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São Paulo

"A gente vai ter que engolir", diz Nunes após Justiça autorizar Uber a operar mototáxi

Prefeitura de São Paulo já informou que irá recorrer da decisão judicial que deu 48 horas para município credenciar Uber no serviço

22/07/2026 20:38, atualizado 22/07/2026 21:06
Reprodução
Prefeitura espalha avisos após Justiça autorizar Uber a operar mototáxi

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) lamentou uma decisão judicial que deu 48 horas para a prefeitura credenciar a Uber para operar o serviço de mototáxi em São Paulo. Mais cedo, a administração municipal já havia informado que iria recorrer na Justiça.

Nunes afirmou que terá que “engolir goela abaixo” uma decisão considerada por ele como “absolutamente equivocada”. “Os judiciários sempre interferiram nas políticas públicas dos estados e municípios, porque eles vão lá, dão uma canetada e fica aqui a gente com essa dor, com essa preocupação”, disse o prefeito em entrevista a jornalistas, na noite desta quarta-feira (22/7), durante evento da BandNews TV.

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“E quem vai sofrer a dor dessas mortes que acontecerão? Quem vai sofrer a dor dos amputados que terão? Quem vai sofrer a dor dos paraplégicos que ficarão?”, questionou.

Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo havia negado, mais uma vez, um pedido da empresa de transporte por aplicativo para credenciar mototaxistas. O argumento era de que a Uber “não teria apresentado documento que comprovasse o requisito de contratação de seguro de acidentes pessoais, conforme previsto na legislação”.

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Essa foi a segunda negativa somente em 2026. Em abril, a gestão Nunes rejeitou o pedido de credenciamento feito pela empresa, também alegando falta de documentação.

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Em janeiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendia trechos de uma lei e de um decreto do município de São Paulo que impunham condições  para a prestação do serviço.

Ao Metrópoles, a Uber afirmou, por meio de nota, que a decisão judicial “confirma a legalidade da sua operação e reafirma seu compromisso com a segurança de usuários e parceiros, que contam com Seguro de Acidentes Pessoais em todas as viagens realizadas pela plataforma”.

Prefeitura coloca avisos com dados de acidentes de moto pela cidade

Nesta quarta (22/7), depois da decisão favorável à Uber, a Prefeitura de São Paulo colocou avisos em painéis de LED espalhados pela capital, com dados sobre mortes de motociclistas no último ano. A mensagem informa que 475 pessoas morreram em acidentes de moto em 2025. “Motociclista, cuidado”, alerta o letreiro digital.

As informações podem ser conferidas por quem atravessa a Marginal Tietê, próximo à Avenida Nicolas Boer, por exemplo. Segundo a administração municipal, há, ao todo, 230 painéis que exibem a mensagem.

Novela entre Prefeitura de SP e apps

  • A disputa pela liberação das corridas por mototáxi em São Paulo se tornou uma verdadeira novela entre a prefeitura da cidade e as empresas que fornecem o serviço.
  • O Decreto Municipal nº 62.144/2023 suspendeu o serviço de transporte remunerado privado individual de passageiros por motocicletas na capital paulista.
  • Apesar disso, as plataformas ofertaram corridas nessa modalidade. À Justiça, a Prefeitura de São Paulo argumentou que as plataformas iniciaram a oferta do serviço, de forma clandestina, em janeiro deste ano. Desde então, uma batalha judicial se iniciou.
  • Em primeiro grau, a Justiça paulista declarou que o decreto municipal que suspendia o serviço é inconstitucional, sob a fundamentação de que a lei suspendeu uma modalidade regulamentada por legislação federal.
  • A prefeitura recorreu, com objetivo de manter a regularidade do decreto. O município alegou que a lei federal não regulamenta o serviço por motocicletas, mas apenas por automóveis.
  • O prefeito Ricardo Nunes (MDB) alega continuamente que as corridas de mototáxi apresentam um risco à população paulistana.
  • Em entrevista coletiva em março do ano passado, Nunes chegou a afirmar que o serviço é uma “carnificina”.
  • À Justiça, a 99 argumentou que não há dano na manutenção do serviço, mas na suspensão.
  • Enquanto a modalidade esteve livre para utilização, a plataforma afirmou que, em 14 dias de operação na capital paulista, a 99Moto fez mais de 500 mil viagens, sem nenhuma morte ou registro de acidente grave, e distribuiu mais de R$ 3 milhões em ganhos para os mais de 13 mil motociclistas parceiros da empresa.
  • O serviço voltou a ser liberado enquanto a constitucionalidade do decreto era debatida na Justiça, mas foi suspenso mais uma vez com decisão de 16 de maio.
  • Em abril deste ano, a 99 desistiu de implementar o serviço em São Paulo e decidiu focar os investimentos nos serviços de entrega.