Protesto contra despejo do Teatro de Contêiner termina em confronto
Espaço é alvo de disputa entre a Companhia Mungunzá e a Prefeitura de São Paulo, que ordenou o despejo até a próxima quinta-feira (21/8)

Às vésperas do prazo estipulado para a Companhia Mungunzá de Teatro deixar o espaço onde funciona o Teatro de Contêiner, na Luz, região central de São Paulo, nesta terça-feira (19/8), um protesto de artistas terminou em confronto com agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Vídeos mostram GCMs agindo com escudos e spray de pimenta contra artistas da companhia e outros manifestantes. Nas imagens, é possível ver um dos agentes apontando uma arma para um grupo que protesta. Os manifestantes gritavam palavras de ordem e questionavam a atuação da Prefeitura de São Paulo.
Disputa entre companhia e prefeitura
- No início de agosto, a Companhia Mungunzá recebeu uma notificação para deixar o espaço onde funciona o Teatro de Contêiner. O documento foi assinado pelo subprefeito da Sé, Coronel Salles, e o prazo de 15 dias termina na próxima quinta-feira (21/8).
- Em maio, a companhia havia recebido uma notificação extrajudicial da prefeitura alegando que “a área é um ponto estratégico para que seja instrumentalizado um novo programa habitacional”.
- O terreno onde está localizado o Teatro de Contêiner é público e está ocupado pela Companhia Mungunzá desde 2016.
- Na ordem de despejo, a prefeitura afirma que vai usar o espaço para um novo programa habitacional.
- A gestão Ricardo Nunes (MDB) também alega que apresentou propostas de novos imóveis que poderiam ser ocupados pelo teatro.
- A companhia, por outro lado, afirma que foi pega de surpresa com a decisão.
- Em entrevista ao Metrópoles em maio, um dos artistas da Munguzá, Marcos Felipe, disse que o teatro enfrentou diversos desafios, sempre em diálogo com a prefeitura paulistana.
- “Nós construímos o teatro de Contêiner, que é referência e tem abrigado, ao longo desses 9 anos, diferentes coletividades. Juntos, já promovemos mais de 4 mil ações artístico-sociais”, disse.
Em nota, a prefeitura afirmou que a ação desta terça-feira (19/8) foi motivada pela desocupação de um imóvel ao lado do Teatro de Contêineres.
“O prédio, que está interditado e será demolido pela Prefeitura de São Paulo, foi invadido por um grupo de pessoas que utilizava um acesso clandestino feito a partir do terreno do teatro. Diante da invasão e da negativa para desocupação deste imóvel, foi necessária uma intervenção por parte das forças de segurança. O local está trancado e preservado”, diz o texto. Artistas da companhia afirmam que materiais do teatro são guardados no prédio trancado.
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O espaço utilizado pela Companhia Mungunzá de Teatro foi montado em 11 contêineres marítimos e em quase uma década de atuação já foi indicado a prêmios nacionais e internacionais pela iniciativa.
Para os artistas, “não é justo que em São Paulo tenhamos tantos prédios e terrenos ociosos e a prefeitura escolha desocupar um espaço que está sendo destinado à cultura o desenvolvimento social”.
















