidente do diretório paulistano do PP, Rafael Rodas, o deputado Fausto Pinato (PP-SP), Filipe Sabará e o deputado e presidente do PP em SP, Maurício Neves.

Sabará articulou a campanha de Pablo Marçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo e agora tem sido o elo de Flávio com o empresariado paulistano, e diz que está 100% focado na pré-candidatura do filho 01 de Bolsonaro.

Outros nomes sondados pelo PP são do deputado Ricardo Salles (Novo), que não deve se filiar ao partido, e o ex-governador Rodrigo Garcia, que está sem partido.

Venezuela e embates com o PT

Durante as férias, Tarcísio foi às redes sociais para alfinetar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao se manifestar sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.

Em postagem feita no dia 3 de janeiro, o governador afirmou que o mundo amanheceu com uma imagem simbólica de um “ditador cruel e corrupto capturado”.

Ao afirmar que uma ditadura não cai “da noite para o dia”, ele acrescentou que “tudo isso só foi possível ao longo do tempo que houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”.

A frase é uma menção à proximidade histórica de Lula com o regime chavista na Venezuela, do qual o presidente brasileiro se afastou desde 2024, após indícios de fraude na eleição daquele país.

Em outro trecho de sua manifestação, Tarcísio voltou a mencionar indiretamente o governo atual, ao afirmar que a Venezuela está “vencendo a esquerda”. “E no final do ano, o Brasil também vence”.

Governador interino durante a ausência de Tarcísio, o vice Felício Ramuth (PSD) também usou o episódio na Venezuela para entrar em embate com o PT.

Em meio ao julgamento dos Estados Unidos contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro por suposta relação com o narcotráfico, o governador em exercício chamou a legenda rival “narcoafetiva”.

Ramuth se referiu ao PT com o termo na última segunda-feira (5/1), dois dias após ao ataque norte-americano contra a Venezuela, que deteve Maduro. Em agenda na zona sul da capital, ele comentou sobre a possibilidade de São Paulo receber imigrantes venezuelanos e emendou as críticas ao partido de Lula.

“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas que estão na fronteira a retornar ao seu país, onde ele [o cidadão venezuelano] vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado narcoafetivo, como o PT que nós temos aqui no nosso país. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo. Assim como a gente tinha o regime na Venezuela narcodependente”, disse o político.

No dia seguinte, o PT comunicou em nota que iria entrar com uma ação judicial contra o vice-governador de São Paulo. O partido diz que se trata de “tentativa deliberada de manipulação da opinião pública por meio de notícias falsas”.

“Mentiras, fake news e tentativa de manipulação da opinião pública são expedientes que a direita brasileira tenta normalizar, mas são inaceitáveis. Quanto mais vindas de uma autoridade eleita”, afirma o secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares.

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