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Ponto de vista

Twitter está vivo e as mudanças deram novo fôlego à rede social

Após anos de prejuízos, companhia registra 2º trimestre seguido de lucro e mostra que está firme entre as maiores plataformas sociais da web

Foto de Leo RenatoLeo Renato
30/04/2018 11:30, atualizado 30/04/2018 11:32
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iStock
Twitter está vivo e as mudanças deram novo fôlego à rede social

Depois de amargar seguidos prejuízos, o Twitter parece que ganha novo fôlego. O primeiro trimestre de 2018 foi o segundo consecutivo em que a rede de microblogging registrou lucro. Não é possível cravar, mas esse resultado pode ser reflexo de algumas mudanças recentes na plataforma, como o aumento no número de caracteres por post, de 140 para 280.

Além disso e da turbulência que o Facebook vem passando, os usuários podem estar procurando por novos ares. Como gostamos de novidades, estamos sempre à caça de outras opções para interagirmos e nos informarmos. O Twitter não chega a ser algo novo, pois já está aí há bastante tempo. Mas, por causa do nosso consumo excessivo e rápido de conteúdo, é uma boa alternativa às grandes plataformas, como Facebook e Instagram.

Por mais que tenha perdido espaço nos últimos anos, ainda é uma rede social bastante usada no mundo. São mais de 336 milhões de usuários ativos, número bastante expressivo.

O lucro da empresa neste primeiro trimestre de 2018 foi de US$ 60,99 milhões. No mesmo período do ano passado, a companhia teve prejuízo de US$ 62 milhões. A principal fonte de receita continua sendo publicidade. Outro dado importante é que o Twitter atraiu 6 milhões de novos usuários mensais.

Twitter/Divulgação
Escritório do Twitter em São Francisco, EUA

Entre as maiores redes sociais do mundo, é a única que ainda segue a cronologia reversa na ordem dos posts na timeline, ou seja, as publicações mais atuais aparecem primeiro. Na verdade, o Twitter dá a opção para o usuário. É só marcar nas configurações se você quer que sejam mostrados os melhores tuítes primeiro (para o algoritmo funcionar na sua timeline).

Quando surgiu essa opção, havia a expectativa de que o algoritmo na linha do tempo se tornasse padrão, mas eles mantiveram a ideia de deixar o usuário escolher como quer a organização da timeline. Porém, para o público mais fiel, a possibilidade não pareceu uma boa alternativa.

Até uma hashtag foi criada pelos revoltados: #RIPTwitter. Para eles, a mudança estaria contra o princípio da rede social. Além disso, foram feitas comparações negativas com o Facebook, devido ao algoritmo que filtra as publicações.

Não há dúvidas de que os algoritmos vieram para ficar. Mas dar a possibilidade de o usuário decidir como ele quer a sua timeline é a melhor experiência que a rede pode oferecer.

Em programas de TV, ele é campeão de memes e de interações de segunda tela, aquelas em que as pessoas veem a programação e, ao mesmo tempo, fazem comentários na rede. Se for como na Copa do Mundo de 2014, o show de comentários e de memes está prestes a recomeçar em junho.

Em grandes tragédias, como no caso do ataque terrorista em Paris, no acidente com o avião da Chapecoense ou em tiroteios nos EUA, a grande fonte de informação foi o Twitter. As autoridades usam a plataforma para divulgar informações de forma mais rápida.

Personalidades – como o presidente norte-americano, Donald Trump – adoram usar o serviço para se comunicar diretamente com a sua audiência. Muitas vezes, um tuíte derruba ações de empresas e provoca crises diplomáticas.

Não há como negar que é uma rede com personalidade e usuários fiéis. Arrisco-me a dizer: a despeito do número de usuários bem menor, é mais fácil encontrar um defensor ferrenho do Twitter do que um do Facebook. Mesmo com as mudanças, o DNA da plataforma, com textos curtos e objetivos, segue intacto. O Twitter ainda vive!


Leo Renato Bernardes é jornalista e especialista em marketing e comunicação digital