Golpe de facão e nariz quebrado: as agressões de Cupertino contra a ex

Vanessa Tibcherani, ex-companheira de Paulo Cupertino Matias, afirma que o réu já lhe deu golpes de facão e quebrou suas costelas e nariz

atualizado

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Polícia Civil/Reprodução
Homem branco de cavanhaque com o semblante sério. Paulo Cupertino Matias - Metrópoles
1 de 1 Homem branco de cavanhaque com o semblante sério. Paulo Cupertino Matias - Metrópoles - Foto: Polícia Civil/Reprodução

Vanessa Tibcherani, ex-companheira de Paulo Cupertino Matias, detalhou as agressões que sofreu durante os 22 anos de relacionamento que teve com o acusado de matar o ator Rafael Miguel e seus pais, Miriam Selma Miguel e João Alcisio Miguel, em 9 de junho de 2019.

A mulher relatou os episódios de violência durante depoimento prestado em tribunal do júri realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, nesta quinta (29/5). A audiência, que está no primeiro dia, julga o triplo homicídio.

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Instituto de Criminalística usou tecnologia para ilustrar como corpos ficaram caídos
Drone foi usado para registrar toda a cena do crime
Paulo Cupertino foi condenado nessa sexta-feira (30/5) a 98 anos de prisão em regime fechado
Rafael Miguel, morto a tiros com a família por Paulo Cupertino
Paulo Cupertino em sítio em Mato Grosso do Sul
Plenário do júri de Paulo Cupertino, no Fórum Criminal de SP
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Plenário do júri de Paulo Cupertino, no Fórum Criminal de SP

Divulgação/TJSP
Instituto de Criminalística usou tecnologia para ilustrar como corpos ficaram caídos
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Instituto de Criminalística usou tecnologia para ilustrar como corpos ficaram caídos

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Drone foi usado para registrar toda a cena do crime
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Drone foi usado para registrar toda a cena do crime

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Paulo Cupertino foi condenado nessa sexta-feira (30/5) a 98 anos de prisão em regime fechado
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Rafael Miguel, morto a tiros com a família por Paulo Cupertino
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Rafael Miguel, morto a tiros com a família por Paulo Cupertino

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Paulo Cupertino em sítio em Mato Grosso do Sul

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Repórter Marcelo Moreira, da Band, conversa sem câmeras com Paulo Cupertino
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Repórter Marcelo Moreira, da Band, conversa sem câmeras com Paulo Cupertino

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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu
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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu

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Vanessa descreveu Cupertino como um homem misógino, agressivo e pouco afetuoso. “Não tinha afeto, abraço, gestos de carinho. Quando tinha, era muito engessado”, disse.

A relação começou quando Cupertino ainda era casado com Maria Quitéria de Oliveira, testemunha de defesa no julgamento. Vanessa e o empresário não moravam juntos, mas mantinham um relacionamento afetuoso até três meses antes do crime.

De acordo com o depoimento da mulher, a relação acabou por conta “da situação da filha”, Isabela Tibcherani, que era impedida pelo pai de namorar com o ator. A desaprovação do relacionamento entre os adolescentes teria motivado o crime (veja mais abaixo).

Vanessa relatou ainda que conhecia o passado criminal de Cupertino, que teria sido preso por roubo a um carro forte antes da relação – crime do qual foi absolvido após um ano e meio de reclusão. Ela também sabia que ele portava uma arma de fogo, mas diz que o revólver era mantido guardado, e poucas vezes estava exposto.

Golpes de facão e nariz quebrado

Em testemunho, com voz firme e serena, Vanessa detalhou diversos episódios em que foi agredida por Cupertino. Segundo ela, em uma ocasião, o réu a golpeou com a lâmina de um facão, deixando suas costas marcadas.

Ele também teria quebrado as costelas da ex-companheira – três vezes de um lado, e quatro vezes de outro, bem como quebrado o nariz da mulher também por quatro vezes.

“Era tão recorrente”, disse a testemunha. “Ele não tinha alvo, não tinha mira”, completou, se referindo ao próprio corpo.

Vanessa chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o então companheiro em 2004, por lesão corporal. O acusado, no entanto, ameaçou a família da mulher, o que a fez retirar a denúncia. Segundo ela, ele já teria agredido também a sogra, mãe de Vanessa.

Além da vida pessoal, as agressões teriam afetado também a carreira profissional da mulher. “Perdi muitas vezes o emprego por ser espancada, porque chegava com a cara toda marcada”, relatou.

De acordo com o testemunho, as demissões ocorreram também recentemente, porque ela ficou conhecida por ser companheira do acusado de triplo homicídio.

Vanessa disse ainda que não imagina que ele possa ter planejado o crime, mas que seria capaz de cometê-lo pois a agrediu durante todo o relacionamento.

A mulher se emocionou enquanto respondia os advogados de defesa do réu, no momento em que relatou que a filha, Isabela, a julgou culpada pelos assassinatos, por não ter se posicionado firmemente contra o pai.


Entenda como será o julgamento

  • O julgamento pelo Tribunal do Júri começa com o sorteio dos jurados: de uma lista de 25 nomes, sete são sorteados para compor o Conselho de Sentença.
  • Os jurados sorteados fazem a leitura das peças principais do processo, para se inteirar do caso julgado.
  • O Conselho de Sentença que decide sobre a condenação ou absolvição dos réus, cabendo ao juiz somente presidir os trabalhos, realizar a dosimetria da pena em caso de condenação e redigir a sentença.
  • Após a leitura dos casos, começam as oitivas das testemunhas.
  • Depois das testemunhas, começa a fase dos debates, quando representantes da Acusação, da Defesa e do Ministério Público expõem suas teses ao Conselho de Sentença.
  • A fase dos debates funciona da seguinte forma: Primeiro, a Acusação tem a palavra. O promotor de Justiça Thiago Alcocer Marin, representando o Ministério Público, e a assistente de Acusação Maria Gorete Silva Carvalho terão a palavra por duas horas e meia.
  • A seguir, será a vez da defesa dos réus, por mais duas horas e meia. Se houver réplica do MP, o tempo é de mais duas horas para a Acusação e igual tempo para a tréplica da Defesa.
  • Após os debates, o Conselho de Sentença se reúne na sala secreta para votar os quesitos e decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus.
  • A etapa final é a preparação da pena e leitura da sentença pelo juiz.

Quem serão as testemunhas

Neste julgamento, há nove testemunhas para serem ouvidas: uma de acusação; três comuns ao Ministério Público (MPSP) e ao réu, Paulo Cupertino; três de defesa de réu Paulo Cupertino e duas de defesa do réu Wanderley Antunes Ribeiro Senhora, que é acusado de ajudar Cupertino na fuga após o crime.

A acusação irá levar Maria Gorete Silva Carvalho, irmã de Miriam e tia de Rafael. Do lado das testemunhas comuns entre o MPSP e Cupertino, estão a filha de Cupertino, Isabela Tibcherani Matias, a ex-companheira de Cupertino e mãe de Isabella, Vanessa Tibcherani de Camargo, e a irmã mais velha de Rafael Miguel, Camila Patrícia Miguel.

As testemunhas de defesa de Cupertino são João Vitor Silva, Guiomar Cupertino Matias e Maria Quitéria de Oliveira.

Já as testemunhas de defesa de Wanderley são Angela Evangelista de Souza e Wagner Santana Furtado.

Relembre o caso

O triplo assassinato aconteceu em 2019 em Pedreira, na zona sul da capital paulistana. De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Paulo Cupertino matou o ator Rafael Miguel, que na época tinha 22 anos, o pai dele, João Alcisio Miguel, de 52, e a mãe, Miriam Selma Miguel, de 50, porque não aceitava o namoro do jovem com a filha dele, Isabela Tibcherani, na época com 18 anos.

Os pais do ator estavam no local porque queriam conversar com Cupertino sobre o namoro dos filhos.

Segundo a denúncia, Cupertino disparou 13 vezes contra as vítimas. Ele foi acusado de triplo homicídio qualificado. Depois do crime, fugiu para Mato Grosso do Sul e, em seguida, para o Paraguai. O acusado foi preso na mesma região onde o crime ocorreu, escondido em um hotel, em maio de 2022.

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